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Outubro | 2009
Diretor da Codere do Brasil conta tudo sobre parceria com JCB e JCRGS 29/10/2009 - 23h47min
Karol Loureiro

André Gelfi na Turff Bet & Sports Bar do Hipódromo da Gávea
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André Gelfi, diretor geral da Codere Brasil, conversou com a Revista Turf Brasil na última quinta–feira, 22 de outubro, na loja Turff Bet & Sports Bar do Hipódromo da Gávea para esclarecer aos turfistas as atividades da empresa em nosso país, bem como os planos futuros e a decisão pelo aditivo no contrato feito entre Codere, Jockey Club Brasileiro e Jockey Club do Rio Grande do Sul.
O que é a Codere?
É uma empresa multinacional fundada na Espanha que tem 28 anos, sendo o maior grupo privado explorador de jogos na América Latina. A Codere conta atualmente com 13.900 funcionários. No ano passado tivemos um resultado operacional de 237 milhões de euros. Estamos presentes em oito países, seis deles na América Latina, somos líderes no México, Argentina, Uruguai e Panamá. Operamos três hipódromos no continente sul–americano, dentre eles o Hipódromo de Maroñas, que é referência internacional. Além do Hipódromo Presidente Remón no Panamá e do Hipódromo de Las Américas, na Cidade do México, onde fica o maior Centro de Convenções da América Latina.
Quando iniciou o contrato da Codere com os Jockeys Clubs?
O contrato com os Jockeys Clubs Brasileiro e do Rio Grande do Sul foi assinado em fevereiro de 2005. Inauguramos nossa primeira agência credenciada em agosto, durante a realização do Grande Prêmio Brasil, no Hipódromo da Gávea. Quinze dias depois, inauguramos a agência Moinhos de Vento em Porto Alegre.
Quais as propostas da Codere no Brasil?
Nossa intenção é replicar no Brasil o sucesso obtido no Uruguai e no México. Pretendemos revitalizar o turfe. Todos sabem que o volume de apostas não é suficiente para fomentar o turfe brasileiro. A atividade é deficitária. Até pouco tempo atrás, a Hípica Rioplatense Uruguai (concessionária do Hipódromo de Maroñas) tinha um déficit de US$ 5 milhões ao ano com a operação do Hipódromo, cifra próxima da apresentada pelo turfe no Jockey Club Brasileiro. Precisamos complementar a oferta de produtos para que possamos aumentar as receitas do Jockey Club Brasileiro e do Rio Grande do Sul e fechar esta conta, podendo assim aumentar a bolsa de prêmios, que hoje infelizmente ainda é baixa, estimulando com isso a demanda por cavalos e conseqüentemente todo o setor. O Simulcasting Internacional foi apenas o primeiro passo neste sentido. Nossa pretensão é criarmos outras modalidades de jogo para aportar tanto ao Jockey Club quanto à bolsa de prêmios.
Por que foi colocado um aditivo no contrato inicial?
O aditivo serviu para reestruturarmos uma dívida, diante de uma crise financeira mundial, e das dificuldades da empresa em trabalhar no Brasil, e foi assinado em função de uma perspectiva futura. Pagaremos ao JCB R$ 3 milhões em 10 parcelas até maio de 2010 e mais US$ 3 milhões de dólares pelo projeto de novas modalidades de jogos. As cláusulas de garantia do contrato inicial foram criadas para dar uma segurança aos Jockeys Clubs de que o Simulcasting Internacional, explorado pela Codere, não iria reduzir a base de receitas dos clubes. De agosto de 2005 até junho de 2006, o MGA do JCB foi de R$ 171,8 milhões, sem o Simulcasting Internacional. Nos 11 meses seguintes, já com o Simulcasting Internacional, o total do MGA do JCB foi de R$ 172,4 milhões. Desde que o Simulcasting Internacional começou a ser comercializado, a única queda acentuada do MGA da Gávea refere–se ao período em que a raia de grama ficou fechada para a reforma. Quando falam que o Jockey Club abriu mão de projetos futuros cometem um equívoco. O contrato é claro quanto à exploração de novas modalidades, sob licença dos Jockeys. Criamos uma espécie de ‘joint venture’, onde a Codere arca com os investimentos e operação dessas salas e o resultado será dividido em partes iguais, 50% para cada um. Estes recursos serão reinvestidos no turfe e servirão para retornar os investimentos realizados.
O simulcasting internacional é clandestino e ilegal?
De forma alguma. A Instrução Normativa número 21, do ano de 2006, disciplinou que os Jockeys Clubs podiam explorar o Simulcasting Internacional desde que tivessem carta patente válida e os planos de sorteios homologados pelo Ministério da Agricultura. A autorização para a comercialização das apostas e suas regras foi divulgada publicamente no Diário Oficial através de portaria. Inclusive no ano passado a legalidade foi ratificada pelo próprio ex–Advogado Geral da União, e hoje Ministro do STF, Dr. José Antonio Dias Toffoli. O regulamento homologado está disponível nas agências Turff Bet & Sports Bar.
Quais as licenças utilizadas pela Codere para transmitir as corridas internacionais?
O JCB tem um contrato assinado com a Caliente do México, maior distribuidora de Simulcasting Internacional da América Latina, que inclui a compra de direitos de imagem para retransmissão e captação de apostas de diversos hipódromos internacionais. A Codere, como agente credenciado exclusivo para a distribuição de Simulcasting Internacional, comercializa estas apostas. Neste caso é a Caliente quem tem acordos firmados com as empresas proprietárias dos hipódromos. Magna e Churchill, que operam 17 hipódromos norte–americanos, criaram uma ‘joint venture’ chamada Tracknet Media Group, responsável pela negociação dos seus direitos de imagens. A Tracknet cedeu os direitos de imagem para a Caliente que os cedeu ao JCB. Tenho em mãos uma cópia da carta que o presidente Luis Eduardo recebeu da Tracknet Media Group confirmando a licença válida para a transmissão das imagens no Brasil em seis locais (lojas Turff Bet & Sports Bar). Jamais assinaríamos um contrato com uma empresa se a mesma não tivesse o direito das imagens a serem retransmitidos pela Codere. Temos um departamento jurídico e um departamento de ‘compliance’ em Madri que nos apóiam neste processo.
Quanto é jogado hoje nas lojas Turff Bet & Sports Bar e qual a melhor delas?
Nossa venda mensal é de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Nossa melhor agência é a da Gávea. Estimo que hoje o Simulcasting Internacional corresponda a quase 20% do MGA total do JCB, é um produto incremental e competitivo. Não podemos nos esquecer com quem competimos – nosso setor é o de entretenimento – competimos com praia, cinema, televisão, pois vendemos tempo livre. Temos que ter serviço, comodidade, acesso, produto. Hoje temos um ‘mix’ mais interessante, onde os clientes do Jockey Club podem vir por mais horas e por mais dias. Abrimos ao meio dia e vamos até às 4h da madrugada de segunda a segunda. As outras agências credenciadas só abrem de quinta a segunda e transmitem 90 páreos por semana. Nós transmitimos 590 páreos. Ou seja, se a oferta é maior, é natural que venha muita gente nas lojas Turff Bet & Sports Bar. Se o Simulcasting Internacional não fosse bom para o turfe, não teríamos sucesso no Uruguai, Panamá e no México, mas é bom frisar que a receita do Simulcasting Internacional não é suficiente para viabilizar o turfe, por isso precisamos de novas modalidades.
Como funciona a fiscalização do JCB com a Codere?
Nós somos agentes credenciados, por isso recebemos comissão sobre as vendas locais e internacionais. Entendo que a fiscalização com a Codere é semelhante à realizada com os demais agentes credenciados. Talvez uma diferença seja que nós recolhemos a CCCCN diretamente para o Ministério da Agricultura por conta e ordem dos Jockey Clubs, que é de cerca de R$ 500 mil/ano.
Como são feito os rateios das corridas internacionais e quanto os hipódromos norte–americanos lucram com o nosso MGA?
Os rateios oferecidos aos apostadores locais são exatamente os rateios dos hipódromos de onde se realizam as corridas. As regras e detalhes estão disponíveis para todos os clientes dentro das próprias lojas Turff Bet & Sports Bar. Não temos acesso aos acordos comerciais existentes entre a Caliente e os hipódromos norte–americanos, mas como a relação entre eles vem de muitos anos, imagino que seja satisfatória para as partes. O Jockey Club repassa à Caliente a diferença entre a retirada e as obrigações locais.
Por que o Simulcasting Internacional é bom para o Jockey Club Brasileiro?
Hoje, que eu saiba, o JCB tem algumas fontes de receita: Área social (sócios que pagam mensalidade), aluguel da garagem do Centro, eventos que são feitos no clube, o Simulcasting Internacional e a venda das apostas em outros agentes credenciados. Ou seja, cortar o Simulcasting Internacional é acabar com uma das fontes de receita, além de também eliminar a perspectiva de ter um negócio interessante lá na frente.
Quando as imagens do JCB e JCRGS poderão ser disponibilizadas para o exterior?
Ainda não conseguimos disponibilizar as imagens para o exterior por uma série de fatores, dentre eles porque os totalizadores são incompatíveis tecnologicamente com os utilizados nos Estados Unidos. Os Jockeys padronizaram as apostas Rio/São Paulo com o decreto 21, mas para se exportar imagens, precisamos padronizar, ao estilo norte–americano: as imagens, as apostas, os retrospectos, e a unificação das telas Rio/São Paulo. Assim teremos rateios mais consistentes para o público norte–americano, além de um produto no padrão que eles conhecem. Agora é importante frisar que para poder exportar esse sinal, é muito importante estar importando o deles, o que fazemos há três anos. Acabar com o Simulcasting Internacional seria um retrocesso.
Existe prazo para a exportação do sinal?
Não existe esse prazo a princípio. Chegamos a discutir, mas em função da dificuldade entre os Jockeys o assunto foi adiado. Temos interesse em ajudar, mas não conduzimos a agenda.
O que a Codere, o JCB e o JCRGS farão sem o apoio da ABCPCC?
Estou sabendo através de você da decisão da ABCPCC, mas tomaremos as necessárias providências para manter o Simulcasting Internacional e esclarecer à ABCPCC que estão dando um tiro no pé.
Vamos falar do novo projeto?
Antes de apresentarmos o projeto às entidades federais, o presidente Luis Eduardo (Lecca) sugeriu e a Codere financiou um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas contemplando um diagnóstico do setor. O mesmo confirmou que o turfe tem uma situação insustentável, pois a bolsa de prêmios não é suficiente para pagar as despesas de manutenção dos cavalos. A receita com prêmios só paga 41% das despesas com treinamento no país (considerados os quatro principais clubes). O prêmio do JCB, que tem a melhor relação bolsa de prêmios/despesa com treinamento e manutenção, cobre apenas 54% dos custos. Os outros 46% saem do bolso dos proprietários. A situação do país se compara a do Uruguai, que fechou em 1997 porque quebrou. Mas o governo uruguaio, diante da relevância do turfe no país, onde mais de 2% da população é empregada no setor, abriu licitação em que a Codere, junto com um grupo de investidores, ganhou. Hoje somos a concessionária do Hipódromo, que recebeu um investimento grande e justificado, porque tínhamos a perspectiva de receitas que cobrissem os investimentos. No Brasil, onde já investimos mais de R$ 12 milhões (considerando patrocínio, agências, pagamento inicial ao Jockey Club, bolsa de prêmios) e pretendemos investir ainda mais na revitalização da Gávea e do Cristal.
Do que se trata essa nova proposta?
Estamos pleiteando junto ao Ministério da Fazenda a autorização para a oferta de novas modalidades de apostas, lotéricas e sweepstakes. Com esta autorização, viabilizamos o projeto de revitalização do turfe no Rio e em Porto Alegre com investimentos em instalações, serviços e Bolsa de Prêmios. Estamos avançando, na semana que vem temos agenda em Brasília com o Ministério da Fazenda para tratarmos desse assunto. Vale lembrar que o Jockey Club, assim como a Caixa Econômica Federal, tem autorização para explorar esse tipo de apostas (artigo 14 da lei do turfe n° 7.291).
Como funcionaria?
Criaremos a Loteria do Turfe, distribuída através de terminais eletrônicos instalados dentro da Gávea e do Cristal. Este produto será complementado pelo novo sweepstakes, que será a grande âncora para formar novos turfistas, pois pagará prêmios interessantes aos novos apostadores. Parte das receitas destas novas modalidades de aposta será destinada diretamente à bolsa de prêmios dos Jockeys. Estimamos que a bolsa de prêmios possa dobrar na Gávea e, no caso do Cristal, o aumento fique entre 300% e 400%. Esse tipo de jogo existe, com grande sucesso, em Porto Rico, e é chamado de Pool Pote, onde alcança prêmio total de US$ 30 milhões e faz com que o MGA daquele local alcance US$ 400 milhões/ano. Ressalto que a mola mestra deste projeto é a aposta, mas que são necessários serviços para trazer o novo apostador; melhores restaurantes, ambientes, estacionamento. Defendemos um conceito de centro de entretenimento integral. Vale frisar que não estou falando em vender um pedaço do hipódromo, porque isto não significa turfe sustentável. Nosso projeto viabiliza o turfe sem dilapidar o patrimônio do clube, é comprovado e exitoso. Hoje nos Estados Unidos o modelo mais exitoso do setor é o ‘racino’, hipódromo com jogos complementares fomentando a Bolsa de Prêmios.
Com a liberação dos bingos, os Jockeys Clubs serão prejudicados?
Se não tiverem como competir, sim. Mas o Jockey Club tem como parceira a Codere, que é a maior operadora de bingos da América Latina – 137 salas. De qualquer forma não precisamos montar bingo no Brasil, podemos trabalhar o nosso projeto para enfrentar a competição no setor. O Rio de Janeiro precisa de entretenimento e vai precisar de muito mais com a Copa do Mundo e as Olimpíadas se aproximando. Nosso objetivo é fazer com que o Jockey Club retorne ao circuito de entretenimento carioca como referência.
por Karol Loureiro para a Revista Turf Brasil |

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