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Rubens Carrapito e os bons
tempos do turfe 23/12/2005 - 21h41min
Rubens Carrapito, 76 anos, é um dos mais antigos treinadores do turfe carioca, formado pela
segunda turma da Escola dos Profissionais, em 1949. Casado com Dona Vera, o casal sempre que pode está junto e,
embora morando na Barra, mantém o hábito de caminhar pelos bairros de Ipanema e Leblon.
Único homem dos
quatro filhos, Antonio Augusto Carrapito, é funcionário da TV Globo há muitos anos e acompanha o turfe. As filhas
são Fátima, Vera Regina e Mônica. A trajetória de Carrapito no turfe sempre foi marcada pelo trabalho duro, tendo
começado como cavalariço, com o irmão, Julio.
Depois de formado, fez estágio nas cocheiras de
Henrique de Souza, um dos grandes treinadores da época. Também aprendeu muito com o cunhado, então jóquei, Arthur
Araújo. Obteve a primeira vitória, ainda sem matrícula, por não estar formado, com Indígena. A égua correu em nome
de José Salustiano da Silva, responsável pelos animais do Stud Raggio, inclusive, Atramo, o melhor de todos.
Formado e com matrícula, cresceu na carreira. Venceu o GP Brasil de 1996, com Quinze Quilates,
conduzido por Jorge Garcia, num dia de muita chuva e raia encharcada, derrotando, no photochart, Zé de Ouro.
Quinze Quilates, filho de Only Once e Hospitaleira, criação do Haras 2001, pertencia ao Stud Rio Preto, cujos
animais eram preparados, em São Paulo, por Dendico Garcia, e na Gávea, ficavam aos cuidados de
Carrapito.
O titular do Stud Rio Preto, seu saudoso amigo Vicente Romano, foi um dos grandes
proprietários do turfe paulista. Rubinho, como carinhosamente é chamado na Gávea, treinou, também, para o Stud
João Jabour e Haras São Miguel, entre vários proprietários importantes.
Outra forte recordação envolve
Kraus, igualmente do Stud Rio Preto, que, em 1958, perdeu de forma incrível o GP Brasil para Espiche, do Stud
Verde e Preto. O freio Salomão Ferreira, jóquei de Kraus, não teve sorte no percurso e até hoje pensa como pôde
perder aquele “Brasil”.
Ao longo de sua carreira no Hipódromo da Gávea, segundo levantamento de
Fernando Fontoura, Rubens Carrapito venceu 1.100 corridas. Uma das figuras mais queridas do turfe carioca, nos
seus áureos tempos, era chamado de “Eterno Galã”, por Oscar Vareda.
Conversando com o repórter, Rubinho
relembrou a época em que o turfe figurava como o segundo esporte na preferência popular, perdendo apenas para o
futebol. O hipódromo vivia repleto e o GP Brasil se tornava uma festa na cidade. Havia concurso de vitrines para a
prova e, na véspera, o Baile do Sweepstake, nos salões do Copacabana Palace.
Tempos bons, que não
voltam mais!
por Sérgio
Rezende

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