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Outubro | 2010
Chegou a vez do Grande Prêmio Diana, por Victor Corrêa 01/10/2010 - 11h48min
Paulo Bezerra Jr./Divulgação JCSP

Colina Verde, última trípice coroada paulista
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No próximo fim de semana, o Jockey Club de São Paulo promoverá a disputa de duas das suas mais importantes provas de todo o calendário. Uma delas é o Grande Prêmio Diana (Gr.I), destinado a potrancas de 3 anos que lutam na ocasião pela terceira e última etapa da Tríplice Coroa de Éguas. Tal qual o Derby representa a principal disputa de toda uma geração, o GP Diana possui um valor bastante semelhante, só que claro, limitando–se às fêmeas de uma mesma “safra”.
Até o ano de 2005, quando Ever Love (Nedawi) levantou este páreo numa bela atropelada, o GP Diana figurava como a segunda prova da Tríplice Coroa, sendo sucedida pela disputa do GP José Guathemozin Nogueira (Gr.I), que encerrava a sequência das três provas – aberta pelo GP Barão de Piracicaba (Gr.I) em agosto – no mês de dezembro. No entanto, a partir de 2006, os 2 quilômetros do “Oaks” brasileiro passaram encerrar a sequência de 3 provas, logo em outubro, uma vez que houve a introdução do Grande Prêmio Henrique de Toledo Lara (Gr.I) – em 1.800 metros – no mês de setembro, portanto, precedendo o GP Diana e figurando como a Segunda Coroa. Este páreo, na realidade, já era disputado entre as duas primeiras etapas, servindo mais como uma preparatória para o próprio “Diana”, sob o título de GP Presidente Antônio T.De Assumpção Netto (Gr.II), cuja última ganhadora foi Nakaba (Know Heights), em 2005.
Logo no primeiro ano desta mudança no modelo da Tríplice Coroa feminina de Cidade Jardim, o GP Diana viria a coroar à ótima Colina Verde (Know Heights), que por sua vez tomava o “bastão” de Emerald Hill (Locris), até então a mais recente Tríplice Coroada do turfe paulista – em 1977. Aliás, estão aí 2 dos principais nomes do hall das ganhadoras do GP Diana. Emerald Hill, invicta em pistas brasileiras através de nove saídas, venceu também a versão “carioca” do GP Diana, em abril de 1978. Para a lendária defensora do Haras Rosa do Sul conquistar também a Tríplice Coroa no Rio de Janeiro, faltou–lhe apenas o Grande Prêmio Marciano de Aguiar Moreira (Gr.I), o qual não disputou em razão da sua equipe técnica, capitaneada pelo treinador Pedro Nickel, acreditar que Emerald Hill, mesmo tendo vencido na referida distância, caía de produção ao encarar os 2.400 metros.
Já no caso de Colina Verde, o GP Diana selou suas exibições no Brasil, uma vez que posteriormente esta brilhante corredora foi exportada para os Estados Unidos, onde produziu campanha curta e razoavelmente produtiva, sendo que hoje a neta de Purple Mountain (Grey Dawn) já se encontra retirada à reprodução. Dona de uma atropelada irresistível, Colina Verde tem, como sua terceira mãe, justamente Emerald Hill. E ainda nesta mesma família, encontramos outra valorosa vencedora dos dois “Dianas” brasileiros: Emocion (Orsenigo), criada em 1955 sob o registro do Stud Seabra. Emocion, descendente direta de Empeñosa (Full Sail) – mãe do não menos qualificado Emerson (Coraze) – é a segunda mãe de Emerald Hill, e consequentemente quinta mãe de Colina Verde.
Mas para acharmos outra memorável e destacada corredora dentre as vencedoras do GP Diana em toda a sua história, não precisamos ir muito longe. Em 1995, as chuvas que castigaram Cidade Jardim na véspera da prova fizeram com que fosse definida a sua transferência para a pista de areia. Dentro da raia, a então candidata ao título, Oriental Flower (Clackson), foi a ganhadora. No entanto, o sino de reclamação soou por parte de Jorge Ricardo, piloto da segunda colocada, Onefortheroad (Ghadeer), que trazia a liderança entre as fêmeas da sua geração na Gávea. E o veredicto da comissão de corridas fez de Onefortheroad a ganhadora naquele ano. No entanto, dificilmente alguém imaginaria que ali despontava a mais destacada matriz do turfe brasileiro no século XXI. Corredora de exceção e um elemento ímpar na reprodução, Onefortheroad, após encerrar sua campanha, daria origem a nada menos do que três ganhadores de graduação máxima: Ay Caramba (Roi Normand), vencedor do GP ABCPCC (Gr.I) em 2003 na Gávea, do Oceanport Handicap (Gr.III) e River City Handicap (Gr.III) nos Estados Unidos, e atualmente integrante do quadro de reprodutores do Haras Doce Vale; Flymetothemoon (Roi Normand), vencedor do GP São Paulo (Gr.I) de 2009, do GP Linneo de Paula Machado (Gr.I) na Gávea, e segundo colocado para Jeune–Turc (Know Heights) no GP Brasil (Gr.I); Éissoaí, que cumpriu o papel de algoz da excelente Light Green (Blush Rambler) neste mesmo GP Diana (Gr.I), em 2007, repetindo, portanto, o brilhareco de sua mãe.
E foi também um GP Diana que marcou o início da incrível jornada de Immensity (Zenabre) em 1983, quando a crioula do Haras Ponta Porã – para muitos a nossa melhor fêmea em todos os tempos – venceu na sequência os GGGPPP Diana, Derby Paulista (gr.I) e Carlos Pellegrini (gr.I), este último tendo a consagrado em solo argentino, na histórica trifeta brasileira, composta ainda por Kigrandi (Leigo) e Kenético (Earldom). Nomes como o da tríplice coroada paulista entre os anos de 1961 (quando, no seu segundo semestre, foram corridas as duas primeiras provas) e 1962 (em fevereiro, o GP José Guathemozin Nogueira culminou com o fechamento da disputa), Olhada (Orbeneja) vencedora ainda dos GGPP 25 de Janeiro (Gr.II) e Pres.Silvio Alvares Penteado (Gr.III) também ganham realce entre as vencedoras do Diana em São Paulo. Ainda há espaço para um grifo nosso sobre o nome de Rasharkin (Vacilante), outra que conseguiu a proeza de vencer os 2 desdobramentos do GP Diana corridos em São Paulo e Rio de Janeiro, nos anos de 1986 e 1987. Rasharkin levantou ainda o GP Henrique Possolo (Gr.I) na Gávea, tendo ficado a um passo da Tríplice Coroa, não conquistada em razão da sua derrota para Classista (Rasputin) no GP Marciano de Aguiar Moreira (Gr.I) de 1987. Na reprodução, Rasharkin deu origem à também ganhadora de graduação máxima, Eternitá (Ghadeer), que por sua vez é de Millénaire (por Jules, vencedor do GP Emilio Garrastazu Médici (Gr.II)) e Top Note (por Signal Tap, vencedora do GP Pres.Fabio da Silva Prado (Gr.III)).
Para finalizar esta retomada das suas mais destacadas ganhadoras, citaremos duas éguas que depois de cruzarem o disco em primeiro na almejada prova acabaram exportadas, tendo alcançado resultados dos melhores no Hemisfério Norte. Em 1997, Verinha (Baronius) levou a melhor no páreo, sendo que antes da sua exportação esta integrante da fantástica “letra V” do Haras São José & Expedictus venceria ainda o GP José Guathemozin Nogueira (Gr.I) em Cidade Jardim. Nos Estados Unidos, Verinha levantou o Law Dowager Stakes (L), em Keeneland, e produziu dois ganhadores clássicos: Cool Conductor (Stravinsky), primeiro colocado no Dixie Stakes (Gr.II), Hawthorne Derby (Gr.III) e Arlington Handicap (Gr.III); e Remember Carina (Grand Slam) – de nascimento norte–americano, mas tendo vencido no Brasil o Clássico Riboletta (L) e argolado um quinto lugar no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (Gr.I), conquistado por Tanta Honra (Crimson Tide) em 2009.
Transcrito da Newsletter da APFTurfe Nº 515 de 30/09/2010 |

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