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À hora H: Um menino prodígio conquista a Gávea 22/07/2010 - 20h27min
O rosto de menino estampa um sorriso tímido e encabulado. O corpo franzino, com minguados 50 quilos, não para um minuto de entrar e sair da raia do Hipódromo da Gávea no dorso de enormes puros–sangues de meia–tonelada. Os 1,58m de altura escondem um gigante na pista. Com apenas 18 anos, o carioca Henderson Fernandes, nascido no subúrbio de Realengo, lidera a estatística de jóqueis do turfe carioca. É verdade. Pela primeira vez na história um aprendiz assume o topo do ranking e deixa para trás todas as maiores estrelas do hipódromo.
Henderson cresceu no pequeno sítio do pai, Amílcar, cercado de bichos, entre eles, cavalos de passeios, segundo ele mesmo afirma autênticos pangarés perto dos poderosos e gigantescos cavalos do hipódromo. Aliás, esta foi à assustadora impressão que lhe causaram os cavalos de corrida nas primeiras aulas com o professor José Machado. O sonho de ser jóquei era acalentado na televisão do tio ou no agente credenciado, em que assistia os páreos, apertado entre alguns turfistas.
"Eu sempre sonhei com a profissão de jóquei. Era uma maneira de aproveitar a minha baixa estatura e o peso pluma. Fui trazido para a escolinha pelo Gilberto, veterinário que trabalha aqui na Gávea. Consegui ser aprovado nos critérios de altura e peso. Mas eu não sabia nada de puro–sangue e confesso que tive muita dificuldade com duas coisas, a posição nos estribos e montar encilhado. Era uma dor insuportável e algumas vezes eu achava que não iria me acostumar”, conta.
Das primeiras oportunidades, em 2.008, até o topo do ranking, Fernandes passou por momentos de incerteza. Teve que montar no Hipódromo de Campos, aonde venceu muitos páreos. Enfrentou a saudade da família e do carinho da mãe, dona Joaquina. Mas o apoio do supervisor da escola, Paulo Mileno, e do professor, José Machado, lhe trouxeram a confiança necessária nos momentos difíceis.
“Tive apoio de todos. Fiz amizade com os outros aprendizes e não posso de esquecer Ilson Correa, um jóquei experiente, consagrado, mas que sempre me dá bons conselhos e me chama a atenção quando faço alguma coisa errada nos páreos. Correa é um cara muito legal. O seu Machado também orienta os alunos, passa filmes e a gente aprende bastante nas aulas. Eu sei que ele foi ótimo jóquei e até ganhou a estatística”.
Fernandes afirma que Jorge Ricardo é o seu grande ídolo no turfe. Gostava de ver os páreos nos tempos de menino e torcer por ele. Admite não ter jamais passado pela sua cabeça liderar a estatística como aprendiz e considera difícil manter esta posição até o final da temporada turfística, em junho de 2.011. “Por enquanto as coisas estão favoráveis. Mas é preciso lembrar que dois ótimos aprendizes acidentaram–se, O V.Borges e o A. F. Matos. Com a volta deles, os cavalos mais leves não serão oferecidos somente para mim”, analisa.
Bem orientado na Escola de Aprendizes e também pela família, Fernandes evita se deslumbrar. Considera fundamental aproveitar ao máximo o tempo que ainda tem como aprendiz. Ele vai descarregar dois quilos até o mês de outubro e depois apenas um quilo até fevereiro do próximo ano. O garoto não parece se preocupar com a estatística. Afirma que o seu maior sonho é ganhar um Grande Prêmio Brasil.
“O importante é trabalhar e aprender. Tenho muito tempo para ganhar estatística. No momento me preocupo em estar preparado para quando chegar à hora dos desafios maiores, sem dúvida, montar sem descarga e participar das provas clássicas. Estou ansioso para montar os Grandes Prêmios”, confessa.
Nas terças–feiras, Fernandes tem trabalhado no centro de treinamento Vale do Itajara, em Secretário. O aprendiz considera importante a oportunidade de montar cavalos mais novos. Lembra que a maioria dos aprendizes só conduz cavalos velhos. Depois que passou a montar para o treinador Venâncio Nahid e vencer provas de potros começou a ter oportunidades de outros profissionais também. Agora consegue boas montarias no final de semana.
Diferente da maioria dos meninos da sua idade, Henderson Fernandes preocupa–se pouco com o lazer. Gosta de praia, mas não perde muito tempo nos jogos eletrônicos ou no computador. A maior parte de sua vida é toda dedicada aos cavalos, sua grande paixão. Monta quatro vezes por semana e só não trabalha na raia aos domingos, por que ela fica fechada. “O segredo de tudo é o trabalho. E além do mais o que eu gosto mesmo é de cavalos e de ganhar”. A julgar pelo resultado das últimas reuniões da Gávea ninguém duvida disso.
por Paulo Gama

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