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Maio | 2009
Antigos Criadores X, por Milton Lodi 14/05/2009 - 10h57min
Sebastião Ferreira foi
um turfista carioca, que ia habitualmente às corridas no Hipódromo da Gávea, era um
proprietário entusiasta com uma ótima rede de amigos.
Quando o Jockey Club de São
Paulo implantou em Campinas o seu espetacular e modelar Posto de Fomento, o Posto de Monta,
vendeu a cerca de doze criadores áreas contíguas para que nelas obrigatòriamente fossem
instalados haras particulares. Foi um sucesso, pois para lá foram dentre outros Edmundo Pires
de Oliveira Dias (Haras Morro Grande), Antonio Alves de Moraes (Haras São Miguel Arcanjo),
Mario Nunes Galvão (Haras Maringá), Jorge Wallace Simonsen (Haras São Silvestre), que depois
foi substituído por Nagi Nahas (Haras Inshalla), Antonio Luiz Ferraz (Haras São Bento, depois
substituído por Marcos e José Luiz Polacow–Haras Expert), Paulo Barreto Sá Pinto (Haras
Paulistano), Restom Lahud (Haras Brasil), Ricardo Lara Vidigal (Haras Malurica, uma seção), e
Sebastião Ferreira com o seu Haras Tibagí. Sebastião sempre foi muito amigo do extraordinário
arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou uma ótima e agradável sede. Sebastião fez uma pista
para iniciação dos seus potros, contava com o apoio técnico do brilhante veterinário José
Luiz Pinto Moreira. Sempre residindo no Rio de Janeiro, mas não gostando de viajar de avião,
Sebastião ia de automóvel semanalmente ao Haras, onde ficava por dois dias após mais de 500
km para ir e outro tanto para voltar. Criou animais da primeira turma, venceu provas hoje
consideradas de Grupo, brilho em Cidade Jardim e na Gávea. Por algum tempo também contou com
as luzes do médico Reynato Sodré Borges, apaixonado pela criação e principalmente pelas
corridas. O nome Tibagí era o de um dos primeiros corredores de Sebastião, e era a paixão
dele a grande responsável pelo grande sucesso como criador e proprietário. Após muitos anos
de merecidos sucessos, Sebastião Ferreira entendeu de parar. Vendeu o seu Haras Tibagí para o
empresário paulista Olinto Marque de Paulo.
O Dr. Olinto investiu muito, comprava
éguas de qualidade e potros promissores dos melhores Haras, principalmente dos radicados em
Bagé, RS. Ele manteve bem no alto o nome Tibagí. Ele havia começado a criar cavalos da
raça mangalarga paulista, chegou a ser o número um. Eu conheci os cavalos por ele criados,
eram lindos, o lote de éguas reporodutoras uma beleza, e o seu nome na área dos mangalargas
era por todos conhecido. Ele surgiu brilhando após época áurea de José Oswaldo Junqueira, o
famoso criador dos mangalargas em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo. Um dia ele
deu de presente todos os seus mangalargas, e concentrou–se no puro cavalo de corridas.
Importações preciosas, mas em quantidade adequada à área disponível do Haras, deram impulso à
criação. O Dr. Olinto pagava caro, mas levava o bom.
O Tibagí foi sucesso com
Sebastião Ferreira, e com Olinto Marques de Paulo.
A morte do Dr. Olinto e o
esfacelamento do Posto de Monta, com a venda feita pelo Jockey Club de São Paulo a um
empresário paulista do ramo de Bancos, interrompeu, tudo indica que em definitivo, uma
trajetória brilhante, a do Tibagí.
Sebastião Ferreira trouxe da Europa garanhões de
bom padrão, não de altíssimo nível internacional, Caldarello e Vasco de Gama, mas de boa
categoria, as suas éguas eram bem escolhidas, mas o que evidentemente preponderava era à
força da criação, produtos bem criados, saudáveis, fisicamente bons, e o que mais importa,
corredores e ganhadores clássicos.
Já o estilo de Olinto Marques de Paulo era outro,
pagava caro nas melhores procedências.
Tanto Sebastião Ferreira quanto Olinto Marques
de Paulo criavam bàsicamente para correr, eventuais vendas não eram prioritárias, queriam que
os seus animais corressem e ganhassem com as suas cores, suas blusas.
O Tibagí deixou
nome importante no turfe brasileiro. |

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