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Vamos salvar o Turfe? (1ª Parte), por Marcos Rizzon 24/06/2010 - 12h32min
Há uma década escrevi no Jornal do Turfe sobre um tema importante: “que os grandes Jockeys Clubs deveriam ajudar os pequenos”.
Naquela época, tínhamos aproximadamente 25 Jockeys Clubs em funcionamento. O proprietário corria em sua cidade e, depois, seu(s) cavalo(s) seguia(m) campanha nos Hipódromos do Cristal, Tarumã, Cidade Jardim e Gávea.
Os proprietários do Rio Grande do Sul e do Paraná tinham uma enorme vantagem em relação aos de São Paulo e Rio de Janeiro. Eles corriam seus animais em suas cidades (interior), vinham para Porto Alegre e Curitiba, disputavam o perdedor, ganhavam uma, duas... e depois seguiam para Cidade Jardim e Gávea, correndo lá, também, o perdedor (dependendo da soma ganha acumulada até ali).
No artigo, disse que os grandes, grandes de fato à época, deviam ajudar com “x reais”, mensalmente, estes Jockeys Clubs, visando às manutenções na ativa.
O que fizeram? Nada. Não deram bola... eu era apenas “um” questionando isso. Nem os proprietários das cidades menores tomaram uma posição.
O que aconteceu? Fecharam os Hipódromos: Visconde Ribeiro de Magalhães (Bagé), Uruguaiana, Rio Grande, Itapetininga, Serra Verde (MG), Nacional (DF), Lauro de Freitas (BA), Pici etc. Mais recentemente, por terem suas cartas–patentes cassadas, Uvaranas (PR), Santiago (RS) e Tablada (Pelotas).
Com o fechamento destes hipódromos, vários proprietários abandonaram o turfe. Foram pescar, caçar, viajar, praticar esportes etc.
Até aí tudo bem.
Mas o que aconteceu com os grandes hipódromos? Alguns foram mal geridos, inclusive roubados por certos presidentes. O dinheiro foi acabando e a pobreza chegou.
Antes, porém, temos que abrir um parêntese: “Em 1988, tínhamos na reprodução quase 8.956 mil reprodutoras registradas e 4.922 produtos; em 1989, um total de 928 reprodutores. Em 1991 éramos 1.493 criadores.”
Em 2009 os números são alarmantes. Vejam só: 3.776 matrizes, 242 reprodutores, 2.922 produtos e 366 criadores, onde eu estou incluído com uma reprodutora.
Estamos em 2010, e nos deparamos com uma triste realidade: nosso turfe está acabando.
Nossa mão de obra piorou, os empregos diretos e indiretos diminuíram em 60% (ou mais), criadores fecham as portas anualmente (dois exemplos desse ano são os Haras Basano e o forte Haras das Estrelas) etc.
E os compradores? Viraram criadores.
Exceto o Stud Palura, todos os grandes passaram a criar.
Sem compradores não temos disputa, sem disputa, não temos preços.
Esta é uma dura realidade. Diria trágica!
Mas quem são os responsáveis por isso?
Nosso turfe não tem renovação há décadas. E nós, os garotos de ontem, passamos a ser quarentões ou cinquentões.
Presidentes são eleitos pela vaidade do poder. Quando alguém tenta fazer alguma coisa, esbarra em oposições.
Há muito que as corridas em nossos hipódromos são deficitárias, mas nada é feito, exceto vender patrimônio para cobrir os rombos que eles próprios (dirigentes) abriram nos cofres dos Jockeys Clubs.
Receitas extras e marketing de verdade não são feitos. Marketing não significa gastar, mas sim buscar recursos.
Não é admissível, por exemplo, o presidente do Jockey Club do Paraná declarar à revista Turf Brasil que, tão logo seja aprovada a parceria para a construção de um shopping, os prêmios serão majorados.
Eu digo isso, pois ele mesmo, o Sr. Roberto Hasemann, declarou dias atrás que, mesmo com tal transação, o JCP seguiria no vermelho.
O criador Marcelo Napoleão, ganhador com sua Linda Tex, há 3 meses, ainda não recebeu o prêmio de sua vitória no Tarumã. E, vejam bem: a entidade está recebendo mais de R$ 300 mil por mês referente à negociação do terreno localizado ao fundo do clube!
Algumas pessoas dizem: “as maquininhas vão ser liberadas via turfe”. Que bom! Mas quem vai administrá–las de fato? Qual será o percentual recolhido aos JCs? Como isso será fiscalizado?
Precisamos nos unir e nos cercarmos por pessoas extremamente idôneas na administração de nosso turfe.
Precisamos nos reunir, não em um grupinho de quatro ou cinco.
Precisamos agir... buscar fontes alternativas, apoio do governo federal.
Precisamos trazer as crianças (e claro os seus pais) aos hipódromos.
Precisamos manter os Jockeys Clubs que ainda funcionam na ativa. Lá, ainda, existem pequenos proprietários, muito importantes para o futuro do “esporte dos reis”.
Precisamos incrementar as apostas e buscar novas (o JCSP já está fazendo com o Páreo da Sorte) modalidades.
É inadmissível que o maior clube de corridas do Brasil hoje, o JCB, tenha no movimento do 2º páreo do sábado, 8 de maio, um total de R$ 78 mil, sendo R$ 74 mil somente em vencedor.
Precisamos mudar este jogo.
Precisamos salvar o turfe brasileiro!

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