Há algumas décadas, era muito difícil determinar a paternidade. Os casos de filhos sem pai somavam–se e, muitas vezes, os pais biológicos se “safavam” tranqüilamente e não assumiam suas responsabilidades. A tecnologia tratou de acabar com este panorama e surgiram os exames de DNA, que, inclusive, ajudaram a promover de forma humorística os programas do “Ratinho”, na televisão.
Mas o assunto é muito sério. A modernidade avançou e também passaram a ser realizados alguns exames de DNA nos animais, por diversos motivos e de modo bem mais fácil: pode não ser necessário o exame através do sangue e simplesmente através dos pelos. Vamos tentar entender como funciona esse mecanismo que pode acabar com todas as dúvidas em relação à origem ou a compatibilidade de amostras.
O DNA como chave para a verificação da paternidade.
O uso da tecnologia do DNA na pesquisa biológica constitui um recurso revolucionário. O DNA foi considerado, pela revista Time, como a Molécula do Ano. O Prêmio Nobel foi oferecido a um cientista pela invenção da técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR), que amplia o DNA de modo a produzir uma quantidade que seja fácil de ser analisada. O DNA (ácido desóxi–ribonucleico) está localizado no núcleo da célula e é a unidade básica da hereditariedade em muitos organismos, incluindo o homem e o cavalo. O DNA é composto de 4 moléculas básicas que aparecem em seqüências variáveis; estas moléculas são identificadas com as letras A, C, G, T. A seqüência na qual estas moléculas se situam em certos fragmentos do DNA é a chave para a verificação de paternidade. Para isto, utilizamos os chamados marcadores de DNA; regiões que podem ser comparadas entre indivíduos da mesma espécie e/ou entre diferentes espécies.
Um exame mais simples do que parece.
A retirada da amostra para a análise do DNA, no cavalo, é simples. Não há necessidade de retirar sangue evitando, portanto, problemas ocasionais com determinados animais; não é necessário refrigerar a amostra, nem enviá–la rapidamente ao laboratório de modo que a amostra chegue a tempo hábil para que haja células suficientes para o teste de tipagem ser realizado em boas condições. O exame é feito em pêlos. Deve–se puxar o pêlo da crina acima da cernelha (o pêlo da cernelha tende a ser muito fino para ser facilmente testado), e tomar cuidado para que saiam também os bulbos (raízes). Se o pêlo é puxado igualmente e diretamente para longe do pescoço, ele tenderá a sair pelas raízes, ao invés de quebrar. Quando se olha atentamente para a terminação do pêlo que estava no interior da pele, as raízes serão vistas, especialmente se uma lente de aumento for utilizada. Devem ser retirados cerca de 50 pêlos com o máximo de bulbos possível. Os pêlos da cauda podem também ser uma segunda opção.
Segurança e confiabilidade.
No Brasil, hoje, existem laboratórios capacitados de realizar exames de DNA de total confiabilidade. A segurança em relação aos procedimentos e qualidade das informações. Para tal os técnicos não tem acesso às informações sobre origem das amostras, não sabem sequer o nome dos animais. O laboratório possui marcadores de segurança que confirmam o perfil genético do animal analisado.
Exames comuns em outras raças.
No PSI, não são comuns os exames de DNA, apenas em casos específicos, mas em outras raças, principalmente para a determinação de paternidade, eles ocorrem de forma comum. Entre os Quartos de Milha e os Mangalarga Marchador, existem até os “Bancos de Crinas”. Estes exames, que eram muito caros, vêm tendo o preço reduzido em razão da aquisição de aparelhagem sofisticada e do surgimento constante de profissionais capacitados para realizá–los.
Uma busca que começou em 1944.
Em 1944 foi descrito que o DNA continha o material genético dos seres vivos. Porém, a revolução biotecnológica que permitiu os avanços da biologia molecular iniciou–se em 1953 com o trabalho de James Watson e Francis Crick, quando estabeleceram a estrutura helicoidal do DNA. Somente vinte anos depois, em 1973, os primeiros genes foram mapeados e foi preciso ainda mais de uma década para ser idealizado o PCR, que trouxe incríveis avanços e muita agilidade para a biotecnologia.
fontes: Revista Quarto de Milha e artigos da Internet
por Marco Aurélio Ribeiro