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Colunista:

Ratings: a palavrinha que comanda o mercado mundial do PSI
08/06/2010 - 10h50min

Nota da Redação: o Raia Leve agradece ao presidente da ABCPCC, Dr. Afonso Burlamaqui, a gentileza da autorização para divulgação do relatório do representante daquela Associação nas reuniões da OSAF, havidas em Buenos Aires, por ocasião da realização do GP 25 de Mayo – Bi Centenário da República Argentina. Estamos certos de que os temas ali debatidos interessam à comunidade turfística do país. Conforme se segue.

RELATÓRIO

Assunto: “Primeiro Encontro Sul–Americano de Handicappers” da OSAF, e Conferência sobre medicação. Buenos Aires, Argentina, 24 e 26 de maio de 2010.

Para:
Dr. Afonso B. Burlamaqui
DD Presidente da ABCPCC

De:
Sergio Barcellos

Senhor presidente,

Serve o presente para apresentar a V.Sa. os resultados dos dois eventos em epígrafe, e agradecer a honrosa indicação para representar a ABCPCC nos citados encontros.

Os comentários que se seguem são de cunho estritamente pessoal, e refletem nosso melhor juízo a respeito dos temas debatidos em Buenos Aires, sob os auspícios, o primeiro deles, da OSAF, e o segundo, das autoridades da “Comissión de Carreras” do Jockey Clube Argentino.

Coloco–me, desde já, à disposição de V.Sa. para esclarecer qualquer aspecto que não tenha ficado suficientemente claro no corpo deste relatório.

I

Resumo dos encontros de Buenos Aires

No dia 24 de maio do corrente, realizou–se nas dependências do Hipódromo de San Isidro o “Primer Encuentro Sudamericano de Handicappers”, patrocinado pela OSAF e coordenado pelo Dr. Horacio Bauer, Diretor Técnico Executivo daquela organização.

A reunião em exame, contou com a presença dos representantes dos países–membros, e, ainda, como convidados, dos senhores Ciaran Kennely (consultor técnico dos hipódromos de Hong Kong, Singapura, Irlanda e Inglaterra), e Melvin Davis (handicapper do hipódromo de Meydan, Dubai), que proferiram palestras sobre a forma e metodologia de avaliação do mérito de um cavalo de corridas.

As citadas palestras dividiram–se em 5 capítulos: (i) história, objetivo, usos práticos da classificação internacional (IC) dos cavalos de corrida, e elaboração dos “rankings” mundiais do thoroughbred, conhecidos pela sigla WTR (World Thoroughbred Rankings); (ii) aplicações do mencionado “ranking”; (iii) demonstração “on line” do site da INTERNET (www.racingadmin.co.uk/iccs) que condensa a evolução dos “ratings” de todos os ganhadores de provas do calendário clássico internacional; (iv) formas de avaliar o mérito de um cavalo de corrida, e comparação entre os parâmetros usados pela WTR, com aqueles adotados na América do Sul; (v) exemplos de construção e revisão dos “ratings” dos participantes de 3 grandes provas do turfe mundial, a saber: o Prix de l´Arc du Triomphe, a Breeders’ Cup Turf, e a Dubai World Cup.

Comentários

A classificação internacional dos cavalos de corrida, através da atribuição de “ratings” (expressos em libras–peso) teve seu início em 1977, tendo sido adotada inicialmente por França, Inglaterra e Irlanda. Em 1985, Alemanha e Itália aderiram ao sistema. Em 1995, os EUA foram incluídos. A partir daquele ano, Japão, União dos Emirados Árabes (UEA), Hong Kong, Austrália e Nova Zelândia juntaram–se aos países acima citados e instituíram a “Classificação Internacional”, rebatizada, em 2004, com o nome de “Rankings do Cavalo de Corrida Mundial” (WTR, em inglês).

A partir desse momento, a mencionada classificação passou a ter uma influência decisiva sobre o mundo do thoroughbred e, especialmente, sobre os movimentos do mercado mundial da indústria.

Hoje, praticamente todas as avaliações (e, conseqüentemente, o valor monetário dos animais no mercado internacional...) tomam como base inicial os “ratings” em questão. Eles é que, em última análise, indicam quem vale o que nessa atividade.

Parece razoável, assim, conhecer quais são os quatro conceitos básicos que orientam a confecção e a estrutura dos “ratings”. Como se segue:

 . Diferenças em corpos medidas no disco de chegada – este é o primeiro conceito, a indicar a forma como cada animal se comportou durante determinada corrida. Por óbvio, tais diferenças indicam, ou pelo menos sugerem, o quanto de “reservas” cada competidor ainda dispunha ao terminar a prova. Tais diferenças (medidas em corpos) são correlacionadas a margens (teóricas) de peso para avaliar a performance de cada animal.

Apenas como exemplo, na escala internacional (“International Handicapping Scale”), 1 corpo de diferença no disco de chegada equivale, respectivamente: a 1,5 quilos dos 1.000 aos 1.450 metros; a 1 quilo, dos 1450 metros aos 1.800 metros; de 0,5 quilo a 1 quilo, entre 1850 e 2150 metros; idem, entre 2.200 a 2750 metros; e de 0,5 quilo dos 2.800 metros em diante.

Isso tem a ver com a velocidade média atingida pelos bons cavalos de corrida, que é de 18 metros por segundo. Dessa forma – para efeito de elaboração dos “rankings” – as diferenças em corpos no disco são expressas em quilos (ou libras–peso). Caso haja interesse em conhecer a evolução do “International Handicapping Scale”, de 0.2 a 6.0 corpos, e seus correspondentes pesos e distâncias, a tabela está à disposição de V.Sa. e da ABCPCC.

 . Performance vs. idade hípica – o conceito aqui, parte do pressuposto de que a avaliação da qualidade de um cavalo – vale dizer, seu “rating” – é tanto mais verdadeiro, quanto mais intensamente o animal se mede na pista contra seus adversários.

A primeira dificuldade de avaliação, se refere aos potros de 2 anos de idade, os chamados juvenis, eis que esses só correm, normalmente, entre si. A segunda dificuldade, diz respeito aos 3 anos, que só são realmente testados a partir dos confrontos contra os animais de 4 anos. Isso significa, que potros de 3 anos só obtêm “ratings” mais altos, quando são capazes de competir em igualdade de condição contra os melhores da geração precedente, ou eventualmente derrotá–los.

 . O "cavalo–âncora" – o terceiro conceito, ou terceiro critério de avaliação, diz respeito à escolha do chamado cavalo–âncora (em inglês, “link–horse”). “Link–horse” é todo competidor – desde que genuíno e consistente – que corra, invariavelmente, tudo o que sabe e é capaz, não importam as circunstâncias do momento.

Exemplo: o “link–horse” utilizado para confirmar o “rating” de Sea The Stars, foi Conduit, pelo fato dele ser um dos animais mais "genuínos e consistentes" a ter–se medido contra o craque irlandês da família Tsui. A grande característica de Sea The Stars – a de decidir uma corrida em algumas rápidas passadas –, leia–se, a capacidade de trocar de marcha, foi devidamente avaliada a partir das distâncias no disco entre ele e Conduit, visando confirmar seu “rating” ao final da campanha nas pistas.

No exemplo em questão, na ausência de  Conduit, Youmzain (três vezes segundo nos três últimos Prix de l’Arc disputados), ou mesmo a égua Dar Re Mi, poderiam muito bem ter servido de “link–horse” para testar os méritos individuais de Sea The Stars.

 . Evolução gradual – a idéia por trás desse conceito, é de que “ratings” não são obtidos com base apenas em algumas poucas performances. E não oscilam com freqüência, mesmo na hipótese de derrotas (a que qualquer cavalo está sujeito). Portanto, o quarto conceito corresponde ao aforisma “quando mais se expõe ao confronto, mais se sabe a respeito das reais qualidades de um cavalo.”

Por outras palavras, o processo de avaliação e reavaliação dos “ratings” é sempre mais lento do que se possa imaginar. Às vezes, se prolonga por mais de duas (ou três) temporadas. Assim, a variação dos índices teóricos de determinado animal, ano a ano, em termos de quilos (ou de libras–peso), tende a oscilar numa escala menor do que, eventualmente, supõem nossas conclusões (ou nossas ansiedades...) a respeito de suas qualidades.

 Eis aí, consideradas as provas de Grupo e “listed racings” da programação clássica, os quatro conceitos básicos de construção de um “rating” individual.

1.1. “Ratings” europeus e seus correspondentes na América do Sul (em libras–peso)        

Que condições o turfe do hemisfério norte, e a Federação Internacional das Autoridades Hípicas (FIAH), exigem para que uma prova seja efetivamente considerada como de Grupo?

 A resposta é simples: uma prova é considerada de Grupo (I, II, ou III) quando mantém a média de seu “rating” anual num período de três anos seguidos. E o que vem a ser o “rating” anual de uma prova de Grupo? A média dos “ratings” individuais dos quatro primeiros animais no disco de chegada.

Em resumo: o que define a classificação de prova de Grupo em termos do hemisfério norte, não é o valor monetário de sua premiação; tampouco, as distâncias a serem percorridas; menos ainda, o estado da pista, ou a capacidade técnica dos jóqueis que a disputam.

O fator que confirma, promove, ou rebaixa, a classificação de uma prova como sendo de Grupo I, II ou III, é a qualidade dos animais que a disputam durante três anos seguidos, qualidade esta medida a partir da média dos “ratings” individuais dos quatro primeiros colocados.

 Para efeito de comparação, os parâmetros internacionais (“benchmarks”) das provas de Grupo são os seguintes (em libras–peso):

Grupo I na Europa, EUA, e Ásia
3 anos e mais idade: 115 libras–peso (110 para as fêmeas)
2 anos: 110 libras–peso (105 para as fêmeas)

Grupo II
3 anos e mais idade: 110 libras–peso (105 para as fêmeas)
2 anos: 105 libras–peso (100 para as fêmeas)

Grupo III
3 anos e mais idade: 105 libras–peso (100 para as fêmeas)
2 anos: 100 libras–peso (95 para as fêmeas)

Quando as provas em questão não atingem tais “ratings” anuais num período de três anos, as sociedades promotoras de corridas dos países membros tomam a iniciativa – ou são instadas pelos organismos internacionais – a rever sua classificação no âmbito das respectivas programações clássicas. Para menos, ou para mais, dependendo, repita–se, da categoria dos animais que delas participam.

Comentários

A Austrália e a Nova Zelândia, seja pelo fato de sua posição geográfica peculiar, seja pelas características climáticas a que estão submetidas, seja até mesmo pela relevância de seu turfe no contexto mundial, estabeleceram “ratings” anuais para suas provas de Grupo (note–se: devidamente aceitos pela Federação Internacional) ligeiramente diferentes. Por outras palavras, suavizaram as exigências que vigoram para a classificação das provas de Grupo no turfe do hemisfério norte.

Assim, no turfe australiano e neo–zelandês há um desconto em torno de 5 libras–peso, visando confirmar a classificação de tais provas no âmbito da programação clássica.

Como se vê abaixo:

Grupo I na Austrália e Nova Zelândia
3 anos e mais idade: 110 libras–peso (106 para as fêmeas)
2 anos: 105 libras–peso (101 para as fêmeas)

Grupo II
3 anos e mais idade: 105 libras–peso (101 para as fêmeas)
2 anos: 100 libras–peso (96 para as fêmeas)

Grupo III
3 anos e mais idade: 100 libras–peso (96 para as fêmeas)
2 anos: 95 libras–peso (91 para as fêmeas)

É esta a classificação que será adotada, a partir de agora, para os animais e provas de Grupo dos calendários sul–americanos, como adiante veremos em maior detalhe.


II

As decisões da OSAF no encontro de Buenos Aires

Até o presente momento, os critérios de formação dos “ratings” dos cavalos sul–americanos não obedeciam a um modelo uniforme, que permitisse ao continente se fazer melhor representar junto às autoridades do turfe mundial (com todas as conseqüências técnicas e econômicas daí resultantes). Não importa aqui, examinar motivos e razões que informaram, até agora, este comportamento.

Assim, como forma de: (1) padronizar a confecção dos “ratings” dos animais sul–americanos; (2) estabelecer a periodicidade mínima de sua apresentação; (3) debater os critérios adotados pelos handicappers de cada sociedade membro; e (4) tentar dar peso e proeminência aos “ratings” do continente, a reunião da OSAF adotou as seguintes deliberações:

1ª) Com efeito a partir de junho do corrente exercício, os “ratings” individuais (prévios e posteriores às corridas)  dos cavalos que disputam a programação clássica de cada país–membro serão levantados mensalmente pelos handicappers locais;

2ª) Fica instituído o “Comitê Regional da OSAF de Ratings e Corridas de Grupo”, que se reunirá periodicamente para harmonizar e unificar os critérios de avaliação.

3ª) Passa a ser adotado o sistema australiano de pontos de referência (“benchmarks”) para orientar a construção dos “ratings” individuais dos animais, e, em conseqüência, a categorização das provas do calendário clássico de cada país–membro, conforme acima mencionado.

Comentários

A partir das três decisões da OSAF, parece imperioso que o Brasil, bem assim as autoridades que respondem pelo turfe nacional, passem a dar a devida importância e a valorizar o trabalho de elaboração dos “ratings” de nossos animais clássicos.

Porém, diante da atual precariedade das sociedades promotoras de corridas de cavalo entre nós (leia–se, os Jockeys Clubes); aliada à ausência de uma estrutura técnica que permita dar pleno suporte a iniciativas dessa natureza; e, principalmente, face à inexistência de um modelo de organização que garanta independência ao turfe do país, não parece haver saída para nós, senão concentrar no Grupo de Ratings da ABCPCC a tarefa em questão.

Não se sensibilizar com a importância desse tema, é correr o intolerável risco de assistirmos, impotentes, ao progressivo rebaixamento – ou mesmo a extinção – de várias de nossas provas de Grupo.

 De há muito, o turfe mundial deixou de ser simples lazer para transformar–se em indústria. Como tal, é lícito observar que, ou nos preparamos tecnicamente para fazê–lo funcionar, e nos apresentamos como respeitado membro das organizações internacionais que o supervisionam, ou abdicamos, de vez, de pretender ter qualquer voz na defesa dos melhores interesses da criação e das corridas de cavalo no país. Com todos os graves prejuízos materiais daí decorrentes.

É esta a impressão – e o alerta –, diante da atual indigência técnica das sociedades promotoras de corridas. 


III

Conferência sobre medicação – Jockey Club Argentino

A segunda parte dos encontros havidos em Buenos Aires, abordou a questão da medicação dos animais inscritos para correr.

Na manhã de quinta–feira, dia 26 de maio, foi realizado encontro, seguido de almoço de debates, nas dependências da sede do Jockey Club Argentino, no qual estiveram presentes: o presidente daquela instituição; o diretor técnico executivo da OSAF; o presidente do recém criado Comitê Nacional de Medicação e Controle Anti–Dopagem, Dr. Ignacio Pavlovsky; e os representantes oficiais de quatro países: Brasil, Chile, Perú, e Uruguai.

Na ocasião, foram realizadas extensas palestras, respectivamente, pelo Dr. Juan Antonio Rodriguez Portas, Ph.D em medicina veterinária, e vice–presidente da Associação Argentina de Veterinária Equina, e pelo professor catedrático de Fisiologia Eqüina da Universidade Argentina de Veterinária (UAV) sobre os temas furosemida, fenilbutazona, e a medicação dos cavalos de corrida na América do Sul.

As conclusões das citadas palestras não deixam nenhuma dúvida quanto à opinião dos dois conferencistas: a permissão de administrar furosemida e fenilbutazona a animais inscritos para correr, constitui um dano irreparável ao prestígio internacional da criação do puro sangue de corrida, ademais de estar vulnerando o mercado de exportação dos animais produzidos naquele país.

Portanto, a decisão do Jockey Club Argentino é a de iniciar, imediatamente, conversas e tratativas com a associação local de criadores, com os hipódromos, e as autoridades que supervisionam a atividade, no sentido de, progressivamente, ir restringindo a autorização para aplicação das duas medicações em exame. Até bani–las completamente da programação clássica argentina (aqui entendida como as provas de Grupo e “listed races”).

De nossa parte, fizemos questão de mencionar que a programação clássica brasileira, ao contrário da Argentina e de outros países–membros integrantes da OSAF, já proíbe a administração de furosemida em provas de Grupo I e II, não sendo permitido administrar fenil, em nenhuma hipótese.

Comentários

O movimento na direção de estabelecer restrições ao uso do Lasix e do fenil na Argentina, vai, aos poucos, tomando forma, diante da constatação de que isso se tornou um passivo para o prestígio do cavalo de corridas nascido e treinado naquele país.

No que respeita à opinião dos dirigentes do Jockey Club Argentino (e mesmo da OSAF), não há mais dúvida a respeito. Agora, trata–se de negociar com todos os setores da “hípica” local a melhor forma de se conseguir, passo a passo, retornar ao sistema de “nenhuma medicação para correr”, em relação à programação clássica local.

Talvez, tenha chegado a hora de fazermos o mesmo, em relação às provas de nosso calendário clássico, caso desejemos nos antecipar à forma das coisas que virão. Com a palavra, os Jockeys Clubes do país.  

Recomendações finais

De tudo o que aqui foi exposto, resulta apropriado, salvo melhor juízo, que sejam adotadas, no âmbito da ABCPCC, as seguintes medidas:

(a) A designação do Dr. Ricardo Ravagnani como representante brasileiro permanente junto ao novo “Comitê Regional da OSAF de Ratings e Corridas de Grupo”, dando–se conhecimento formal dessa decisão à OSAF;

(b) A determinação de que os “ratings” dos cavalos brasileiros sejam elaborados, doravante, em base mensal, adotando–se, como ponto de partida, os (quatro) conceitos praticados pelos handicappers do hemisfério norte, mencionados à págs. 3/5, do presente relatório;

(c) Se for julgado conveniente, dar imediato conhecimento dessas decisões às sociedades promotoras de corridas do país, em especial os Jockey Clubes de São Paulo e Rio de Janeiro;

(d) Finalmente, rever a constituição do Grupo de Ratings da ABCPCC, designando–se novos componentes para ocupar as vagas existentes no momento.

São essas, em resumo, as recomendações que temos a fazer.

Ao tempo em que agradecemos a V.Sa. a honra da indicação para representar a ABCPCC nos encontros de Buenos Aires, colocamo–nos à disposição para esclarecer e debater os tópicos aqui mencionados.

Atenciosamente,
Sergio Barcellos

PS. Toda a documentação e os dados técnicos dos encontros de Buenos Aires estão à inteira disposição de V.Sa. e da ABCPCC.

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2010



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