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Bagé – Leilão de Março, por Milton Lodi 03/07/2010 - 18h20min
A temporada de leilões em 2010 já começou. Antes de março, um ou outro pequeno evento já havia acontecido, mas em termos de importância o primeiro foi em Bagé, na tarde de 26 de março. Foram apresentados 124 lotes, com éguas cheias ou vazias, potros mamando ou já desmamados, dois garanhões já iniciados e com filhos ganhadores. Não é um tipo de leilão com outras perspectivas que não oferecer oportunidades para quem quer vender e/ou comprar. Apresentaram–se animais de vários padrões de qualidade, havia para todos os gostos. Em termos financeiros, as vendas são díspares, isto é, preços baixos, médios e altos, e na verdade não seja o caso, não é um evento voltado para uma eventual alta qualidade, embora dele participem animais de muito bom padrão, o objetivo é dar boa oportunidade para vendedores e compradores, e nesse sentido o resultado foi adequado.
Depois tivemos em abril também em Bagé, o de reprodutoras e produtos desmamados do Haras Santa Maria de Araras, com um total de 101 lotes, e em maio iniciaram os leilões de produtos da geração nascida em 2008, aqueles que deverão correr a partir de 2011. Uma das novidades é a nova orientação da Fazenda Mondesir, que abandonou o seu principal palco de vendas que é o Rio de Janeiro, para onde ia a melhor e a maior parte da potrada à venda, fazendo em 2010 um único leilão, e em São Paulo, na sexta–feira do GP São Paulo. Essa talvez equivocada determinação deve ter sido tomada em função de minoração dos custos, com cerca de menos de três meses de trato e riscos, pois o leilão carioca sempre se realiza na semana do GP Brasil.
O assunto merece reflexão, pois a possível menor despesa nem sempre justifica a melhor receita, não só financeira como em função de um já então consolidado prestígio. O leilão do Mondesir já fazia parte, como um brilhante evento na semana carioca, prestigiado por criadores, proprietários e turfistas nacionais e internacionais. Os leilões na Sociedade Hípica Brasileira e no Forte de Copacabana, grandes atrações na maior semana carioca, ficam para trás. Enfim, os criadores–vendedores é que devem escolher as praças de vendas que lhes são mais convenientes.
Para terminar quanto ao leilão de 26 de março em Bagé, o atual clima de expectativa quanto ao futuro do turfe brasileiro em função dos investimentos dos criadores e principalmente do entusiasmo dos proprietários (aqueles que a rigor sustentam a atividade), quase tudo indicando uma ótima fase, mesmo com as retumbantes vitórias de cavalos brasileiros pelo mundo a fora em contrapartida com os declínios evidentes das criações argentinas e norte–americanas, mesmo assim a maioria teme despropósitos administrativos dos clubes promotores de corridas e a falta de interesse, apoio e incentivo da alta cúpula do Ministério da Agricultura.
Foi nesse atual clima de expectativa, que o necessário e vitorioso e tradicional leilão se desenvolveu, clima quase que só doméstico gaúcho, visto que os paranaenses e os paulistas não compareceram, e os uruguaios só compram baratinho, objetivam preço baixo e não qualidade.
Mas dentro das circunstâncias foi um bom leilão.
(Adaptado da Revista Turf Brasil)

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