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Janeiro | 2006

EHV–1, um antigo "bicho–papão"
24/01/2006 - 11h58min

reprodução Internet

Caso grave na Nova Zelândia

Os recentes casos envolvendo PSIs acometidos pelo vírus da herpes eqüina, nos Estados Unidos, ganharam as manchetes.

Três animais foram sacrificados, um hipódromo inteiro está sob quarentena (Pimlico) e cocheiras em outros centros de corridas permanecem sob observação.

Segundo pesquisa, este vírus é a causa mais comumente diagnosticada em casos de abortamento em éguas no final da gestação. É altamente contagioso e relacionado com rinopneumonite, mortalidade perinatal de potros e encefalomielite em cavalos adultos.

Vamos conhecer um pouco mais deste verdadeiro “bicho–papão”.

Os primeiros sinais

A infecção pelo EHV–1 é universalmente comum. Uma recente pesquisa feita no rebanho eqüino australiano mostrou que 82% foram expostos à infecção. Problemas nas vias respiratórias superiores e febre alta são as principais manifestações da doença, provocando tosse e corrimento nasal, particularmente quando cavalos são agrupados em climas mais frios.

Formas de contágio

O vírus da herpes eqüina é altamente contagioso e pode ser transmitido pela inalação de gotículas infectadas ou pela ingestão de material contaminado por corrimentos nasais. Pode ocorrer a infecção indireta, pois o vírus é capaz de sobreviver de 15 a 45 dias fora do animal.

Doenças ligadas ao EHV–1

Embora seja um patógeno respiratório, algumas síndromes identificadas nos eqüinos podem ser atribuídas ao EHV–1, tais como infecções nas vias respiratórias; aborto em grupos de éguas reprodutoras; septicemia e viremia altamente fatais em potros recém nascidos; encefalomielopatia e síndrome do desempenho deficiente.

Apenas os casos mais graves são preocupantes

Em recente entrevista ao Baltimoresun.com, Klaus Osterrieder, veterinário e virologista da Cornell University College, afirmou que, em geral, o vírus da herpes eqüina causa apenas problemas respiratórios. Acompanhado de febre, pode fazer com que éguas prenhas abortem.

Disse, ainda, que 70 a 80 por cento dos cavalos de corridas têm o vírus, mas com vacinação (entre 2 e 3 anos de idade), dificilmente irão desenvolver a forma mais grave da doença.

Afirmou também que a herpes eqüina não tem cura, mas um tratamento com antibióticos para baixar a febre e injeções de cortisona para evitar danos nos nervos podem funcionar. Segundo ele, alguns veterinários têm tentado o medicamento Acyclovir, utilizado para tratar a herpes em seres humanos.

Um problema mundial

A veterinária Annabel Ensor, da Nova Zelândia, em artigo publicado na internet, afirma que a vacinação pode prevenir problemas respiratórios, mas não acaba com o vírus da herpes eqüina. Aos primeiros sintomas, o cavalo deve ser isolado e mantido assim por, pelo menos, quatro semanas. Os humanos que tiverem contato com o animal infectado devem ter cuidados de assepsia para evitar a contaminação de outros animais. O EHV–1 é um problema mundial, segundo Annabel, mas tomando–se os cuidados necessários pode se evitar uma epidemia.

Casos antigos

Alguns casos de confirmação de animais infectados pelo EHV–1 já foram responsáveis por cancelamento de corridas nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2005, depois da constatação de que quatro cavalos desenvolveram a doença o Departamento de Agricultura de Michigan cancelou as corridas em Northville Downs.

E nós, aqui no Brasil, devemos nos preocupar com isso?

Quem responde, para o RAIA LEVE, é a veterinária Bianca Cascardo:

“O vírus existe também no Brasil, mas se forem tomadas todas as providência profiláticas e o controle de vacinação for realizado dentro das normas, acho difícil que surjam casos semelhantes aos que estão ocorrendo nos Estados Unidos”, explica.

Bianca entende que, certamente, o que acontece no turfe americano é causado por uma variação mais letal do vírus e que, por lá, todos os cuidados necessários estão sendo tomados. Segundo a veterinária, não há registros de casos letais da doença no Brasil, mas é preciso um controle eficaz e observação absoluta dos sintomas.

Bianca alerta que é preciso evitar o acúmulo de animais da mesma idade sem que algum deles não esteja vacinado. Nos casos das reprodutoras com histórico de seguidos abortos, os exames dos fetos é fundamental para determinar a presença do EHV–1.

“O fato da ausência de registros de casos mais graves no país, não significa que devemos estar absolutamente tranqüilos” analisa Bianca. Para ela, é fundamental a vacinação, a assepsia no trato com os animais em todos os procedimentos.

fontes: sites sobre medicina veterinária

por Marco Aurélio Ribeiro



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