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Maio | 2007

Painel Eletrônico, por Milton Lodi
22/05/2007 - 19h45min

No sábado dia 12 de maio p.p., no leilão de potros do Haras Santa Ana do Rio Grande, além das habituais ofertas sem base e sem defesa, o próprio mercado determinando o valor de cada um, ocorreu um detalhe diferente. Excepcionalmente, foi apresentada uma potranca em condições diferentes da venda.

A potranca n°4, filha de uma velha égua que já produziu três ganhadores de Gr.1, faria falta no plantel das futuras reprodutoras. A égua já vazia nos últimos anos, e a potranca, a natural substituta.

Seria fácil para o haras declarar que a potranca não estava à venda, ou alegar um acidente que impediria a apresentação, ou semelhante. Mas o haras tem entre as suas características de venda a apresentação de toda a produção em sistema de total transparência. A solução encontrada foi oferecer a potranca com preço–base declarado.

O melhor leiloeiro de cavalos de corrida do Brasil, Nilson Francisco Genovesi, foi muito claro na apresentação, e pediu os vinte mil reais de parcela. Um braço se levantou, um comprador deu o lance inicial pretendido para a compra e venda. Não houve outro lance, mas o leiloeiro não bateu o martelo. Ele percebeu que o lance era de um grupo da África do Sul, que já havia comprado vários potros em outros leilões. Mandou que um dos funcionários da equipe promotora do leilão fosse esclarecer a situação para evitar eventuais futuros constrangimentos. Leilão parado, aguardando.

O painel eletrônico mostrava 2.000, já que só tem 4 dígitos, e o leiloeiro admitiu eventual má compreensão por parte dos sul–africanos, apesar da farta explicação pré–apresentada.

Nilson Francisco Genovesi estava com a razão. Os pretendentes fizeram um lance como se fôra nas condições habituais, o placar eletrônico acusou ser lance adequado. Após as devidas explicações e entendimentos, o lance foi retirado. Não houve novo interessado, a potranca ficou para o haras.

Três detalhes importantes se deduzem do episódio.

Primeiro, a lisura do Haras Santa Ana do Rio Grande, oferecendo um animal que gostaria de não vender, pois necessitava dele para a manutenção de uma fecunda linha clássica feminina, não usando de subterfúgios e mantendo a linha de oferta do total da produção com inequívoca transparência.

Segundo, a acuidade, a percepção, a sensibilidade do leiloeiro Nilson Francisco Genovesi. Não houve problemas maiores, desagradáveis, pela qualidade do homem do martelo.

Terceiro, o placar eletrônico. O placar eletrônico do Tattersall do Jockey Club Brasileiro está obsoleto, não acompanha mais os eventuais lances crescentes, além de necessitar de informações mais claras para os compradores de fora. Um novo placar eletrônico deveria ter, em reais, em dólares americanos e em euros, o valor de cada lance, o valor total da venda, o valor da venda à vista com o desconto, isso com espaço para 7 dígitos. Temos que estar preparados para receber os estrangeiros, que ano a ano freqüentam em maior número os nossos leilões. Há fortes compradores em nosso país, a barreira de um milhão de reais por um potro está para cair, se não já, mas pelo menos por mais um pouco. Não tem cabimento um lance de vinte mil reais figurar como dois mil.

Nessa era da eletrônica, um botão que seja apertado em um mostrador automaticamente altera todos os valores afixados no placar. Uma aparelhagem sofisticada dessas tem preço razoável, se a Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Rio de Janeiro, que é beneficiária dos movimentos dos leilões, recebendo um por cento do valor bruto das vendas, se a Associação não tiver dinheiro suficiente, pode recorrer até a patrocínios de gente ligada ao turfe, empresários de um modo geral.

Seria um investimento urgente e necessário, pequeno ante a grandeza da melhoria.

por Milton Lodi



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