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Três boas perspectivas, por Milton Lodi 24/06/2010 - 11h31min
Turfe não é matemática, mas é de muito bom senso procurar a utilização de animais de qualidade do que arriscar na sorte. O turfe é um negócio caro, difícil e complexo, e toda a precaução e cuidados são necessários na hora da decisão quando da escolha daquele que vai ser o pai do potro. É claro que a mãe é muito importante, pois cabe a ela ser saudável: boa mãe, e gerar bem o produto.
Os melhores haras procuram estratégias lógicas e inteligentes. O plantel do Haras das Estrelas, por exemplo, é formado por éguas ganhadoras clássicas do eixo Rio–São Paulo, de éguas que já produziram ganhadores nos mesmos moldes, e de éguas importadas sempre de linhas clássicas.
Por outro lado, há criadores que, ao planejarem anualmente a carta de coberturas, não levam em consideração garanhões que ainda não estão aprovados, por melhores que sejam as perspectivas. Um mero mas importante exemplo é o de Molengão, de criação e propriedade do Stud TNT. Esse cavalo, desde potro quando se iniciou no Cristal nas mãos do competente e confiável treinador Nilton Pires, mostrou–se um animal de exceção. Os primeiros trabalhos, sempre comedidos e suaves, mostraram um poderio fora do comum. Desde os primeiros testes nas pistas disse de sua alta qualidade, o que a rigor não foi uma surpresa, pois aliado a um físico muito bom, poderoso, havia o suporte pedigrístico. O pai Royal Academy, a mãe da extraordinária linha feminina da Court Lady, sem favor uma das melhores linhas femininas clássicas em nosso país.
Molengão não correu no Cristal, foi levado inédito para a Gávea, onde correu apenas uma vez para vencer facilmente por vários corpos em soberba demonstração. A única demonstração foi suficiente para que fosse enviado para os Estados Unidos, onde cumpriu brilhante campanha clássica. Voltou para o Brasil, mas o próprio TNT não lhe deu éguas, dentro do princípio da utilização de reprodutores já aprovados. Molengão foi fazer monta no Haras Fronteira PAP, a um preço baixo de coberturas, com a finalidade de receber boa quantidade de éguas, em regime de testes. Em 2008 e 2009 recebeu um total de cerca de 100 éguas, e o TNT aguarda os resultados, que no meu entender serão muito bons.
Essa é uma técnica cara, a utilização de reprodutores já aprovados, mas inteligente, de bom senso, e diminui riscos.
Esse Royal Academy é um extraordinário cavalo. Hoje em fins de carreira pela idade, deixou de fazer o seu anual “shuttle” e foi vendido para a Austrália. Foi o melhor milheiro da Europa em sua época, e correu uma vez nos Estados Unidos, na milha da Breeders’ Cup, tendo vencido de forma espetacular montado por Lester Pigott.
Esse Royal Academy já havia dado antes, na Fazenda Mondesir, um invicto em 7 apresentações, líder absoluto de sua geração, uma beleza de cavalo, grande, forte, espetacular. Durban Thunder, invicto nas pistas brasileiras, é hoje garanhão no Haras Ponta Porã. Os seus filhos estão estreando.
Mas recentemente tivemos mais um filho de Royal Academy altamente promissor, de criação do Haras São José da Serra, Top Hat foi um ótimo ganhador de Grupo 1, mostrando qualidades intrínsecas necessárias ou muito favoráveis e adequadas a um excelente reprodutor. Basicamente um cavalo de 2.000 metros, com leque de opções dos 1.600 aos 2.400m, com natural velocidade para “mandar” no páreo, corajoso, lutador, brilhante corredor. Top Hat iniciou–se na reprodução no 2º semestre de 2009.
Esses três filhos de Royal Academy: Molengão, Durban Thunder e Top Hat, são promessas especialíssimas, podem e/ou devem se constituir em grandes sucessos.
Molengão, Durban Thunder e Top Hat, três garanhões novos e de ótimas perspectivas.
Transcrito da Revista Turf Brasil

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