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Mudanças, por Milton Lodi 29/04/2010 - 11h18min
É curioso como as coisas mudam com o correr do tempo. É necessário manter–se as lembranças das coisas boas, favoráveis, bonitas, agradáveis, e aceitar o que vem de novo, mas com o devido repúdio a bobagens, invencionices, idéias muitas vezes infelizes implantadas por gente até bem intencionada mas que após períodos de comandos no turfe quase que abandonam, deixando decorrências ruins e até desastrosas.
Após muitos anos de brilhantes realizações, a Taça de Prata, nascida na administração de Antonio Luiz Ferraz na Sociedade de Criadores e Proprietários de São Paulo, e que com a injusta morte da Sociedade passou às mãos da Associação Brasileira, em mãos dessa consolidou uma ótima regulamentação, adequada, baseadas nos muitos anos de práticas. As práticas e os sucessos ditaram, com bom senso, uma adequada regulamentação. O sucesso sempre era enorme. A prova não era técnica mais promocional, tinha por fundamento promover o interesse dos turfistas nos leilões de potros. Tudo deu certo, a arrecadação financeira das inscrições resulta em premiação altíssima, a época de realização escolhida com muita felicidade, a influência sempre muito grande, e anualmente os eventos alcançavam grande repercussão. O sucesso era absoluto. Aos poucos, os pseudos entendidos começaram a fazer alterações.
As duas versões, machos e fêmeas, distribuem enormes prêmios, e começou que deram à Taça de Prata a classificação de Grupo 1, isto é, deram a uma prova de cunho apenas promocional o status de prova técnica. Depois as provas seletivas, que chegaram a ter mais de 90 inscrições de machos e mais de 60 de fêmeas, que eram disputadas em semanas diferentes ocupando as dos machos quase um programa inteiro e a das fêmeas cerca da metade, foram colocados na mesma semana, diminuindo o tempo de promoção e divulgação em função de dar menos trabalho aos dirigentes. As modificações culminaram com a substituição do mais do que aprovado regulamento por outro com características muito diferentes, a rigor é um arremedo da Taça de Prata que a meu ver indevidamente usa o vitorioso nome.
Hoje dá pena, há seletivas até pró–forma, com todos os concorrentes já com direito a serem inscritos na final. É uma outra prova, diferente, fruto de outro regulamento, que usa impropriamente o nome da Taça de Prata. Que a original Taça de Prata fosse marginalizada, e substituída por outra prova com outro nome, em princípio seria um direito da Associação Brasileira, mas o que foi feito não é compreensível.
Esse assunto é mais um que Afonso Burlamaqui, advogado presidente da Associação Brasileira, vai acabar tendo que resolver.
Para influenciar eventuais compradores estrangeiros, os argentinos já há alguns anos, passaram a colocar os partidores cerca de 20 metros antes da seta da distância que marca o início do páreo, e assim, quando os cronômetros são acionados na tal seta, já os animais passam correndo, em velocidade e não de parados, resultando em tempos menores.
Também dentro da mesma filosofia, foram instituídas muitas provas chamadas de Grupo, até 1, para a campanha dos 2 anos de idade. Para o eventual comprador estrangeiro um potro com tempos melhores e com figurações ou mesmo vitórias em provas de Grupo naturalmente representam um incentivo. Essa tapeação já chegou ao Jockey Club de São Paulo, colocação do partidor e provas de Grupo para os 2 anos de idade, fruto da mania de copiar idéias vindas de origens voltadas mais para o mercantilismo, a comercialização, do que a realidade da necessária preocupação maior com a qualidade, a melhoria, a consagração dos realmente bons.
Outra novidade mais recente foi desastrosa. Assim como já havia anteriormente um páreo especialíssimo para a nova geração, no Rio Grande do Sul o Turfe Gaúcho e no Paraná o Turfe Paranaense, foi criada, e bem, promoção similar para o eixo Rio–São Paulo. Em lugar de simplesmente prestigiar as duas promoções estaduais dobrando ou triplicando as premiações locais, a promoção Rio–São Paulo foi transferida, um ano em Curitiba e outro em Porto Alegre. O insucesso era previsível, pois a maioria dos potros pretensiosos nascidos no Rio Grande do Sul e no Paraná são desde logo encaminhados para o eixo Rio–São Paulo, e não teria, nem tem cabimento que esses potros voltem em viagens longas para correrem uma determinada prova, pois se por um lado a premiação é muito boa, por outro o sacrifício físico dos potrinhos seria enorme, ainda mais com a permissibilidade de medicações. Não teria sido mais coerente manter os três eventos, com um aumento substancial da premiação por parte da Associação Brasileira, e dar ao Rio e a São Paulo oportunidades semelhantes?
Há tanta coisa nova que não deu certo, há tanto o que fazer para corrigir.
(Transcrito da Revista Turf Brasil)

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