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Entrevista especial com Raphael Munhoz da Rocha – O Homem do Turfe 22/06/2010 - 10h33min
Quer uma tarefa impossível?? Pois tente caminhar ao lado de Raphael Munhoz da Rocha pelo Tarumã, sem ninguém interrompa para cumprimentá–lo.
Quer uma tarefa quase impossível?? Tente entrevistar esse senhor cuja história se confunde com a história do turfe em nosso país.
Calmo, tranqüilo, educado, Raphael é uma unanimidade quando se fala da crônica de turfe. Seus olhos viram muita coisa e suas mãos escreveram mais de 50 anos de história do turfe brasileiro. Solteiro convicto, atleticano de família tradicional de Curitiba, Raphael detém hoje o maior espaço de turfe em jornais brasileiros. Querido por todos, ele que viu tantos e tantos profissionais do turfe darem seus primeiros passos e deixarem a atividade também, continua firme, fazendo o que gosta e o que sabe. Vai quase todos os dias ao Jockey e seu estilo de trabalho sempre foi de valorizar as coisas boas do turfe, deixando as mazelas caírem no esquecimento.
Raphael... “Munhoz” como eu gosto de chamá–lo nos concedeu esta entrevista que fica como registro para a posteridade de um profissional na concepção da palavra. O turfe deve muito a esse homem – orgulho da crônica de turfe e orgulho do turfe paranaense.
Gerson Macedo: COMO O SENHOR COMEÇOU SUA VIDA NO MEIO TURFÍSTICO ?
RAPHAEL: Comecei com 15 anos de idade como funcionário do Jockey Club do Paraná e trabalhando também no Stud Book lá pelos anos de 1952/53. Na crônica comecei com o Rodolfho Carlos Bettega colaborando com ele na Gazetinha Turfística também nessa época. Ajudei vários colegasde outros jornais eventualmente substituindo–lhes, casos de harry Wekerlin (O Dia), Murilo Gomes Correia (Diário da Tarde), Raul Gomes Jr (Gazeta do povo) e estou desde a primeira edição no “O Estado do Paraná” que começou em 1951. Trabalharam comigo nesse jornal o atual Deputado federal Afonso Camargo Neto e o Hugo Martins Kosop. Depois foi fundada a “Tribuna do Paraná” e aí se juntaram a equipe o Antonio Nunes Nogueira, o cronometrista Volnei Andretta e o Leonardo Veloso, que até hoje colabora comigo, juntamente com o Alessandro Reichel e o César Augusto Paula.
GM: COMO ERA O ESPORTE NAQUELA ÉPOCA ?
RAPHAEL: Era bem diferente de hoje, não sei se é por saudosismo, mas me parecia melhor. O número de animais era reduzido e desta forma, os cavalos corriam todas as semanas. Para se tenha uma idéia na década de 40, as cocheiras do treinador Florismundo Raimundo eram localizadas perto da hoje Penitenciária do Ahú, os animais da família Piotto era no bairro do Campo Comprido e as do treinador Luiz Cavichiolo eram no bairro da Água Verde, todas longe do Hipódromo do Guabirotuba. E tínhamos corridas todos os domingos, com o prado cheio. GM: COMPARE O TURFE DAQUELE TEMPO COM O DE HOJE.
RAPHAEL: Hoje o turfe é muito mais profissional. Entendo que neste aspecto melhorou bastante, porém no que concerne a divulgação e público nos hipódromos piorou consideravelmente. Lembro–me que naquela época a população de Curitiba era pequena e o extinto Hipódromo do Gabirotuba estava sempre lotado. Outras opções de laser tiraram muita gente dos hipódromos.
GM: QUEM ERAM OS GRANDES NOMES DA CRÔNICA NAQUELA ÉPOCA?
RAPHAEL: Aqui no Paraná eram muitos. Lembro–me do Rodolpho Carlos Bettega, Fernando Wolff, Hugo Kosop, Leonardo Velozo, Ary Ayres de Mello Jr, Antonio Nunes Nogueira, Apeles de Ferrante, Raul Gomes Jr, Eduardo Saltori, Luiz Fernando Kosop, Luiz Renato Ribas, Emanuel Coelho, Murilo Gomes Correia, João Germano Bettega, Hugo Kosop, Emanoel Coelho, Volney Andretta e tantos outros. Fora do Paraná me lembro do Haroldo Barbosa (o Pangaré), o Luiz Reis (Diário Carioca) e o Oscar Vareda. E tem a turma mais recente, que até hoje se dedicam à crônica de turfe, todos meus amigos... A eles o meu reconhecimento.
GM: ERA TAMBÉM A ÉPOCA DOS GRANDES JÓQUEIS. QUAIS VOCÊ DESTACARIA?
RAPHAEL: Luiz Rigoni que foi para mim o maior de todos, cito também o Irigoyen, o Luiz Dias e o Juan Marchand.
GM: O QUE ESTÁ FALTANDO NO TURFE DE HOJE?
RAPHAEL: Acho que maior divulgação em jornais abertos, rádio e televisão. Não sei explicar, mas antigamente o afluxo de público aos hipódromos era enorme. É só olhar as fotografias dos Grandes Prêmios de antigamente.
GM: VOCÊ ACHA QUE A TELEVISÃO TIROU MUITA GENTE DOS HIPÓDROMOS?
RAPHAEL: a televisão teve aspectos positivos no que tange às apostas. Porém no que concerne a presença de público foi prejudicial. As pessoas preferem ficar em casa assistindo as corridas e ouvindo vocês da TV Jockey. É mais cômodo. Foi o que aconteceu com o futebol também.
GM: QUAL FOI O MOMENTO INESQUECÍVEL VIVIDO POR VOCÊ EM SUA CARREIRA?
RAPHAEL: Não saberia destacar um só. Talvez gostaria de citar o saudoso Hipódromo do Guabirotuba que realmente nunca esquecerei. Lá acompanhei o inicio das atividades de extraordinários jóqueis como Luiz Rigoni, Virgilio Pinheiro Filho, Omário Reichel, Constante Bini, Aristides Santos, Eurico Ferreira, Zeferino Santos, João Vitoriano, Ary Gianinni, Ildefonso Lesnioski, Avelino Piovezan e tantos outros. Treinadores fantásticos como Trajano Athayde, Afonso Piotto, Francisco Arnaldo Marussi, Rubens Gusso, Mário Gusso, Adão Berdnaczuck, Aristides Santos, Elidio Pierre Gusso, Julio Cavichiolo, Luiz Cavichiolo e vai por aí afora... Eram muitos profissionais extraordinários... Com certeza esqueci de citar alguém.
GM: VOCÊ ACHA QUE O TURFE VOLTA UM DIA A SER PUNJANTE COMO ERA?
RAPHAEL: Acredito que um dia isso irá acontecer. As corridas são muito emocionantes e o turfe tem um bom potencial. Talvez eu não chegue a ver essa virada do nosso turfe porque já tenho uma certa idade e em pouco tempo deixarei minhas atividades, mas acredito que ela vai acontecer.
GM: MUITOS AMIGOS NO TURFE ?
RAPHAEL: Isso é o que mais vale. Fiz muitos amigos mesmo. Não tenho inimigos, que eu saiba. Pode haver alguém que não goste de mim profissionalmente – achar que não sou bom cronista, mas isso é normal. Enquanto eu puder continuarei a trabalhar pelo turfe e a fazer amigos!
Coluna Pingando Azeite do Jornal do Turfe de 2003 Gerson Borges de Macedo

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