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Novembro | 2008

Para onde caminha o Turfe Internacional
13/11/2008 - 21h45min

Por julgar que o assunto interessa de perto a toda a comunidade turfística, a Associação Carioca dos Proprietários do Cavalo Puro–Sangue Inglês solicitou a devida autorização do ilustríssimo senhor presidente do Jockey Club Brasileiro (JCB), Dr. Luis Eduardo da Costa Carvalho, para publicar no site do Raia Leve o relatório do representante do clube junto à 42ª Conferência Internacional das Autoridades Hípicas, realizada em 6 de outubro de 2008, em Paris, França.

Nesta oportunidade, a Associação e o Raia Leve desejam agradecer ao Dr. Luis Eduardo da Costa Carvalho a extrema generosidade e fidalguia com que recebeu nosso pedido, a par de atestar seu superior interesse na divulgação de temas e eventos que beneficiam o aperfeiçoamento do turfe brasileiro.

A seguir, o citado relatório relativo à 42ª Conferência Internacional das Autoridades Hípicas, acontecida em Paris, no dia 6 de outubro deste ano:

O que é a FIAHCG

A Federation Internacionale des Autorités Hippiques de Courses au Galop (FIAHCG), sediada em Paris, França, é uma associação sem fins lucrativos regida pela lei francesa de 1° de julho de 1901.

Anualmente, com início na primeira semana de outubro, o Conselho Executivo da FIAHCG realiza uma conferência internacional – hoje com a participação de 68 (sessenta e oito) países, distribuídos entre membros efetivos e membros honorários; representantes de organizações nacionais e regionais; profissionais da atividade e cobertura da imprensa especializada – destinada a debater os múltiplos aspectos do turfe e da indústria do cavalo puro–sangue inglês de corrida em todo o mundo.

Releva notar que o Brasil está entre os poucos países que contam com dois representantes junto à Federação Internacional (ao lado do Japão, Irlanda e EUA). Todos os demais membros efetivos, inclusive a própria França, têm direito a apenas um. A posição brasileira é em grande parte decorrência do trabalho desenvolvido ao longo de anos pelo JCB, então presidido pelo Sr. Francisco Eduardo de Paula Machado.

Hoje, o país é representado na FIAHCG pelo Jockey Club Brasileiro e o Jockey Clube de São Paulo.

Programa

O encontro dividiu–se em três partes: (i) abertura do conclave na noite do sábado anterior à realização do Prix de l’Arc du Triomphe, com um jantar oferecido aos delegados pelo presidente da France Galop (entidade coordenadora das corridas de cavalo na França), Sr. Edouard de Rothschild; (ii) almoço em Longchamp e convite para assistir as corridas no domingo, dia 5 de outubro; (iii) realização da conferência, na segunda–feira, dia 6 de outubro, em tempo integral, seguida de um jantar de encerramento.

Este relatório irá se deter somente nos eventos da conferência propriamente dita.

Parece razoável, entretanto, mencionar dois aspectos do discurso pronunciado no jantar do sábado pelo presidente da France Galop, onde foi informada a nova formatação do Prix de l’Arc du Triomphe, ademais de alguns aspectos ligados à evolução do jogo de apostas na França. Como se segue:

. A partir deste ano de 2008, e até 2012, o Prix de l’Arc du Triomphe, bem assim as provas de Grupo I realizadas naquele final de semana, passam a contar com o apoio financeiro do Emirado do Qatar, através da alocação de uma bolsa total de 6.8 milhões de euros (cerca de US$ 9,180,000.00 ao câmbio de hoje), sendo 4 milhões de euros (US$ 6,400,000.00) destinados especificamente à prova principal do domingo. A empresa francesa Total (indústria petrolífera) também faz parte do consórcio que patrocina as corridas da semana do Prix de l’Arc. Desta forma, a principal prova turfística da França nos próximos 5 anos passará, por contrato, a se chamar Qatar Prix de l’Arc du Triomphe,  oferecendo um dos maiores prêmios do mundo ao proprietário do animal vencedor.

. Em seu discurso de boas vindas aos representantes e autoridades da Federação Internacional, o Sr. Edouard de Rothschild aproveitou a ocasião para mencionar a grande preocupação da entidade que dirige, em vista  da projetada abertura pelo governo francês do jogo de apostas on–line, envolvendo outras modalidades que não apenas o turfe. Nesse sentido – embora reconhecendo ser impossível opor–se ao advento das apostas via INTERNET –, apelou às autoridades do país para que, na elaboração do projeto de lei que irá disciplinar a matéria, seja permitido ao turfe local concorrer em igualdade de condições com os demais agentes públicos e privados arrecadadores de apostas, usando para isso da estrutura pré–existente do jogo em corridas de cavalo.

O principal argumento do presidente da France Galop leva em conta, não só o tamanho econômico da atividade, mas, sobretudo, os 60.000 empregos que ela gera direta e indiretamente no mercado francês de trabalho.

Temas, conclusões e recomendações da reunião plenária

Como informado anteriormente, na segunda–feira, dia 6 de outubro, na sede da France Galop, em Boulognes, realizou–se a reunião plenária da conferência, desenvolvida das 09:00 hs às 17:00 hs, com intervalo para almoço. Nela, foram abordados vários temas, cobrindo praticamente todos os aspectos do turfe internacional, seguidos de debates e recomendações.

A seguir, resumimos cada um desses temas, com os comentários que nos parecem pertinentes, vis a vis a posição e os interesses do Jockey Club Brasileiro.

1. Sessão regulatória (de 09:45 hs às 10:45 hs)

Nesta primeira sessão, foram expostos e debatidos os seguintes assuntos: (a) proposta de revisão do artigo 6° do Regulamento Geral, que disciplina a medicação dos animais em corrida; (b) inclusão no artigo 10°, de cláusula estabelecendo reciprocidade na aplicação de sanções entre os vários países signatários dos acordos de Paris; (c) padronização da interpretação das regras de interferência entre os vários códigos de corrida, relativamente aos incidentes de percurso, bem assim recomendação quanto à forma de constituição e treinamento das comissões de corridas; (d) necessidade de prover cursos de treinamento ligados à equitação em alta velocidade, além de propiciar o conhecimento das regras básicas do esporte (códigos de corrida), com relação aos candidatos a jóquei (leia–se, aprendizes).

Decisões – Após os debates, o plenário decidiu: (i) recomendar às instituições responsáveis pela direção das atividades turfísticas em cada país, o estabelecimento de limites de tolerância no que respeita à constatação de medicação após a corrida; (ii) estabelecer que o conceito por trás da padronização das regras de interferência deve ser o de “punir o que não se pode explicar.” Ou seja, não havendo um motivo superveniente que tenha originado o incidente de raia, a sanção se impõe, em nome dos princípios da garantia de segurança aos participantes da disputa (jóqueis e animais), e da absoluta necessidade de preservar sua lisura; (iii) sobre a questão da formação e treinamento dos jóqueis, a recomendação é de que os aprendizes só sejam habilitados a conduzir animais em competição, após terem sido aprovados em 3 (três) tipos de teste: de raia, de esforço físico, e de conhecimento dos dispositivos dos códigos de corridas. Tais testes servirão para avaliar sua capacidade – técnica, física, e intelectual – para o exercício da profissão sem colocar em risco a integridade física dos colegas de ofício e a sanidade dos animais; (iv) quanto à orientação para unificar e dar consistência aos critérios de julgamento das comissões de corridas, a recomendação formal da assembléia é a de que sejam promovidos debates periódicos entre seus membros (stewards), eventualmente ilustrados pela projeção de filmes das carreiras, de modo a prevenir a adoção de interpretações e decisões conflitantes sobre fatos idênticos em sua natureza e conteúdo.

As palestras foram proferidas, respectivamente, pelos senhores Louis Romanet, Chairman da IFHA; Roland Devolz, Consultor Técnico da IFHA; Rob de Kock, CEO da NHRA, África do Sul; e o Dr. Giles Warrington, PhD em Fisiologia Esportiva e do Exercício, da Universidade de Dublin, Irlanda do Sul.

Comentários – Em termos gerais, o Jockey Clube Brasileiro já adota a maioria dos procedimentos recomendados pela Federação Internacional.

Exceções são, em princípio: a necessidade de ter–se que estabelecer juízo de valor antes da desclassificação de um animal, como determina o Código Nacional de Corridas (CNC) – o que não ocorre no turfe do hemisfério norte, onde a correlação entre prejuízo de raia e desclassificação é imediata; e o perfeito conhecimento do CNC por parte dos aprendizes.

Sobre estes dois tópicos, entretanto, melhor dirá a comissão de corridas do Jockey Clube Brasileiro.

2. Sessão sobre aspectos técnicos (de 11:15 às 12:15 hs)

A segunda sessão, coordenada pelo Sr. Louis Romanet, Chairman da IFHA, foi dedicada às questões técnicas como sejam: (a) aspectos da criação e das corridas de cavalo na Nova Zelândia, um dos países onde o turfe mais cresce atualmente; (b) problemas do turfe nos pequenos países e o papel da IFHA, aí mencionados em particular a Suíça, e as novas nações do leste europeu, onde o esporte começa a ganhar projeção; (c) a importância da existência de um “operador internacional de dados”, via INTERNET, para divulgação em real time de informações completas sobre os animais, com vistas à ampliação do volume de apostas; e (d) resumo estatístico e comentários sobre a evolução do jogo de apostas em todo o mundo durante o ano de 2007.

As palestras desta seção foram proferidas pelos senhores Guy Sargent, Chairman da New Zealand Thoroughbred Racing (NZTR); Bjorn Eklund, Chairman da European Racing Development Conference (ERDC); James Singer, Marketing Director da empresa inglesa At The Races; e Maurits Bruggink, Diretor Executivo da IFHA.

Comentários – A apresentação do representante da Nova Zelândia sobre o desenvolvimento do turfe em seu país – hoje a criação do cavalo de corridas na Nova Zelândia é quase 50% maior que no Brasil – foi um dos destaques desta sessão. De forma simples e didática, o Sr. Sargent apresentou um filme de 15 minutos sobre os aspectos gerais da economia do país; a localização geográfica dos vários hipódromos; o ambiente geral das corridas; o desenrolar das principais provas; cenas dos leilões anuais de potros; terminando com os gráficos do crescimento (exponencial) das apostas e dos prêmios distribuídos. Terminou aplaudido pelos presentes. Nada impede que, no futuro, o Brasil faça o mesmo – ou seja, produza um filme de 15 minutos sobre a indústria do cavalo de corridas entre nós, e melhor divulgue seu turfe junto aos representantes da Federação Internacional e o público em geral.

Outro destaque, foi a palestra do representante da At The Races, a firma inglesa que divulga, durante 24 horas, todas as informações, via INTERNET, sobre corridas de cavalo na Grã–Bretanha e na Europa. De sua exposição, resta muita clara a necessidade do público contar com dados atualizados em real time sobre as chances de cada  animal do programa, não se limitando à simples enunciação de seu retrospecto. O conceito por trás do sucesso da empresa em atrair volume de jogo é, numa palavra, a massificação da informação ao apostador, resumido no moto “tudo que você precisa saber sobre cada animal do programa.” Nesse “tudo”, se incluem, além da análise do retrospecto, fotos e vídeos do animal em ação, os últimos trabalhos de raia, a opinião de jóqueis e responsáveis, detalhes de suas últimas performances, e, até mesmo, a divulgação de eventos ocorridos minutos antes da largada.

A At The Races vem, aos poucos, substituindo, na Inglaterra e na Europa, a mídia impressa dedicada ao jogo em corridas de cavalo, já sendo um dos sites mais freqüentados pelo público interessado no assunto. Além do que, a nova modalidade de transmissão de informações, via INTERNET, é hoje o principal instrumento de alavancagem de apostas do simulcasting internacional.

Finalmente, no painel sobre as estatísticas anuais de volume de jogo, o Brasil, Argentina, e a América do Sul, como um todo, aparecem com números relativamente baixos; dir–se–ia inexpressivos, em relação à média dos países desenvolvidos do hemisfério norte; na verdade,  quase irrelevantes, se considerarmos à média de jogo verificada nos países asiáticos e da Oceania.

Observação: em relação ao Brasil, permitimo–nos ponderar que os números apresentados não levavam em conta, nem a taxa média de câmbio do ano de 2007, nem o agregado de alguns hipódromos do interior do país, onde sabidamente existe jogo em corridas de cavalo. A sugestão para este ano de 2008, é a de fornecer à Federação Internacional números mais atualizados sobre o volume de jogo entre nós, baseados na taxa média de câmbio do período.

3. Sessão “Corridas de cavalo como negócio” (de 13:30 às 14:50 hs)

Após a projeção do filme do “Prix de l’Arc du Triomphe 2008” com a tomada de ângulos privativa da comissão de corridas francesa (cerca de 10 ângulos diferentes), a conferência prosseguiu com os seguintes painéis: (a) segurança das corridas – o desenvolvimento dos pisos artificiais e as experiências norte–americana e inglesa; (b) a questão da imagem pública das corridas nos USA.

Realizaram as palestras, os senhores Jamie Martin, CEO da Woodbine Entertainment  Group; Ian Renton, Director da Arena Leisure, USA; Alan Marzelli, Presidente & CEO do The US Jockey Club; e William A. Nader, Executive Director, Racings, do The Hong Kong Jockey Club.

Comentários – São dois, segundo os apresentadores, os grandes pilares técnicos de um turfe realmente moderno, nesta ordem: (1) segurança das pistas; (2) proteção da imagem pública do esporte, o que significa: regras claras de conduta; abordagem totalmente profissional da atividade; e tolerância zero com qualquer desvio de conduta por parte de seus praticantes. E a conclusão: sem esses dois pressupostos em mente, é impossível cogitar de aumentos expressivos do jogo de apostas.

Por outro lado, a adoção das pistas artificiais nos EUA (mistura de grãos de borracha, cera, chips de madeira e argila) tende a se ampliar, igualmente por duas razões: na grande maioria dos hipódromos americanos, as cocheiras fazem parte integrante do conjunto das instalações, fato que obriga os animais a treinar e correr usando sempre o mesmo piso; o custo de manutenção das pistas naturais de grama e areia, principalmente a primeira delas, é considerado excessivamente alto, tendo se tornado incompatível com a economia da atividade. Além disso, inexistem nos EUA  centros de treinamento amplos o suficiente, como é o caso de Chantilly (com seus 120 quilômetros de pistas em meio à floresta) e Newmarket, ambos construídos com recursos dos respectivos estados nacionais na alvorada do turfe.

Assim, o caminho natural de desenvolvimento do esporte, passa hoje em dia pela progressiva ampliação das pistas artificiais.

No que tange à segurança, os números americanos são significativos: considerada apenas a areia (ou dirt), de cada 1.000 animais em treinamento, dez deles (0,1%) sofrem acidentes em função de irregularidades do terreno.

Mas é no Japão, graças à extrema perfeição de suas raias, sejam de corrida, sejam de treinamento, que os números impressionam: de cada 1.000 animais em atividade, apenas dois se lesionam e podem culpar as pistas por isso.

Entende–se o extremo cuidado dedicado às raias nos turfes desenvolvidos, sejam elas naturais, sejam artificiais. Além de todos os aspectos mencionados anteriormente, acidentes com cavalos de alta performance e, portanto, de grande valor econômico, causados por problemas das pistas, podem resultar em ações cíveis milionárias, não só contra os hipódromos, mas também contra as pessoas que os dirigem. O conceito, no caso, é o de que a culpa pela eventual perda ou incapacitação do animal, em treinamento, ou em corrida, recai objetivamente sobre “quem tem o dever de cuidado” e eventualmente não o exerce.

4. Sessão sobre marketing e promoção do turfe (de 15:20 às 16:30 hs)

A quarta sessão foi dedicada aos aspectos de divulgação, marketing, e patrocínio das corridas. Os conferencistas abordaram os seguintes temas: (i) promoção do turfe em pequenos países, onde o mercado ainda não se desenvolveu inteiramente, caso da Suíça e outras nações do leste europeu; (ii) avaliação do resultado do patrocínio das corridas de cavalos na fixação da imagem de marca e alavancagem de vendas, de determinados tipos de negócio. Aqui, foi analisado e debatido o case da casa Thomas Pink, de Londres (hoje uma das indústrias internacionais de vestuário de maior aceitação na Europa e nos EUA), que patrocinou durante quatro anos as corridas de cavalo na Inglaterra e Irlanda, principalmente as de saltos sobre obstáculos; (iii) oportunidades de patrocínio através de programas que atendam a grupos de negócios, e não a um determinado negócio em particular. Case study da atuação da National Thoroughbred Racing Association (NTRA), dos EUA.

Participaram como expositores desta sessão: Jean Pierre Kratzer, Chairman da Swiss Racing Federation; Jonathan Heilbron, Presidente & CEO da Thomas Pink, Londres (Grupo LVMH); e Alex Waldrop, Director NTRA.

Comentários –  Gostaríamos de tecer algumas considerações sobre os citados painéis.

A primeira, é a de que o turfe tem representado, pelo menos no hemisfério norte, o ambiente ideal para divulgação de grifes ligadas ao mundo da moda (masculina e feminina); da indústria de lazer (companhias aéreas, redes internacionais de hotéis, etc.); e da mídia especializada nesses assuntos (revistas). No primeiro caso, são inúmeros os exemplos de patrocínio de grandes provas do calendário clássico, na França e na Inglaterra, que contam com o apoio de conhecidas casas como Hermés, Louis Vuitton, a cadeia Barriére de hotéis, Emirates Airlines, Thomas Pink, etc. etc.

O mais importante, porém, é perceber que a imagem do patrocinador – como salientado no case study da casa Thomas Pink – não pode, de forma alguma, ser vulnerada por eventuais deficiências no planejamento dos eventos. Por outras palavras, a estrutura e os serviços dos hipódromos, bem assim a própria organização dos eventos têm que estar à altura do mesmo enfoque profissional que caracteriza a atuação do patrocinador no desenvolvimento de seus negócios. Novamente, a questão da preservação e proteção da imagem.

Assim, por exemplo, o absoluto respeito aos horários da programação dos páreos é fundamental para produzir uma sequência lógica e agradável da reunião. Esta é considerada, inclusive, uma condição sine qua para haver patrocínio das provas e garantia de sua permanência no tempo.

Após ter patrocinado corridas de cavalo na Inglaterra durante quatro anos, a Thomas Pink informou ao plenário estar inteiramente satisfeita com os resultados da iniciativa. Em especial, no que respeita à vinculação de sua imagem às grandes datas do esporte, e ao perfeito entrosamento havido entre a vice–presidência de marketing do grupo e as autoridades gestoras do turfe inglês.

A segunda consideração refere–se ao patrocínio via grupos de negócios, ou seja, a reunião de diversos interessados que fazem das corridas de cavalo um instrumento de defesa de seus interesses comerciais e institucionais. É o caso da NTRA, nos EUA.

Criadores e proprietários americanos usam os serviços profissionais da NTRA como forma de influenciar decisões dos poderes públicos em favor da bloodstock industry, reduzir os custos dos leilões de potros, promover o aumento das premiações, etc. etc. Em contrapartida, patrocinam determinados eventos da atividade. O maior enfoque da NTRA, entretanto, se dirige ao relacionamento com a mídia do país, visando à defesa permanente da imagem pública das corridas de cavalo.

A NTRA tem estrutura de empresa comercial e cobra pelos serviços prestados aos seus associados.

Observações finais e conclusão

Deve ser observado que todos os painéis da conferência foram apresentados em power point pelos vários profissionais de sua especialidade, cujos nomes constam desse relatório.

O conjunto completo de todas as palestras, com os respectivos quadros indicativos, se encontra gravado no pen drive distribuído ao final do conclave, anexo ao presente (doc.3).

Após os debates, 3 (três) pontos foram destacados no sumário da conferência:

1. O turfe internacional, de há muito, deixou de ser encarado apenas como uma atividade de diversão e lazer. Hoje ele é, em tudo e por tudo, uma poderosa indústria que usa o cavalo de corridas como instrumento de geração de lucros. Como tal, a continuação de sua existência, depende da completa profissionalização da atividade. Aliás, isto fica muito claro ao se constatar que todos os expositores da 42ª Conferência Internacional, sem exceção, são profissionais remunerados da atividade, nela atuando em tempo integral.

2. Do ponto de vista, não só da excelência de sua gestão, como também do sucesso em gerar volume de apostas em níveis superiores à média das  demais regiões, o turfe da Ásia (principalmente Japão e Hong Kong) tem absoluto destaque sobre seus concorrentes. Lá, todo o conceito que preside a atividade está ancorado na escolha dos chamados “heróis certos” desse esporte – no caso, os cavalos de corrida. O volume de jogo é considerado pelos japoneses uma conseqüência direta disso.

3. A terceira conclusão diz respeito à atividade propriamente dita. Aqui, 3 (três) são os pilares que hoje sustentam a indústria internacional do puro–sangue: (a) profissionalização da gerência, em todos os níveis; (b) temor reverencial a tudo que conspire contra a imagem pública da atividade (o que implica prevenir eventuais desvios de conduta de seus participantes, através da aplicação rigorosa dos mecanismos de defesa previstos nos códigos de corridas); e (c) preservação da qualidade e segurança dos equipamentos dos hipódromos (leia–se, instalações físicas adequadas e superior qualidade das pistas).

São estas, em resumo, as principais conclusões do último encontro realizado em Paris.

Ao renovar nossos sinceros agradecimentos ao senhor presidente pela honra da indicação para representar o JCB na conferência em exame, colocamo–nos à disposição dos interessados, visando esclarecer eventuais dúvidas deste relatório.

Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2008

Atenciosamente,
Sergio A. T. B. de Barcellos



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