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Novembro | 2008
Para onde caminha o Turfe Internacional 17/11/2008 - 20h24min
Relatório relativo à 42ª Conferência Internacional das Autoridades Hípicas, acontecida em
Paris, no dia 6 de outubro deste ano:
O que é a FIAHCG
A Federation Internacionale des Autorités Hippiques de Courses au Galop (FIAHCG),
sediada em Paris, França, é uma associação sem fins lucrativos regida pela lei francesa de 1º
de julho de 1901.
Anualmente, com início na primeira semana de outubro, o
Conselho Executivo da FIAHCG realiza uma conferência internacional – hoje com a participação
de 68 (sessenta e oito) países, distribuídos entre membros efetivos e membros honorários;
representantes de organizações nacionais e regionais; profissionais da atividade e cobertura
da imprensa especializada – destinada a debater os múltiplos aspectos do turfe e da indústria
do cavalo puro-sangue inglês de corrida em todo o mundo.
Releva notar que
o Brasil está entre os poucos países que contam com dois representantes junto à Federação
Internacional (ao lado do Japão, Irlanda e EUA). Todos os demais membros efetivos, inclusive
a própria França, têm direito a apenas um. A posição brasileira é em grande parte decorrência
do trabalho desenvolvido ao longo de anos pelo JCB, então presidido pelo Sr. Francisco
Eduardo de Paula Machado.
Hoje, o país é representado na FIAHCG pelo
Jockey Club Brasileiro e o Jockey Clube de São Paulo.
Programa
O encontro dividiu-se em três partes: (i) abertura do conclave na noite do
sábado anterior à realização do Prix de l’Arc du Triomphe, com um jantar oferecido aos
delegados pelo presidente da France Galop (entidade coordenadora das corridas de cavalo na
França), Sr. Edouard de Rothschild; (ii) almoço em Longchamp e convite para assistir as
corridas no domingo, dia 5 de outubro; (iii) realização da conferência, na segunda-feira, dia
6 de outubro, em tempo integral, seguida de um jantar de encerramento.
Este relatório irá se deter somente nos eventos da conferência propriamente dita.
Parece razoável, entretanto, mencionar dois aspectos do discurso pronunciado
no jantar do sábado pelo presidente da France Galop, onde foi informada a nova formatação do
Prix de l’Arc du Triomphe, ademais de alguns aspectos ligados à evolução do jogo de apostas
na França. Como se segue:
. A partir deste ano de 2008, e até 2012, o Prix
de l’Arc du Triomphe, bem assim as provas de Grupo I realizadas naquele final de semana,
passam a contar com o apoio financeiro do Emirado do Qatar, através da alocação de uma bolsa
total de 6.8 milhões de euros (cerca de US$ 9,180,000.00 ao câmbio de hoje), sendo 4 milhões
de euros (US$ 6,400,000.00) destinados especificamente à prova principal do domingo. A
empresa francesa Total (indústria petrolífera) também faz parte do consórcio que patrocina as
corridas da semana do Prix de l’Arc. Desta forma, a principal prova turfística da França nos
próximos 5 anos passará, por contrato, a se chamar Qatar Prix de l’Arc du Triomphe,
oferecendo um dos maiores prêmios do mundo ao proprietário do animal vencedor.
. Em seu discurso de boas vindas aos representantes e autoridades da Federação
Internacional, o Sr. Edouard de Rothschild aproveitou a ocasião para mencionar a grande
preocupação da entidade que dirige, em vista da projetada abertura pelo governo francês do
jogo de apostas on-line, envolvendo outras modalidades que não apenas o turfe. Nesse sentido
– embora reconhecendo ser impossível opor-se ao advento das apostas via INTERNET –, apelou às
autoridades do país para que, na elaboração do projeto de lei que irá disciplinar a matéria,
seja permitido ao turfe local concorrer em igualdade de condições com os demais agentes
públicos e privados arrecadadores de apostas, usando para isso da estrutura pré-existente do
jogo em corridas de cavalo.
O principal argumento do presidente da France
Galop leva em conta, não só o tamanho econômico da atividade, mas, sobretudo, os 60.000
empregos que ela gera direta e indiretamente no mercado francês de trabalho.
Temas, conclusões e recomendações da reunião plenária
Como informado
anteriormente, na segunda-feira, dia 6 de outubro, na sede da France Galop, em Boulognes,
realizou-se a reunião plenária da conferência, desenvolvida das 09:00 hs às 17:00 hs, com
intervalo para almoço. Nela, foram abordados vários temas, cobrindo praticamente todos os
aspectos do turfe internacional, seguidos de debates e recomendações.
A
seguir, resumimos cada um desses temas, com os comentários que nos parecem pertinentes, vis a
vis a posição e os interesses do Jockey Club Brasileiro.
1. Sessão
regulatória (de 09:45 hs às 10:45 hs)
Nesta primeira sessão, foram
expostos e debatidos os seguintes assuntos: (a) proposta de revisão do artigo 6º do
Regulamento Geral, que disciplina a medicação dos animais em corrida; (b) inclusão no artigo
10º, de cláusula estabelecendo reciprocidade na aplicação de sanções entre os vários países
signatários dos acordos de Paris; (c) padronização da interpretação das regras de
interferência entre os vários códigos de corrida, relativamente aos incidentes de percurso,
bem assim recomendação quanto à forma de constituição e treinamento das comissões de
corridas; (d) necessidade de prover cursos de treinamento ligados à equitação em alta
velocidade, além de propiciar o conhecimento das regras básicas do esporte (códigos de
corrida), com relação aos candidatos a jóquei (leia-se, aprendizes).
Decisões – Após os debates, o plenário decidiu: (i) recomendar às instituições
responsáveis pela direção das atividades turfísticas em cada país, o estabelecimento de
limites de tolerância no que respeita à constatação de medicação após a corrida; (ii)
estabelecer que o conceito por trás da padronização das regras de interferência deve ser o de
“punir o que não se pode explicar.” Ou seja, não havendo um motivo superveniente que tenha
originado o incidente de raia, a sanção se impõe, em nome dos princípios da garantia de
segurança aos participantes da disputa (jóqueis e animais), e da absoluta necessidade de
preservar sua lisura; (iii) sobre a questão da formação e treinamento dos jóqueis, a
recomendação é de que os aprendizes só sejam habilitados a conduzir animais em competição,
após terem sido aprovados em 3 (três) tipos de teste: de raia, de esforço físico, e de
conhecimento dos dispositivos dos códigos de corridas. Tais testes servirão para avaliar sua
capacidade – técnica, física, e intelectual – para o exercício da profissão sem colocar em
risco a integridade física dos colegas de ofício e a sanidade dos animais; (iv) quanto à
orientação para unificar e dar consistência aos critérios de julgamento das comissões de
corridas, a recomendação formal da assembléia é a de que sejam promovidos debates periódicos
entre seus membros (stewards), eventualmente ilustrados pela projeção de filmes das
carreiras, de modo a prevenir a adoção de interpretações e decisões conflitantes sobre fatos
idênticos em sua natureza e conteúdo.
As palestras foram proferidas,
respectivamente, pelos senhores Louis Romanet, Chairman da IFHA; Roland Devolz, Consultor
Técnico da IFHA; Rob de Kock, CEO da NHRA, África do Sul; e o Dr. Giles Warrington, PhD em
Fisiologia Esportiva e do Exercício, da Universidade de Dublin, Irlanda do Sul.
Comentários – Em termos gerais, o Jockey Clube Brasileiro já adota a maioria dos
procedimentos recomendados pela Federação Internacional.
Exceções são, em
princípio: a necessidade de ter-se que estabelecer juízo de valor antes da desclassificação
de um animal, como determina o Código Nacional de Corridas (CNC) – o que não ocorre no turfe
do hemisfério norte, onde a correlação entre prejuízo de raia e desclassificação é imediata;
e o perfeito conhecimento do CNC por parte dos aprendizes.
Sobre estes
dois tópicos, entretanto, melhor dirá a comissão de corridas do Jockey Clube Brasileiro.
2. Sessão sobre aspectos técnicos (de 11:15 às 12:15 hs)
A
segunda sessão, coordenada pelo Sr. Louis Romanet, Chairman da IFHA, foi dedicada às questões
técnicas como sejam: (a) aspectos da criação e das corridas de cavalo na Nova Zelândia, um
dos países onde o turfe mais cresce atualmente; (b) problemas do turfe nos pequenos países e
o papel da IFHA, aí mencionados em particular a Suíça, e as novas nações do leste europeu,
onde o esporte começa a ganhar projeção; (c) a importância da existência de um “operador
internacional de dados”, via INTERNET, para divulgação em real time de informações completas
sobre os animais, com vistas à ampliação do volume de apostas; e (d) resumo estatístico e
comentários sobre a evolução do jogo de apostas em todo o mundo durante o ano de 2007.
As palestras desta seção foram proferidas pelos senhores Guy Sargent,
Chairman da New Zealand Thoroughbred Racing (NZTR); Bjorn Eklund, Chairman da European Racing
Development Conference (ERDC); James Singer, Marketing Director da empresa inglesa At The
Races; e Maurits Bruggink, Diretor Executivo da IFHA.
Comentários – A
apresentação do representante da Nova Zelândia sobre o desenvolvimento do turfe em seu país –
hoje a criação do cavalo de corridas na Nova Zelândia é quase 50% maior que no Brasil – foi
um dos destaques desta sessão. De forma simples e didática, o Sr. Sargent apresentou um filme
de 15 minutos sobre os aspectos gerais da economia do país; a localização geográfica dos
vários hipódromos; o ambiente geral das corridas; o desenrolar das principais provas; cenas
dos leilões anuais de potros; terminando com os gráficos do crescimento (exponencial) das
apostas e dos prêmios distribuídos. Terminou aplaudido pelos presentes. Nada impede que, no
futuro, o Brasil faça o mesmo – ou seja, produza um filme de 15 minutos sobre a indústria do
cavalo de corridas entre nós, e melhor divulgue seu turfe junto aos representantes da
Federação Internacional e o público em geral.
Outro destaque, foi a
palestra do representante da At The Races, a firma inglesa que divulga, durante 24 horas,
todas as informações, via INTERNET, sobre corridas de cavalo na Grã-Bretanha e na Europa. De
sua exposição, resta muita clara a necessidade do público contar com dados atualizados em
real time sobre as chances de cada animal do programa, não se limitando à simples enunciação
de seu retrospecto. O conceito por trás do sucesso da empresa em atrair volume de jogo é,
numa palavra, a massificação da informação ao apostador, resumido no moto “tudo que você
precisa saber sobre cada animal do programa.” Nesse “tudo”, se incluem, além da análise do
retrospecto, fotos e vídeos do animal em ação, os últimos trabalhos de raia, a opinião de
jóqueis e responsáveis, detalhes de suas últimas performances, e, até mesmo, a divulgação de
eventos ocorridos minutos antes da largada.
A At The Races vem, aos
poucos, substituindo, na Inglaterra e na Europa, a mídia impressa dedicada ao jogo em
corridas de cavalo, já sendo um dos sites mais freqüentados pelo público interessado no
assunto. Além do que, a nova modalidade de transmissão de informações, via INTERNET, é hoje o
principal instrumento de alavancagem de apostas do simulcasting internacional.
Finalmente, no painel sobre as estatísticas anuais de volume de jogo, o Brasil,
Argentina, e a América do Sul, como um todo, aparecem com números relativamente baixos;
dir-se-ia inexpressivos, em relação à média dos países desenvolvidos do hemisfério norte; na
verdade, quase irrelevantes, se considerarmos à média de jogo verificada nos países
asiáticos e da Oceania.
Observação: em relação ao Brasil, permitimo-nos
ponderar que os números apresentados não levavam em conta, nem a taxa média de câmbio do ano
de 2007, nem o agregado de alguns hipódromos do interior do país, onde sabidamente existe
jogo em corridas de cavalo. A sugestão para este ano de 2008, é a de fornecer à Federação
Internacional números mais atualizados sobre o volume de jogo entre nós, baseados na taxa
média de câmbio do período.
3. Sessão “Corridas de cavalo como negócio”
(de 13:30 às 14:50 hs)
Após a projeção do filme do “Prix de l’Arc du
Triomphe 2008” com a tomada de ângulos privativa da comissão de corridas francesa (cerca de
10 ângulos diferentes), a conferência prosseguiu com os seguintes painéis: (a) segurança das
corridas – o desenvolvimento dos pisos artificiais e as experiências norte-americana e
inglesa; (b) a questão da imagem pública das corridas nos USA.
Realizaram
as palestras, os senhores Jamie Martin, CEO da Woodbine Entertainment Group; Ian Renton,
Director da Arena Leisure, USA; Alan Marzelli, Presidente & CEO do The US Jockey Club; e
William A. Nader, Executive Director, Racings, do The Hong Kong Jockey Club.
Comentários – São dois, segundo os apresentadores, os grandes pilares técnicos de um
turfe realmente moderno, nesta ordem: (1) segurança das pistas; (2) proteção da imagem
pública do esporte, o que significa: regras claras de conduta; abordagem totalmente
profissional da atividade; e tolerância zero com qualquer desvio de conduta por parte de seus
praticantes. E a conclusão: sem esses dois pressupostos em mente, é impossível cogitar de
aumentos expressivos do jogo de apostas.
Por outro lado, a adoção das
pistas artificiais nos EUA (mistura de grãos de borracha, cera, chips de madeira e argila)
tende a se ampliar, igualmente por duas razões: na grande maioria dos hipódromos americanos,
as cocheiras fazem parte integrante do conjunto das instalações, fato que obriga os animais a
treinar e correr usando sempre o mesmo piso; o custo de manutenção das pistas naturais de
grama e areia, principalmente a primeira delas, é considerado excessivamente alto, tendo se
tornado incompatível com a economia da atividade. Além disso, inexistem nos EUA centros de
treinamento amplos o suficiente, como é o caso de Chantilly (com seus 120 quilômetros de
pistas em meio à floresta) e Newmarket, ambos construídos com recursos dos respectivos
estados nacionais na alvorada do turfe.
Assim, o caminho natural de
desenvolvimento do esporte, passa hoje em dia pela progressiva ampliação das pistas
artificiais.
No que tange à segurança, os números americanos são
significativos: considerada apenas a areia (ou dirt), de cada 1.000 animais em treinamento,
dez deles (0,1%) sofrem acidentes em função de irregularidades do terreno.
Mas é no Japão, graças à extrema perfeição de suas raias, sejam de corrida, sejam de
treinamento, que os números impressionam: de cada 1.000 animais em atividade, apenas dois se
lesionam e podem culpar as pistas por isso.
Entende-se o extremo cuidado
dedicado às raias nos turfes desenvolvidos, sejam elas naturais, sejam artificiais. Além de
todos os aspectos mencionados anteriormente, acidentes com cavalos de alta performance e,
portanto, de grande valor econômico, causados por problemas das pistas, podem resultar em
ações cíveis milionárias, não só contra os hipódromos, mas também contra as pessoas que os
dirigem. O conceito, no caso, é o de que a culpa pela eventual perda ou incapacitação do
animal, em treinamento, ou em corrida, recai objetivamente sobre “quem tem o dever de
cuidado” e eventualmente não o exerce.
4. Sessão sobre marketing e
promoção do turfe (de 15:20 às 16:30 hs)
A quarta sessão foi dedicada aos
aspectos de divulgação, marketing, e patrocínio das corridas. Os conferencistas abordaram os
seguintes temas: (i) promoção do turfe em pequenos países, onde o mercado ainda não se
desenvolveu inteiramente, caso da Suíça e outras nações do leste europeu; (ii) avaliação do
resultado do patrocínio das corridas de cavalos na fixação da imagem de marca e alavancagem
de vendas, de determinados tipos de negócio. Aqui, foi analisado e debatido o case da casa
Thomas Pink, de Londres (hoje uma das indústrias internacionais de vestuário de maior
aceitação na Europa e nos EUA), que patrocinou durante quatro anos as corridas de cavalo na
Inglaterra e Irlanda, principalmente as de saltos sobre obstáculos; (iii) oportunidades de
patrocínio através de programas que atendam a grupos de negócios, e não a um determinado
negócio em particular. Case study da atuação da National Thoroughbred Racing Association
(NTRA), dos EUA.
Participaram como expositores desta sessão: Jean Pierre
Kratzer, Chairman da Swiss Racing Federation; Jonathan Heilbron, Presidente & CEO da Thomas
Pink, Londres (Grupo LVMH); e Alex Waldrop, Director NTRA.
Comentários –
Gostaríamos de tecer algumas considerações sobre os citados painéis.
A
primeira, é a de que o turfe tem representado, pelo menos no hemisfério norte, o ambiente
ideal para divulgação de grifes ligadas ao mundo da moda (masculina e feminina); da indústria
de lazer (companhias aéreas, redes internacionais de hotéis, etc.); e da mídia especializada
nesses assuntos (revistas). No primeiro caso, são inúmeros os exemplos de patrocínio de
grandes provas do calendário clássico, na França e na Inglaterra, que contam com o apoio de
conhecidas casas como Hermès, Louis Vuitton, a cadeia Barrière de hotéis, Emirates Airlines,
Thomas Pink, etc. etc.
O mais importante, porém, é perceber que a imagem
do patrocinador – como salientado no case study da casa Thomas Pink – não pode, de forma
alguma, ser vulnerada por eventuais deficiências no planejamento dos eventos. Por outras
palavras, a estrutura e os serviços dos hipódromos, bem assim a própria organização dos
eventos têm que estar à altura do mesmo enfoque profissional que caracteriza a atuação do
patrocinador no desenvolvimento de seus negócios. Novamente, a questão da preservação e
proteção da imagem.
Assim, por exemplo, o absoluto respeito aos horários
da programação dos páreos é fundamental para produzir uma sequência lógica e agradável da
reunião. Esta é considerada, inclusive, uma condição sine qua para haver patrocínio das
provas e garantia de sua permanência no tempo.
Após ter patrocinado
corridas de cavalo na Inglaterra durante quatro anos, a Thomas Pink informou ao plenário
estar inteiramente satisfeita com os resultados da iniciativa. Em especial, no que respeita à
vinculação de sua imagem às grandes datas do esporte, e ao perfeito entrosamento havido entre
a vice-presidência de marketing do grupo e as autoridades gestoras do turfe inglês.
A segunda consideração refere-se ao patrocínio via grupos de negócios, ou
seja, a reunião de diversos interessados que fazem das corridas de cavalo um instrumento de
defesa de seus interesses comerciais e institucionais. É o caso da NTRA, nos EUA.
Criadores e proprietários americanos usam os serviços profissionais da NTRA
como forma de influenciar decisões dos poderes públicos em favor da bloodstock industry,
reduzir os custos dos leilões de potros, promover o aumento das premiações, etc. etc. Em
contrapartida, patrocinam determinados eventos da atividade. O maior enfoque da NTRA,
entretanto, se dirige ao relacionamento com a mídia do país, visando à defesa permanente da
imagem pública das corridas de cavalo.
A NTRA tem estrutura de empresa
comercial e cobra pelos serviços prestados aos seus associados.
Observações finais e conclusão
Deve ser observado que todos os
painéis da conferência foram apresentados em power point pelos vários profissionais de sua
especialidade, cujos nomes constam desse relatório.
O conjunto completo de
todas as palestras, com os respectivos quadros indicativos, se encontra gravado no pen drive
distribuído ao final do conclave, anexo ao presente (doc.3).
Após os
debates, 3 (três) pontos foram destacados no sumário da conferência:
1. O
turfe internacional, de há muito, deixou de ser encarado apenas como uma atividade de
diversão e lazer. Hoje ele é, em tudo e por tudo, uma poderosa indústria que usa o cavalo de
corridas como instrumento de geração de lucros. Como tal, a continuação de sua existência,
depende da completa profissionalização da atividade. Aliás, isto fica muito claro ao se
constatar que todos os expositores da 42ª Conferência Internacional, sem exceção, são
profissionais remunerados da atividade, nela atuando em tempo integral.
2.
Do ponto de vista, não só da excelência de sua gestão, como também do sucesso em gerar volume
de apostas em níveis superiores à média das demais regiões, o turfe da Ásia (principalmente
Japão e Hong Kong) tem absoluto destaque sobre seus concorrentes. Lá, todo o conceito que
preside a atividade está ancorado na escolha dos chamados “heróis certos” desse esporte – no
caso, os cavalos de corrida. O volume de jogo é considerado pelos japoneses uma conseqüência
direta disso.
3. A terceira conclusão diz respeito à atividade
propriamente dita. Aqui, 3 (três) são os pilares que hoje sustentam a indústria internacional
do puro-sangue: (a) profissionalização da gerência, em todos os níveis; (b) temor reverencial
a tudo que conspire contra a imagem pública da atividade (o que implica prevenir eventuais
desvios de conduta de seus participantes, através da aplicação rigorosa dos mecanismos de
defesa previstos nos códigos de corridas); e (c) preservação da qualidade e segurança dos
equipamentos dos hipódromos (leia-se, instalações físicas adequadas e superior qualidade das
pistas).
São estas, em resumo, as principais conclusões do último encontro
realizado em Paris.
Ao renovar nossos sinceros agradecimentos ao senhor
presidente pela honra da indicação para representar o JCB na conferência em exame,
colocamo-nos à disposição dos interessados, visando esclarecer eventuais dúvidas deste
relatório.
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2008
Atenciosamente,
Sergio A. T. B. de Barcellos
Nota
da Redação: A Associação e este site agradecem a gentil liberação por parte do Presidente do
JCB, Luiz Eduardo da Costa Carvalho, deste relatorio para que aqui ele pudesse ser levado ao
público. |

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