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Colunista:

Medicação e AAEP, por José Roberto Taranto
14/05/2010 - 12h29min

Subsídios sobre a reunião do comitê nacional de sanidade e substâncias proibidas no cavalo PSI

Diversas autoridades argentinas estavam presentes na reunião realizada em Buenos Aires em 10 de março de 2010 presidida pelo Dr. Ignácio Pavlovsky, formando diversos grupos de trabalho que irão estabelecer os planos de ação a seguir.

O Dr. Horácio W. Bauer, presidente do Conselho Técnico Executivo da OSAF, em seus comentários à respeito da tolerância na administração de algumas substâncias afirmou  a existência de  dois critérios a nível mundial: o europeu e o americano. A Europa pretende adotar a política de não aceitar nenhuma medicação, enquanto os EUA admitem em certas condições o uso de alguns medicamentos, como furosemida, assim como a maioria dos paises da América do Sul. Tanto assim, que os norte–americanos não subscrevem o artigo da IFHA que trata das substâncias proibidas. Ele enfatiza que a critério dos dirigentes da OSAF, o Comitê de substâncias proibidas deve ser composto por especialistas veterinários e químicos, com enfoque científico na tentativa de adotar um plano de ação gradual e progressivo na eliminação de substâncias proibidas, cujas conclusões poderiam se informar a Federação Internacional em caráter oficial das medidas a serem tomadas na matéria de controle antidopping.

A American Association of Equine Practitioners (AAEP) que foi fundada há 55 anos e hoje congrega quase 10.000 veterinários e estudantes de veterinária em 58 paises, possui membros que trabalham com todas as raças e em áreas de estudo de eqüinos e esta diversidade auxilia a fornecer fontes  e lideranças para o benefício da industria eqüina inteira. Para o Dr Scott Palmer, presidente do Conselho de Corrida da AAEP, a missão é simples: proteger a saúde e o bem estar do cavalo e promover o crescimento profissional dos veterinários pelo mundo. Em dezembro último a AAEP liberou um relatório para expressar o seu ponto de vista veterinário para a industria de corrida do PSI, que focou em quatro áreas de importância: assuntos sociais que afetam a corrida; modelo empresarial da corrida; relação veterinário – treinador – proprietário; e medicação.

“Sobre a furosemida (Lasix) a grande maioria dos cavalos de corrida sofre algum grau de hemorragia pulmonar induzida pelo exercício (HPIE) quando treinam ou correm em altas velocidades. Diversos estudos científicos publicados provaram de maneira conclusiva que a furosemida é eficaz em reduzir a severidade a prevalência da HPIE em cavalos de corrida. Portanto se vocês tem um cavalo para correr sujeito à HPIE e está interessado na saúde e no bem estar dele, o trate com furosemida. O relatório da AAEP deixa claro que nenhuma medicação deveria ser administrada no dia da corrida, exceto o Lasix.”

Contudo em termos de impacto sobre o esporte da corrida, outros medicamentos poderiam ser eventualmente utilizados, por exemplo os antiinflamatórios não esteroidais (AINEs). Se o teste dos cavalos na ocasião desses exames, revela níveis terapêuticos das substancias, então podemos ter a necessidade de retirar a administração de AINEs para minimizar aquele efeito.

Esses dois assuntos tornam–se menos importantes em comparação do fato de que nossa política atual é violada e questiona a credibilidade em muito desse esporte, é comprometida pela falta de uniformidade e de sustentação financeira em varias jurisdições de corrida. É uma zombaria de disciplina e de segurança, uma contradição a moralização do esporte e a percepção pública que as autoridades da corrida são incapazes de enxergar ou pensam que este problema não é bastante significativo para provocar uma mudança expressiva.

Neste momento, temos uma oportunidade impar. Estamos defrontados com uma escolha. Podemos optar por manter o estado atual, e como é que nos sairemos bem? Ou podemos escolher para criar uma política de medicação que realmente trabalhe para inspirar confiança e honestidade em nosso esporte.

Jurisdições individuais de corrida selecionam e escolhem que regras de modelo querem para impingir enquanto que os reguladores se apressam em invocar “a moralidade” e promulgam sua própria visão da reforma de medicamento. Os pessimistas dizem que nunca entenderemos completamente. Eu, respeitosamente, tenho opiniões diferentes.

A AAEP está agora revendo um documento bem prático para os veterinários de cavalos de corrida que fixa um padrão claro para a prática de medicação de cavalos de corrida nos EUA. Ele apóia veterinários que estão tomando boas decisões na cocheira para o bem estar do cavalo e para o beneficio do esporte. Veterinários tomaram uma postura clara e inequívoca a favor da reforma da medicação.

Tomamos conhecimento de uma dissertação do Dr. Louis Romanet, presidente da IFHA, expert no assunto de medicamentos e um dos principais lideres europeus onde foi afirmado que o uso de diuréticos como o Lasix no EUA falsificam todos os limites de tolerância, portanto sustenta equivocadamente a manutenção da tolerância zero. Os equipamentos modernos de detecção são tão sensíveis e seguros que essa hipótese INEXISTE.

Reconheço que o problema da medicação é um dos pontos mais importantes para a imagem da indústria das corridas de cavalos em todo o mundo.

A melhor afirmação que observei sobre o controle antidopagem do JCB foi feito pelo Dr Sergio Barcellos quando afirmou recentemente comparando esse serviço a uma caixa preta dos aviões, ausência total de transparência embora diversos hipódromos de vários estados norte americanos tenham restringido o uso de AINEs, como por exemplo a fenilbutazona. Entretanto, nos pequenos hipódromos quando permitido o uso de AINEs em doses terapêuticas, obedeciam à regras, conforme o anexo a mim cedido pelo Dr. Richard Sams, profundo conhecedor e professor da Ohio University.

Em resolução plenária da Comissão de Corridas do JCB em 22 de agosto de 2000 em resposta a uma solicitação da comissão especial encarregada das diretrizes e normas das atividades antidoping, decidiu eliminar a tolerância, em qualquer nível da substância cafeína. Outra resolução no mesmo sentido de 11 de setembro de 2000 atingiu outras substâncias. As decisões da Comissão de Corridas tiveram caráter radical: trata–se da eliminação “tout court” que ignora qualquer consideração a propósito dos chamados “thresholds no effects”, ou seja, detecção de metabólitos inofensivos. Caímos no caminho inverso da modernidade, comparado com os modernos, seguros e sensíveis métodos de detecção.

Foi aberto o caminho para as equivocadas e injustas decisões do JCB.Gerando inúmeros equívocos e penalizando de maneira contundente os treinadores.”A detecção de níveis farmacologicamente insignificantes das medicações terapêuticas não deve constituir violação das regras de medicação”.

Numa mesa redonda que ocorreu em 25 de agosto de 2009 nos EUA, em que esteve presente o Dr. Louis Romanet, afirmou que a temática da medicação é de importância prioritária na hípica de todo o mundo.

A assembléia geral dessa conferência se reúne uma vez por ano, na segunda feira seguinte ao GP Arc de Triomphe. Todos concordam da necessidade de uma harmonização internacional sobre o uso de medicamentos terapêuticos. A IFHA não organiza corridas internacionais que são as mais importantes do mundo, como ocorre com quase todos os tipos de esportes.

Nesta mesa redonda, a nova filosofia ali sugeria que um novo enfoque de tolerância teria que ser implantado – “screening limits”, baseado em uma rigorosa análise das propriedades farmacológicas e farmacocineticas. Estes limites de tolerância serviriam então, para harmonização internacional.

Utilizando esse enfoque, nove nações membro estabeleceram o controle de substâncias terapêuticas através da limitação de sensibilidade dos procedimentos de detecção e advertiram sobre os tempos de detecção para então permitir aos veterinários utilizá–las numa prática correta e segura.

Assim poderemos ter um resultado exitoso destas negociações que será a harmonização para o controle de determinadas substâncias terapêuticas. As autoridades mais importantes de corridas de todo o mundo incluem: Austrália, França, Alemanha, Gran Bretanha, Hong Kong, Irlanda, Itália, Japão, OSAF, Escandinávia, África do Sul e provavelmente os EUA.

Nos EUA durante o ano de 2008 foram realizadas 55.000 corridas, sendo 4% listadas como provas grupadas.

Acredito ser esse o caminho correto para defesa e bem estar da saúde dos cavalos e mantendo a integridade e evolução do Jockey Clube.

Com essa explanação tento abrir para o turfe brasileiro em meu campo especifico da Medicina Veterinária, um olhar para o futuro. Um olhar que contempla o desenvolvimento da atividade, voltado para o progresso e escorado na lisura que deve proteger as corridas de cavalo.

Clique aqui e acesse as regras de medicação – FLORIDA RULES 7 E–16.007 E–16.009

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