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Setembro | 2009
CODERE: Falta de transparência, pecado que se repete, Luis F. B. dos Santos 18/09/2009 - 20h55min
À época da assinatura do contrato entre a CODERE e o JCB, a Associação Carioca de Proprietários de Cavalos PSI promoveu um encontro da diretoria do clube e seus associados, contando também com a presença de profissionais do turfe. Realizado numa manhã de sábado de março de 2005, quando a Diretoria do JCB precisava do nosso apoio para obter a indispensável autorização do Governo Federal para o simulcasting internacional, o evento realizado no Teatro do Jockey teve cerca de 80 participantes. Representando a Diretoria, o Sr. Sérgio Menezes, que participou intensamente das negociações, fez exposição sobre o tema, afastando as preocupações existentes, especialmente com relação à canibalização das apostas e lançando expectativas maravilhosas a partir da aprovação do simulcasting. Na ocasião, além de prometer entregar cópia do contrato na semana seguinte, o que não ocorreu, o expositor informou que: – a provável queda no MGA seria compensada integralmente por aportes da CODERE, previstos em contrato; – 3% da arrecadação com as apostas no simulcasting ficariam para o JCB, indo um terço para ações de marketing para aumento do público, um terço para a melhoria das condições técnicas das pistas e das transmissões, ficando a terceira parte para possibilitar a redução gradual do nível das retiradas sobre as apostas, de forma a aproximá–lo do padrão de outros hipódromos cujas carreiras são também exploradas pela CODERE, via simulcasting, e – a captação de apostas nas corridas da Gávea no exterior e a receita advinda das maquininhas permitiriam elevar os prêmios para o animal vencedor, nos páreos para produtos de 2 anos, de R$ 5 mil, para algo próximo de R$ 13 mil. Consultado sobre as garantias oferecidas pela CODERE informou que essas não tinham sido obtidas, ressaltando, contudo, tratar–se de empresa de grande porte, com ações cotadas em bolsa de valores, não vendo maior necessidade das mesmas. O fato de o contrato ter sido feito com empresa cujo capital era de somente R$ 50 mil, não nos foi informado. A reunião que parecia ter sido um passo imenso em prol da união dos turfistas e do soerguimento da atividade revelou–se fonte de enganação. De nossa parte demos apoio formal ao pedido que nos fora feito de aprovação do simulcasting, mas de outro nunca tivemos o acesso prometido ao inteiro teor do contrato. Sem contar que ouvimos, sob aplausos, a comunicação de que o ex–presidente havia decidido devolver o Bombril ao turfe. O tempo passou concretamente nada do que se indicava ocorreu. Foi concedido um único aumento de prêmios de 20 por cento, após 10 anos de congelamento. Agora fazem 14 anos em que o único aumento de prêmios foi esse. Verba para o Marketing, para melhoria das condições técnicas das carreiras e para a redução do abusivo nível de retiradas: nada aconteceu. À falta de boas notícias e diante de crescentes rumores quanto a inadimplência da CODERE, fomos pegos de surpresa pelas recentes matérias acerca de Aditivo firmado entre essa empresa e o clube, bem como quanto a carta firmada pelo clube em maio de 2008, poucos dias antes da última eleição, alterando as condições antes pactuadas em favor da CODERE. Ficamos agora sabendo que faltando 20 dias para a eleição, decidida por reduzida diferença de votos, o ex–presidente do JCB aceitou as condições oferecidas/impostas pela CODERE para manter a "parceria". Aceitou a suspensão da garantia contra a canibalização das apostas com data retroativa a 31 de marco de 2008. Aceitou também que a dívida acumulada até o momento em que a CODERE se dispôs a pagar o seguro contratado, de R$ 6,5 milhões, ficasse "em aberto", sem previsão de pagamento ou qualquer ação para cobrança. A volta da garantia e o pagamento da dívida ficaram condicionados, basicamente, à liberação da licença para exploração de novas modalidades de apostas até 31 de marco de 2009. Como agora informa o atual presidente, a garantia que o clube tinha contra a canibalização das apostas não mais existe, por conta dos termos da carta de 5 de maio de 2008. Mais grave: só agora ficamos sabendo que em 31 de julho de 2009, para tentar receber os R$ 6,5 milhões devidos pela CODERE, firmaram–se Aditivas com diversas novas concessões por parte do clube. Assim, o JCB se conformou em receber o valor corrigido da dívida, de R$ 8,5milhões, parceladamente e de forma condicionada. Serão recebidos R$ 3 milhões em 10 parcelas mensais de R$300 mil, enquanto o saldo será pago se e quando as licenças para exploração de novas apostas forem concedidas. Se não o forem, tchau crédito antes líquido e certo de R$ 5,5 milhões. Ficamos agora informados que o simulcasting rende ao clube R$ 100 mil por mês, mas não sabemos quanto a CODERE paga pelos aluguéis das áreas que ocupa na sede do Centro e na Gávea. Como não conhecemos o contrato firmado não podemos saber se é cobrado aluguel pela cessão dessas áreas. Em caso negativo, a simples locação comercial normal dos espaços resultaria em receita, aproximadamente, do mesmo valor. Ocorre que temos acompanhado perplexos a discussão sobre a extensão dos possíveis malefícios causados ao clube por um Aditivo, cujos termos desconhecemos, feito a um contrato, cujos termos também desconhecemos, tendo ainda no meio uma carta aceitando imposições da CODERE, sobre a qual sequer se imaginava existir, frise–se mais uma vez, firmada na surdina às vésperas da última eleição. Relembro aos que são sócios do JCB que o ex–presidente costumava enviar cartas periódicas auto–definidas como as mais completas prestações de contas da história do clube... Não deve constar da lembrança de ninguém qualquer menção a tamanhas mazelas, pois elas simplesmente foram omitidas do quadro social. Assim, apoiar ou não esse ou aquele ato me parece tarefa ingrata, pois poucos conhecem em sua totalidade os documentos firmados. Os que os conhecem são os mesmos que estiveram no poder ou colados a ele nos anos negros da gestão do ex–presidente e permaneceram na gestão "tri–campeã" que se seguiu. Apoio ou crítica dessa gente pouco deve nos importar. Quem de nós sabe o que ocorrerá se a CODERE reincidir na inadimplência? Poderá impor novas condições para manter a "parceria" ou o clube agora escaldado tomou as precauções de praxe? Quem de nós conhece como se processará o cálculo da remuneração do clube caso os jogos alternativos sejam aprovados? Impõe–se, de imediato, sanar a absoluta falta de transparência que há quase 10 anos prevalece no JCB. As palavras de ordem "união, respeito e verdade" a que fomos instados no Editorial da ACPC devem, de fato, orientar a todos nós que almejamos coisas tão simples como raias decentes, julgamentos decentes dos páreos, e prêmios menos indecentes. Não dá para apoiar, direta ou indiretamente, ações dos que estiveram no poder por 8 anos e NADA fizeram em prol do turfe. Não dá, também, para ficar com misericórdia de quem, sempre tendo estado do lado do poder ou muito próximo a ele, se meteu em seara que desconhecia por completo, pelo mesmo sentimento de vaidade que nos preside há uma década. Temos que sair da comparação do que é pior: o horrível ou o terrível. Temos que manter nossos sonhos e esperanças por algo muito diferente e muito melhor. Que as palavras de ordem prevaleçam entre nós, nos inspire e nos dêem ânimo para continuar gostando e investindo na atividade. Nós que permanecemos na firme oposição à incompetência reinante e não tivemos receptividade às sugestões de aceitação óbvia e implantação simples. Que a dissensão ocorra lá, entre eles que estiveram e estão no poder, que podendo fazer, não fizeram e não fazem. Entre nós, que prevaleça a união, o respeito e a verdade. Amizade sincera não tem preço.
PS – Com imensa alegria, vi ainda pouco que o Raia Leve, teve acesso e publicará os documentos firmados pela CODERE e o JCB. |

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