Hoje, quarta–feira, 28, será realizada ELEIÇÃO NO JOCKEY CLUB BRASILEIRO. Nunca o
quadro social teve tamanha responsabilidade na escolha de um futuro, definitivo, para o clube, optando entre a
manutenção desta diretoria, sob o comando de um nomeado pelo atual mandatário, sócio que nunca freqüentou qualquer
de suas dependências, por isso alheio aos graves problemas, omitidos nos relatórios divulgados pelo presidente; e
a renovação desta administração de oito anos, cansada, omissa e demagógica, por outra que pretende unir os
associados para, juntos, renovarem o clube, enfrentando com vontade, critério e seriedade os obstáculos escondidos
na penumbra do ocaso.
Querer dividir o Jockey Club Brasileiro em duas agremiações (social e turfística),
acenando para isso com a bandeira do término da obra da sede da Lagoa, empreendimento idealizado por Leonidio
Ribeiro, candidato à Vice–Presidência pela Chapa União, e iniciado por Francisco Eduardo de Paula Machado, é
insuficiente quando, por trás da cortina, o restante do patrimônio acumulado durante anos graças à receita do
turfe, se desfaz em ruínas, visíveis até mesmo por quem passa pela rua Jardim Botânico.
O Jockey não é
restrito a uma de suas sedes sociais, a da Lagoa, cuja administração é tarefa para o correspondente diretor
social. Um presidente é eleito para administrar o clube e não apenas uma de suas dependências. Há que desenvolver
o turfe, restaurar o Hipódromo da Gávea e a sede do Centro, promover a integração dos sócios para o bem comum, e
reconhecer a importância das corridas de cavalo como mola propulsora da receita, necessária para a manutenção e o
aprimoramento de todas as dependências e atividades sociais.
Sem o turfe o Jockey Club Brasileiro será
apenas uma agremiação social cuja receita há de provir dos próprios associados, através da taxa de manutenção,
certamente muito superior à atualmente cobrada sob os auspícios dos cavalos. É exatamente aí que reside a
responsabilidade do voto, amanhã. No dia seguinte à eleição, quando acordar, o sócio terá de encarar o futuro que
escolheu: entre a renovação e o continuísmo de uma diretoria de oito anos, a vontade ou a inércia, um futuro
promissor ou a falta de perspectiva, entre pagar as dívidas ou mantê–las escondidas até que o patrimônio seja
executado judicialmente, e uma mensalidade barata ou um clube caro e conseqüentemente com o título
desvalorizado.
Quanto ao turfe, pela própria tradição e como em outros países civilizados, ele
continuará existindo mesmo sem o belo Hipódromo da Gávea. Uma pena! Mas outros hipódromos, interessados em
usufruir sua receita, estarão dispostos a acolher os proprietários e seus cavalos, hoje anunciados como vilões
pela atual diretoria, mas verdadeiros mantenedores do Jockey Clube Brasileiro.
por
Francisco Portinho