Quando Simon Bolívar e o General San Martin, aproveitando–se da loucura de
Napoleão, enfrentaram batalhas sangrentas para libertar diversos países sul–americanos do jugo espanhol, teve
início a primeira integração desta parte do planeta.
Ainda por causa do francês maluco, a família real
portuguesa veio para o Brasil e Dom Pedro I acabou libertando o Brasil de Portugal. De certa forma, foi o primeiro
Mercosul da História. No turfe, esta integração levou muito mais tempo para acontecer e, apenas em 1979, os
dirigentes tomaram a decisão de criar a Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs, durante a realização do GP
que marcava a reabertura do Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires.
Dois anos depois, foi instituída
uma prova, com dotação milionária, a fim de reunir o que havia de melhor em termos de corredores. Na verdade,
foram carreiras inesquecíveis, mas o glamour da competição já não vem encantando tanto assim. Vamos conhecer um
pouco da história do GP Latino (GP Asociación Latinoamericana de Jockey Clubs, Gr.I), sem dúvida, a grande atração
da semana.
A criação da entidade maior da América do Sul
Sábado, 8 de
dezembro de 1979. A festa de reabertura do Hipódromo de San Isidro reuniu os principais dirigentes do turfe
sul–americano. No encontro, verificou–se a necessidade da criação de uma entidade que servisse, fundamentalmente,
à troca de informações. As necessidades de cada clube, em maior ou menor escala, era o assunto predominante.
Então, do consenso, surgiu a iniciativa da criação da Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs. Como objetivo
principal, a união do turfe no continente.
Os primeiros dirigentes
Dois meses
após a fundação da entidade, foi eleito presidente Alfredo de Castro Pérez, presidente do Jockey Club de
Montevidéu. Em suas primeiras palavras, afirmou que a Associação tinha como meta prioritária a unidade efetiva,
sólida e transcendente, não apenas nas áreas técnicas, mas também no que se referisse aos aspectos políticos,
sociais e econômicos. O arquiteto Roberto Vasquéz Manstilla, presidente do Jockey Club de Buenos Aires, assim como
Julian Abdala e Hernani Azevedo Silva, presidentes dos Jockeys Clubs da Venezuela e São Paulo, foram eleitos
vice–presidentes.
O primeiro GP Latino, dois anos depois
Na mesma reunião em
que foram eleitos os primeiros dirigentes da entidade, foi instituído o primeiro GP Associação Latino–Americana de
Jockeys Clubs. E, também, foi concedida ao Uruguai a honra de sediar a primeira edição da mais importante prova do
turfe continental. A data marcada para o primeiro Latino foi 1° de março de 1981. Ficou também decidido que a
realização do evento seria alternada entre os países participantes.
Os melhores cavalos e um dia
inesquecível
Sem dúvida alguma, foi um dos dias mais memoráveis da história do turfe
sul–americano. O Hipódromo de Maroñas recebia um público fantástico e, na raia, os melhores corredores. Os
argentinos Regidor e Mountdrago, que decidiram o GP Carlos Pellegrini no photochart, eram os favoritos. Outro
argentino, Sunup, havia vencido em janeiro o GP José Pedro Ramirez, a maior carreira do turfe uruguaio, e o
brasileiro Dark Brown, que ganhara os GPs Derby Paulista e São Paulo, havia chegado em terceiro no Pellegrini,
para Regidor. O tordilho Ventaneiro também representava nosso país. No campo, ainda, o super craque venezuelano
Guadamil, já com 9 anos, detentor de uma incrível soma em prêmios ganhos.
A prova sensacional e
a vitória brasileira
O páreo foi espetacular, com nuances que empolgaram a multidão presente a
Maroñas. Várias foram as alternativas, mas, no meio da reta final, Mountdrago livrara boa vantagem e parecia o
vencedor, quando, em atropeladas fulminantes, Dark Brown e Lotus passaram pelo ponteiro e decidiram a prova, com
vantagem de um quarto de corpo para o defensor do Haras Rosa do Sul. Logo após o disco, o piloto Walter Báez
soltou uma das rédeas e cumprimentou Antônio Bolino, num gesto aplaudido por todo o público.
A
supremacia brasileira ao longo dos anos
No ano seguinte, em 1982, a prova foi disputada no
Hipódromo de San Isidro, na Argentina, e mais uma vez um cavalo brasileiro levou a melhor. Prevaleceu o craque
Duplex, derrotando os argentinos New Dandy e Especulante. Em 1983, Cidade Jardim foi a sede da competição e houve
o tricampeonato brasileiro, com a vitória do alazão Derek sobre a chilena Salinidad. Em terceiro lugar finalizou
Kenético. Nestes 21 anos de disputa (não foi realizado de 2000 a 2003), ocorreram oito vitórias brasileiras, cinco
peruanas, cinco chilenas e três argentinas. Além dos três primeiros êxitos, o Brasil teve como ganhadores Old
Master (1985 – Gávea); Falcon Jet (1991 – Cidade Jardim); Much Better (1994 – La Plata); Much Better (1996 –
Gávea) e Jimwaki (1998 – San Isidro). O último ganhador foi o argentino Don Icauto, em San
Isidro.
De volta a Maroñas e sem brasileiros
Vinte cinco anos depois da
realização do primeiro GP Latino, o Hipódromo de Maroñas volta a sediar a prova. A bolsa, atraente, de US$ 150 mil
(US$ 90 mil ao ganhador) garantiu a presença de excelentes corredores, entre os quais Storm Mayor, ganhador do GP
Carlos Pellegrini de 2005. As dificuldades envolvendo o traslado do Rio e de São Paulo para Montevidéu, acabaram
por deixar de fora os cavalos brasileiros. Na realidade, entretanto, o Brasil contará com uma representante, que,
no entanto, é mais uruguaia do que nossa. Nécessaire, de criação do Haras Santa Maria de Araras, tem excepcional
campanha em pistas uruguaias e correrá defendendo o país sede. É mais ou menos como o jogador de futebol Kurany,
que nasceu em Petrópolis, porém, joga pela seleção alemã.
A lista completa dos
ganhadores
1981 Maroñas – 1° Dark Brown
(Brasil) – 2° Lotus (Uruguai)
1982 San Isidro – 1°
Duplex (Brasil) – 2° New Dandy (Argentina)
1983 Cidade Jardim
– 1° Derek (Brasil) – 2° Salinidad (Chile)
1984 Hipódromo
Chile – 1° High Master (Chile) – 2° Momento (Chile)
1985 Gávea
– 1° Old Master (Brasil) – 2° Mendelson (Chile)
1986 La
Rinconada – 1° Lutz (Peru) – 2° Secuencia (Chile)
1987 Monterrico
– 1° Galeno (Peru) – 2° Negrito (Peru)
1988 Club Hípico
– 1° Dorticós (Chile) – 2° Misilero (Peru)
1989 La Plata
– 1° Savage Toss (Argentina) – 2° Octante
(Argentina)
1990 Hipódromo Chile – 1° Edipo Rey (Chile) –
2° El Duce (Peru)
1991 Cidade Jardim – 1° Falcon Jet (Brasil)
– 2° Flying Finn (Brasil)
1992 San Isidro – 1° Potrillón
(Argentina) – 2° Dilatado (Chile)
1993 Monterrico – 1° Stash
(Peru) – 2° Cayumanque (Chile)
1994 La Plata – 1° Much Better
(Brasil) – 2° Enfático (Chile)
1995 Club Hípico – 1° Patio de
Naranjos (Chile) – 2° El Sembrador (Argentina)
1996 Gávea –
1° Much Better (Brasil) – 2° Gran Ducato (Chile)
1997 Hipódromo
Chile – 1° Prepo (Chile) – 2° Alpino Fitz
(Argentina)
1998 San Isidro – 1° Jimwaki (Brasil) – 2° Sidón
(Chile)
1999 Monterrico – 1° Madame Equis (Peru) – 2° Sandra
(Peru)
2004 Hipódromo Chile – 1° Comando Intimo (Peru) –
2° Reizinho (Brasil)
2005 San Isidro – 1° Don Incauto
(Argentina) – 2° Cefalú (Chile)
por Marco Aurélio
Ribeiro
fontes: site Maroñas Entertainment – Marcelo Silva
Larregui, uruguaio, analista econômico e turfista