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Novembro | 2008
Outra triste entrevista, por Jéssica Dannemann 01/11/2008 - 18h51min
Hoje no jornal O GLOBO,
após uma ampla investigação jornalística que envolveu até consultas junto à uma construtora
convidada, o presidente do Jockey Club Brasileiro assume a até então (reiteradamente)
desmentida proposta que transforma: “Baias em Escritórios”, dando conta que o clube tem um
projeto imobiliário para as Vilas Hípicas do Hipódromo da Gávea, contrariando a “porta voz”
do clube.
Novamente é divulgado na mídia (a primeira pelo ex–presidente à época das
últimas eleições) que a atividade hípica produz um prejuízo mensal de cerca de R$ 1 milhão,
que é coberto com as mensalidades, festas (?) e aluguéis de imóveis.
Na reportagem o
jornalista cita uma frase atribuída ao Sr. Luis Eduardo da Costa Carvalho aonde este diz que
“está buscando meios de otimizar o patrimônio, gerando renda para o turfe, aonde a idéia é
aproveitar a área da Vila, reduzindo o número de animais no local”. Atribui ainda, o
presidente em exercício, que o “esvaziamento das baias aconteceu porque muitos proprietários
passaram a alojar seus animais em centros de treinamento na região serrana do Rio, descendo
com os cavalos apenas nos dias de corrida”.
Isso, de toda a forma, aos leitores e
sócios desinformados, curiosamente, transfere aos proprietários dos cavalos a culpa pelo
desaparecimento (talvez prematuro) das tradicionais Vilas Hípicas do Jockey. Não fossem os
construtores de Centros de Treinamento os responsáveis pelo “crash” na taxa de ocupação das
cocheiras, o senhor Luis Eduardo não estaria sendo “obrigado” a se desfazer das “baias, tendo
que conviver com mais esse “pepino”!
Isso de certa forma INVERTE a “lei” natural das
coisas, pois transfere aos hóspedes da região serrana (os proprietários de PSI) a
responsabilidade de zelar pelo futuro do JCB, pois caso se arrependam das suas baias (tal
como o presidente se arrependeu das “dele” agora) por alguma razão (quem sabe por uma bela
proposta da Odebrecht) sejam “obrigados” a se desfazerem de suas propriedades (algumas de
grande importância já o foram) estarão nesse momento acabando com o turfe no Rio de Janeiro,
mesmo que seja verdade que o JCB, muito preocupado com os cavalos, esteja pensando em
negociar as instalações do antigo “Ipiranga” em Magé para eles (?!).
Certo também que
os membros do quadro social, que não sabem nem da existência dessas vilas, mas freqüentam a
Sede da Lagoa (cada vez mais queixosos do cheiro de estrume no entorno dela), que deve somar
mais de 80% da sociedade, ao lerem essa reportagem e descobrirem que a Taxa de Manutenção
(mensalidade) que eles pagam todos os meses está indo para o “ralo”, deverão ficar ainda mais
“contentes” com o turfe, e claro, completamente “contra” o presidente.
A reportagem
fala de uma Assembléia no início do próximo ano, tempo suficiente para que o prejuízo que é
atribuído ao turfe para com a entidade, possa ser mais demonstrado e ainda mais valorizado, a
partir dos efeitos dramáticos na receita do turfe que a paralisação da raia de grama irá
impor. Como já dito aqui, nesses (a princípio) quatro meses sem corridas na grama, o impacto
sobre o turfe será o produto do resultado bruto de um movimento geral de apostas de mais de
16 reuniões turfísticas (R$ 14 milhões), fora o impacto da diminuição de páreos e o número
menor de inscrições naqueles que estão sendo programados durante a paralisação.
Se
formos comparar o impacto dessa interrupção nos números da administração Luis Eduardo, a
revelação por certo sensibilizará ainda mais os sócios a concordar com qualquer projeto que
“elimine” o turfe do clube, será ainda mais contundente, pois restará facilmente demonstrável
que em seus primeiros oito meses o turfe terá proporcionado um prejuízo cerca de 30% maior ao
já “importado da antiga administração”, passando de R$ 1 milhão, para R$ 1,3 milhões (aqui
não se discute a necessidade da reforma, que era imperativa, e sim a capitalização da
interrupção).
Parece, ainda baseado nas reportagens, que o turfe está sendo
profundamente perverso e leviano com o “Marketing” do Jockey Club Brasileiro, pois até as
receitas das grandes “Festas” organizadas por aquele departamento, estão sendo canalizadas
para o turfe (O patinho feio do clube). Pobres abnegados responsáveis pelo marketing, que tem
visto páreo–a–páreo o fruto de seu enorme trabalho ser totalmente consumido por esses cruéis
e infiéis animais.
Para não ser também infiel com a minha proposta de oposição a
qualquer elemento estranho ao turfe, volto a escrever nesse espaço para chamar a atenção dos
turfistas, sejam sócios ou não, que nessa nossa “Dinamarca” aqui (tal como o cheiro objeto da
queixa de outros sócios) tem algo de errado... (pra não apodrecer a
palavra).
Primeiro acho que fica muito ruim um presidente vir a público (como o outro
já havia feito) afirmar no jornal de maior circulação do país, que o turfe está “falido”. Até
porque foram eles que administraram o clube nos últimos quase nove anos e essa revelação (não
fosse deprimente para nós que tanto trabalhamos em favor do turfe) é a verdadeira CONFISSÃO
de inoperância administrativa; de ingerência; de incapacidade em conduzir a atividade, que
eles tanto “brigaram” por exercer por três mandatos consecutivos.
Ser Presidente do
Jockey não significa poder apontar a atividade hípica como prejudicial ao clube, mesmo que
pudesse demonstrar essa afirmação ao “pé da letra” o que penso não ser possível. Essa ação,
em moldes práticos, só serviu para colocar a “nação” JCB (além de toda a sociedade) contra as
Corridas de Cavalo, que é tudo que nós não precisávamos agora, que significa novamente
INVERTER a ordem natural das nossas necessidades, sugnifica caminhar no sentido
contrário.
Ser presidente do Jockey, além da máxima transparência na condução dos
projetos (imobiliários ou não) significa mover o seu Marketing para que as “Festas” se dêem
no âmbito das corridas de cavalo, o que é a única forma efetiva de se gerar RENDA para o
turfe. Significa ao invés de demonstrar uma continuada incapacidade em administrar o turfe,
impor a participação de sua CHAPA (ou modificá–la) em prol da imagem da atividade, e não
destruí–la por mais uma declaração impensada, que somente prejuízos causa a todos que “vivem”
do turfe.
Os registros dessa infeliz entrevista não condizem com a história do clube
(que tão bem aprendi a conhecer) A história de um clube construtor de imagem; de atração; de
espetáculo; de Sedes Sociais; de boas “chapas” e até de Vilas Hípicas. Uma história de
superávits comerciais e de respeito a profissionais, proprietários e criadores, tão intensa e
tão extensa que nem caberia escrevê–la, ou demonstrá–la mesmo utilizando todas as folhas
daquele jornal.
Prezado Senhor Luis Eduardo: diante desse quadro dramático (tornado
público) peço ao senhor que nunca possuiu cavalo, nunca freqüentou o hipódromo, não é
engenheiro, não desconhecia que o clube dava prejuízo, não comprou Haras, não é comodatário
de cocheiras, nunca teve sequer um animal alojado, não possui terras em Magé, não possui
Centro de Treinamento, não aluga tratores, não é comprador de poules, não é do ramo
construtor, não é corretor de imóveis, não entende de reforma de pista, não é carente de
escritórios, e que também nunca havia presidido um clube hípico; que RESPONDA uma única e
simples pergunta com a máxima honestidade possível, para que todos os turfistas e leitores,
sócios ou não sócios, proprietários de cavalo ou espectadores das corridas, criadores ou
estudiosos da criação, apostadores ou torcedores, jóqueis ou aprendizes treinadores ou
segundo gerentes, veterinários ou estagiários da veterinária, ferradores ou cavalariços, e
até os que não são nada disso, possam entender definitivamente:
Porque o senhor
quis tanto ser Presidente do Jockey Club Brasileiro ? |

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