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Agosto | 2009
Treinamento: um dom ou técnica?, por Sergio Barcellos 26/08/2009 - 12h36min
Poucas indústrias do mundo moderno são tão arriscadas quanto a indústria do puro–sangue inglês. Poucas realizam investimentos tão significativos nas etapas de criação e de melhoria de seu produto, para ver tudo terminar entregue à competência, à sorte, ou à inspiração de momento dos profissionais do treinamento. Treinadores de cavalos de corrida há muitos no turfe mundial; mas bons treinadores são uma espécie rara, seja aqui, seja no turfe milionário do hemisfério norte.
Em termos gerais, de onde vêm os treinadores desse esporte? De três categorias básicas: (i) a dos ex–jóqueis acostumados na lida diária com os cavalos de corrida e tudo que os cerca; (ii) a dos descendentes de treinadores já aposentados, principalmente quando incentivados por estes a seguir a profissão; (iii) a dos amantes do cavalo, mesmo que suas origens não estejam direta e necessariamente ligadas ao universo das corridas. É dessa terceira categoria que tem saído a maioria dos mestres do ofício de treinar. Entende–se: no mundo extremamente competitivo do turfe, abrir seu caminho e impor–se na base do puro mérito pessoal, é demonstração suficiente da vocação e da competência para treinar.
Federico Tesio planejava os cruzamentos, criava e treinava, ele próprio, seus cavalos imortais (se pudesse, também os montaria...). Dos treinadores, ele diz, em Tocchi in penna al galoppo (Hoepli, Milano, 1978), pág. 46:
“Cada animal tem uma distância onde seu resultado será sempre o melhor. Cabe ao treinador descobrir que distância é essa. Entre dois trabalhos de raia, é necessário um período de repouso diferente para cada indivíduo. Cabe ao treinador descobrir que período é esse. Qualquer máquina precisa de uma certa e determinada quantidade de combustível para produzir seu maior rendimento. Também o cavalo necessita de uma certa e determinada quantidade de alimento para manter seu físico em condições ideais. Cabe ao treinador descobrir que quantidade é essa, e fornecê–la. Toda máquina tem um limite de resistência de seus materiais, da mesma forma que todo cavalo tem um limite de resistência de seu organismo. Cabe ao treinador descobrir que limite é esse, e jamais ultrapassá–lo.”
Prossegue Tesio:
“Todo treinador deve estar sempre observando, interpretando e rapidamente decidindo. Ele deve, sobretudo, experimentar. E experimentar, significa submeter o motor animal às provas do peso e da distância.” (itálicos do original).
E finaliza:
“Para se vencer nesta profissão, é preciso muita prática, muito bom senso, muita perspicácia na observação e, sobretudo, nenhum limite para as horas de trabalho.
Treinador é alguém que mantém seu corpo e seu espírito continuamente sob pressão. Levanta–se de madrugada, junto com seus trainees; trabalha até as 11 da manhã; almoça; lê os jornais; descansa; volta às 4 da tarde para a cocheira e passa meticulosamente em revista os animais, um por um, especialmente seus locomotores. Um mínimo sinal de calor, ou alguma parte um pouco inchada, significa para ele uma pancada na cabeça, às vezes, uma batalha perdida.
Depois disso, prepara os trabalhos de raia para a manhã seguinte. Quase sempre chega atrasado para o jantar. Terminado o jantar, estuda as inscrições, os nomes e o peso a ser deslocado pelos adversários. Detém–se no programa, prepara os planos estratégicos de corrida e, invariavelmente exausto, vai deitar–se e, quem sabe, sonhar com seu cavalo envolvido pela corbeille da glória do Derby.”
A descrição de Tesio corresponde inteiramente à realidade da vida de um grande treinador no turfe moderno. Com o detalhe de que alguns deles, mesmo já famosos, mesmo já afluentes do ponto de vista econômico, costumam aproveitar os raríssimos momentos de folga do calendário para percorrer os haras e avaliar os potros que atrairão a atenção do mercado no ano seguinte. Como na maioria das profissões, o sucesso aqui depende em grande parte de gostar, valorizar e ter orgulho do que se faz.
Conceitos e formas de treinamento
Embora a raça puro–sangue inglês de corrida seja uma só, os conceitos e formas de treinar podem variar muito de cultura para cultura. Na Austrália, por exemplo, treina–se menos e corre–se mais. É um conceito. Ao contrário, na Europa, os animais são invariavelmente apresentados no limite de sua forma atlética e, portanto, correm menos (média de 6 apresentações por ano) e treinam mais.
Treinar na Europa, significa, antes de tudo, “construir quilometragem” sobre o indivíduo, tonificar seus músculos, desbastar os excessos de graxa e abrir os pulmões. Em Chantilly, é comum ver–se cavalos (sempre encilhados), rodando durante muito tempo em fila indiana nas clareiras da floresta, antes que iniciem os exercícios diários em algum lugar dos 120 quilômetros de pistas ali existentes. Quase sempre em parelha, “um pelo outro”, galopam retas de até 1.200 metros e retornam ao círculo inicial, antes de serem, afinal, levados para a cocheira.
A matemática disso é implacável: após alguns meses nesse programa, músculos viram aço, pulmões viram foles de ar e a graxa desaparece – sem sacrifício de ossos e ligamentos. Quando os animais se transformam em atletas, só então, começam os verdadeiros trabalhos de raia. Nesta etapa, ninguém mais espera ninguém.
Inicialmente em grupos de 2 ou 3, às vezes até 5 animais, as vocações para o ofício de correr começam a ser verdadeiramente medidas e avaliadas – sem apelo ao relógio. A cada novo teste, novos grupos são formados, respeitando–se o princípio da homogeneidade das aptidões: precoce contra precoce, bom contra bom, “atrasado” contra “atrasado.” É o tipo de treinamento desenvolvido com base no “cotejo das aptidões” – aquele que dá uma medida, o mais próximo possível da realidade, sobre o que pode ocorrer na primeira saída às pistas. Simplesmente porque, aqui, não se trata apenas de medir o animal contra os ponteiros do cronômetro, mas sim preparar seu “make up” mental para o confronto com os adversários da mesma espécie.
Em Newmarket, Inglaterra, não é diferente; como não é diferente em Ballydoyle, Irlanda, o famoso centro de treinamento privado construído por Vincent O’Brien, em 1951 (hoje ocupado por Aidan O’Brien, nenhum parentesco entre os dois), cuja pista principal apresenta os mesmos tipos de curvas e ondulações que os cavalos vão enfrentar na maioria dos percursos do continente. Nenhum animal estacionado em Ballydoyle vai à raia para galopar antes de trotar e “acordar” seu aparelho muscular, principalmente quando faz mais frio que o normal. É a forma de prevenir a ocorrência de contraturas e distensões. De Sir Ivor a Nijinsky e Sadler’s Wells; de Galileo a Giant’s Causeway, todos foram iniciados dessa forma.
Entre nós, os conceitos de treinamento têm mudado pouco com o passar dos anos: na maioria dos casos, treina–se a partir de galopes diários (geralmente leves), trabalha–se a distância do páreo e “apronta–se” parte dela dias antes da corrida, invariavelmente contra o relógio. Nada contra. São hábitos culturais de nosso turfe. Ademais do fato, de o clima e a qualidade da alimentação no Brasil apresentar diferenças substanciais em relação aos do hemisfério norte.
Talvez o ponto questionável desse método, seja a tentativa de enquadrar todos os indivíduos no mesmo programa, a despeito de suas notórias diferenças de idade em relação à data (real) de nascimento, constituição física, criação, modelo, perfil funcional e, principalmente, de atitude diante da competição.
Isso nos leva a algumas observações. Como se segue.
Cavalos nascidos para correr e seu treinamento
De todas as virtudes de um animal de competição, as mais importantes são as chamadas virtudes morais, reunidas sob a expressão “vontade de vencer.” Como no gênero humano, os thoroughbreds também atendem a determinados tipos de humor e podem expressar coragem (leia–se, generosidade), irritação (leia–se, agressividade), desânimo (leia–se, frieza), calma (leia–se, autoconfiança), e assim por diante. O maior ou menor equilíbrio dessas características é o que se conhece como atitude diante da competição, mencionada no tópico anterior.
Francesco Varola (vide “Typology of the Racehorse”, J.A. Allen, 1974, Londres) condensa as virtudes morais do cavalo de corrida no grupo que chamou de “stout” (aqui entendido no sentido de ardor combativo, solidez de caráter e de temperamento).
As três maiores influências do grupo em questão são os chefes–de–raça Rabelais (francês), Chaucer (inglês) e Teddy. Os dois primeiros, descendem em linha direta de Saint Simon. Chaucer é o responsável por Vatout, donde Bois Russel. O cruzamento de suas filhas com Phalaris é considerado o divisor de águas entre o thoroughbred do passado e aquele de nossos dias. Rabelais está na origem de Wild Risk (donde Waldmeister), e de Worden, Havresac II, Tenerani (e, portanto, Ribot). E Teddy é o começo de Asterus, Sunny Boy, Ortello e, entre nós, de Formasterus. O grupo se completa com a descendência de Fair Play/Man O’War (nos EUA) e de Sunstar/Admiral Drake (na França).
Isso tem muito a ver com as duas influências morfológicas fundamentais da raça PSI: a árabe (perfeitamente distinguível pela cabeça côncava, de que o esplêndido tordilho e chefe–de–raça Mahmoud é exemplo e paradigma), e a influência berbere (cabeça convexa, correspondente ao modelo Spearmint). No thoroughbred, o estudo das cabeças é bem mais importante do que se imagina...Mas isso é assunto para outro momento e outra oportunidade.
Para efeito desses comentários, o que interessa saber é que há cavalos que nasceram para o ofício de correr, e outros nem tanto, embora todos estejam catalogados como PSI’s. Os primeiros, exibem uma característica básica: a de sempre desejarem o confronto, ao invés de evitá–lo. Numa palavra, eles correspondem ao que os ingleses – que inventaram esta raça três vezes secular – chamam de indivíduos “genuínos e consistentes.” Ser genuíno e consistente é o que de melhor pode acontecer a um cavalo de corridas. E ao seu treinador.
Lidar com esse tipo de animal, porém, implica abandonar o formato usual de treinar. Quando se coloca um desses animais na raia, seja para galopar, trabalhar, “aprontar”, ou correr, a única certeza é que eles vão se empregar de forma praticamente idêntica. No jargão do turfe, vão sempre procurar o bridão e “fazer força.” A melhor forma de destruí–los é ingenuamente supor que eles conseguem diferenciar o que é treino, do que é corrida. Não conseguem. No caso, o mínimo que acontece é “passá–los” da forma; ou pior, submetê–los ao risco de lesões, algumas irrecuperáveis. Treinador que não sabe exatamente que tipo de animal tem nas mãos – e os trata, a todos, da mesma forma – não merece o título que ostenta.
Se outro motivo não houvesse para tratar desigualmente os desiguais, bastaria perceber que o esforço de trabalhar forte, ou correr, é praticamente o mesmo. Ao final de um severo exercício contra o relógio, o animal de competição vai apresentar as mesmas micro–fissuras que só cicatrizarão totalmente depois de três semanas de intervalo. Assim, fazer correr um cavalo genuíno e consistente depois de um esforço dessa magnitude (a rigor, sem sentido), equivale a apresentá–lo duas vezes no intervalo de 21 dias – um excesso, sob qualquer ponto de vista. Ademais de um risco.
Ao contrário, há exemplos de continência e sobriedade fornecidos por grandes mestres de seu ofício: Royer–Dupré fez Zarkava apenas galopar suavemente, quase um cânter, antes do GP Arco do Triunfo de 2008, para estupefação da crônica especializada. Por óbvio, ela não precisava demonstrar mais nada, após sua vitória histórica no Vermeille. Estava pronta para ganhar o Arco. E ganhou.
O’Brien confessa que nunca fez Sadler’s Wells trabalhar forte. Muito menos, “aprontar.” Sua conhecida coragem, generosidade, endurance e “will to win” – o que o turfe mundial conhece hoje como “a alma de Sadler’s Wells” – sempre se manteve intacta e preservada durante toda a campanha, mesmo quando ele não tinha a distância clássica, como ocorreu no Derby francês (segundo para Darshaan). Não seria a eventual rudeza do trabalho que o faria vencer naquela ocasião, e O’Brien sabia disso.
Boutin galopou Northern Trick sem a menor e mais remota preocupação com o relógio, dez dias antes do mesmo Arco do Triunfo, reconhecendo que o adversário a ser batido era Sagace. “É só isso?”, perguntaram. “É. Não vou exigir que ela me mostre, em trabalho, do que é capaz. Eu e ela já sabemos disso.” Northern Trick perdeu o Arco para Sagace, um cavalo melhor que ela naquele dia (sem mencionar que Cash Asmussen, seu jóquei, perdeu o chicote a 200 metros do disco).
De todas as teses sobre a derrota do invicto Nijinsky no Arco de 1970, a mais plausível parece ser a de que ele deixou na pista de Doncaster, quando de sua vitória no Saint Leger, a meia cabeça que o separou de Sassafrás, em Longchamps. Tinha sido demais para ele, manter–se invicto, competindo e viajando, do início de seus dois anos, ao primeiro domingo de outubro dos três. Cavalo não é máquina. Mesmo se fosse – e Tesio ensina – há sempre um limite para a resistência dos materiais de que é constituído.
Aonde nos levam tais considerações? Simples. Cavalos nascidos para correr, aqueles que exibem as virtudes morais da raça, precisam menos de trabalhos e de “aprontos” suicidas, que a média dos indivíduos de sua espécie. Ganhando ou perdendo, eles sabem exatamente – e melhor que nós – o que se espera deles quando usam um selim de corrida.
Cavalos, treinamento e medicação
Cavalo são, bem alimentado e bem treinado não precisa de remédio para ganhar corrida. Quem precisa de remédio é cavalo doente, com problema, ou ruim. Ainda assim, fora da semana da disputa, como dispõem os códigos de corrida do mundo. Qualquer outra coisa além disso, é querer navegar nas águas perigosas da dúvida e flertar com o equívoco.
Novamente, porém, há enormes diferenças culturais entre os turfes da Europa e dos EUA.
Na Europa, como se sabe, é proibido medicar para correr. Nos EUA não é. O conceito americano é que determinados tipos de remédio – vide os diuréticos e analgésicos – “protegem a integridade física do animal no momento da disputa.” Esta é uma velha rixa entre os europeus e seus seguidores, de um lado, e os americanos, do outro. Até hoje, estes últimos se recusam a assinar o protocolo da Federação Internacional das Autoridades Hípicas (FIAH), cujo artigo 6° regulamenta a matéria.
Do ponto de vista da criação e do desenvolvimento do thoroughbred, o entendimento europeu faz todo sentido. Animais que são encaminhados à reprodução, precisam, antes de qualquer outra consideração, demonstrar que seu desempenho nas pistas foi conseguido graças às suas virtudes como atletas; e não em função das mágicas e sortilégios da química farmacológica – o que serviria apenas para nos enganar, e ao mercado em particular.
Em alguns países, como na Alemanha, por exemplo, cavalos sabidamente medicados em campanha não ingressam na reprodução. Nenhum criador alemão que se preze se arriscaria a usá–los. Talvez por isso mesmo, é que a criação alemã seja hoje uma das mais procuradas pelo turfe moderno. Quem hoje compra os Monsuns, Acatenangos, Lomitas, Surumus, etc., a peso de ouro, tem pelo menos uma certeza: seu turf–record é autêntico e confiável, correspondendo exatamente aos méritos do indivíduo. E o estoque genético assim formado – ancorado sobre perfeição física, durabilidade e organismo limpo – tem feito história nos hipódromos do turfe mundial.
O tema da ausência de qualquer medicação durante a campanha vem se tornando de tal forma importante, que já começam a aparecer anúncios de reprodutores (principalmente os europeus) em revistas especializadas e sites da INTERNET com a informação suplementar: “Nunca foi medicado para correr.” No dia em que isso se tornar uma constante e começar a sensibilizar o mercado de compra e venda de coberturas – e é para lá que caminhamos –, os americanos, com sua proverbial objetividade e inegável senso prático, acabam com a permissão dos Lasix’s e fenil–butazonas em meia hora...
Tais considerações remetem ao papel dos médicos–veterinários na indústria do puro–sangue. Em qualquer país desenvolvido, treinador não medica cavalo: chama o veterinário, entrega–lhe o paciente, descreve o problema, e aguarda o diagnóstico e a prescrição medicamentosa. Tudo funciona como o velho ditado do “cada macaco em seu galho.” E nenhum veterinário consciente prescreve nada “de boca” – não são loucos. Todos seguem à risca o preceito do “Não fale, escreva!”
Mesmo porque correm o risco de perder a licença para clinicar, no caso de tudo dar errado. Com o detalhe de que, em caso de “doping”, vão todos – treinador e veterinário – parar na polícia. Se for preciso inquérito para apurar responsabilidades, quem os realiza é a autoridade policial. O papel dos jockeys clubes é um só: desclassificar o animal medicado para último, suspender e multar o treinador.
Nosso código prevê o mesmo, embora raramente as sociedades promotoras de corridas encaminhem à autoridade policial – como está previsto – os casos comprovados de dopagem.
E o papel dos proprietários em tudo isso? Muito simples. Caso não se conformem, ou se sintam lesados, podem sempre discutir seus direitos na justiça comum. Vários já fizeram isso na Europa e nos EUA. A maioria perdeu as demandas.
Treinador que faz da química seu ponto de força, e baseia sucesso e prestígio nisso, de duas, uma: ou acredita pouco em sua competência como profissional do ofício, ou está mal informado a respeito dos graves efeitos colaterais de qualquer medicação. Mas há sempre gente desinformada, aqui e alhures. Então, nada a fazer, senão constatar a medicação proibida, e agir conforme, punindo, sem contemplação, os desvios de conduta. A imagem do turfe, o público, e os apostadores agradecem.
Dom ou competência?
Genialidade é algo feito de cinco por cento de inspiração e noventa e cinco de transpiração. A afirmação é conhecida. Isso vale para o treinamento do cavalo de corridas.
É evidente que existem os “homens do cavalo”, e os outros homens. Como é evidente que a capacidade de observar e interpretar corretamente o animal é diferente para cada ser humano. Mas isso só, não basta para distinguir quem treina bem, de quem não treina, ou treina mal.
Como Tesio nos informa, há outras virtudes tão importantes quanto o dom natural de conhecer cavalos de corrida. É essas virtudes são as da disciplina e do esforço pessoal para tentar entender um pouco mais sobre suas origens, linhagens, perfil funcional, modelos e, sobretudo, de sua atitude para a competição.
É o conjunto equilibrado dessas virtudes, que separa os grandes treinadores, do comum dos mortais da profissão. |

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