Os recentes casos envolvendo PSIs acometidos pelo vírus da herpes eqüina, nos
Estados Unidos, ganharam as manchetes.
Três animais foram sacrificados, um hipódromo inteiro está sob
quarentena (Pimlico) e cocheiras em outros centros de corridas permanecem sob observação.
Segundo
pesquisa, este vírus é a causa mais comumente diagnosticada em casos de abortamento em éguas no final da gestação.
É altamente contagioso e relacionado com rinopneumonite, mortalidade perinatal de potros e encefalomielite em
cavalos adultos.
Vamos conhecer um pouco mais deste verdadeiro “bicho–papão”.
Os
primeiros sinais
A infecção pelo EHV–1 é universalmente comum. Uma recente pesquisa feita no
rebanho eqüino australiano mostrou que 82% foram expostos à infecção. Problemas nas vias respiratórias superiores
e febre alta são as principais manifestações da doença, provocando tosse e corrimento nasal, particularmente
quando cavalos são agrupados em climas mais frios.
Formas de contágio
O vírus
da herpes eqüina é altamente contagioso e pode ser transmitido pela inalação de gotículas infectadas ou pela
ingestão de material contaminado por corrimentos nasais. Pode ocorrer a infecção indireta, pois o vírus é capaz de
sobreviver de 15 a 45 dias fora do animal.
Doenças ligadas ao EHV–1
Embora
seja um patógeno respiratório, algumas síndromes identificadas nos eqüinos podem ser atribuídas ao EHV–1, tais
como infecções nas vias respiratórias; aborto em grupos de éguas reprodutoras; septicemia e viremia altamente
fatais em potros recém nascidos; encefalomielopatia e síndrome do desempenho deficiente.
Apenas
os casos mais graves são preocupantes
Em recente entrevista ao Baltimoresun.com, Klaus
Osterrieder, veterinário e virologista da Cornell University College, afirmou que, em geral, o vírus da herpes
eqüina causa apenas problemas respiratórios. Acompanhado de febre, pode fazer com que éguas prenhas
abortem.
Disse, ainda, que 70 a 80 por cento dos cavalos de corridas têm o vírus, mas com vacinação
(entre 2 e 3 anos de idade), dificilmente irão desenvolver a forma mais grave da doença.
Afirmou também
que a herpes eqüina não tem cura, mas um tratamento com antibióticos para baixar a febre e injeções de cortisona
para evitar danos nos nervos podem funcionar. Segundo ele, alguns veterinários têm tentado o medicamento
Acyclovir, utilizado para tratar a herpes em seres humanos.
Um problema
mundial
A veterinária Annabel Ensor, da Nova Zelândia, em artigo publicado na internet, afirma
que a vacinação pode prevenir problemas respiratórios, mas não acaba com o vírus da herpes eqüina. Aos primeiros
sintomas, o cavalo deve ser isolado e mantido assim por, pelo menos, quatro semanas. Os humanos que tiverem
contato com o animal infectado devem ter cuidados de assepsia para evitar a contaminação de outros animais. O
EHV–1 é um problema mundial, segundo Annabel, mas tomando–se os cuidados necessários pode se evitar uma
epidemia.
Casos antigos
Alguns casos de confirmação de animais infectados
pelo EHV–1 já foram responsáveis por cancelamento de corridas nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2005, depois da
constatação de que quatro cavalos desenvolveram a doença o Departamento de Agricultura de Michigan cancelou as
corridas em Northville Downs.
E nós, aqui no Brasil, devemos nos preocupar com
isso?
Quem responde, para o RAIA LEVE, é a veterinária Bianca Cascardo:
“O vírus
existe também no Brasil, mas se forem tomadas todas as providência profiláticas e o controle de vacinação for
realizado dentro das normas, acho difícil que surjam casos semelhantes aos que estão ocorrendo nos Estados
Unidos”, explica.
Bianca entende que, certamente, o que acontece no turfe americano é causado por uma
variação mais letal do vírus e que, por lá, todos os cuidados necessários estão sendo tomados. Segundo a
veterinária, não há registros de casos letais da doença no Brasil, mas é preciso um controle eficaz e observação
absoluta dos sintomas.
Bianca alerta que é preciso evitar o acúmulo de animais da mesma idade sem que
algum deles não esteja vacinado. Nos casos das reprodutoras com histórico de seguidos abortos, os exames dos fetos
é fundamental para determinar a presença do EHV–1.
“O fato da ausência de registros de casos mais graves
no país, não significa que devemos estar absolutamente tranqüilos” analisa Bianca. Para ela, é fundamental a
vacinação, a assepsia no trato com os animais em todos os procedimentos.
fontes: sites sobre
medicina veterinária
por Marco Aurélio
Ribeiro