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O Bento e o Paraná, por Milton Lodi 19/03/2010 - 15h51min
O Jockey Club do Paraná apresentou para as festividades do seu GP Paraná uma proposta diferente daquela do Bento Gonçalves constituída por 4 grandes prêmios. Em lugar do detestável “added”, simplesmente determinou que o valor de cada inscrição corresponderia a 10% (dez por cento) da dotação referente ao proprietário do cavalo vencedor.
É uma taxação forte, mas aceitável nas circunstâncias.
Foi enfoque mais simples, mais adequado, melhor. E quanto a eventuais modificações, o mesmo critério do JCB.
O festival do Bento, além da prova principal, era constituído por um páreo de 1.200m homenageando a Associação Brasileira, 1.600 para o Presidente da República e 2.000 para as éguas, o Roberto Seabra. O Paraná fez diferente. O GP na versão gaúcha para os 1.200, passou a um clássico homenageando a delegação do Jockey Club de São Paulo, clube que através dos anos prestigiou de muitas formas o Jockey Club do Paraná e que é já uma prova tradicional. Isso, em lugar do nome da Associação Brasileira. O correspondente à milha do Presidente da República era um Clássico em homenagem ao Governador do Estado. Os 2.000m para as éguas, que em Porto Alegre foi chamado de Roberto Seabra, no Paraná foi uma prova especial denominada Moyses Lupion. Do festival ainda mais uma prova especial, com nome do benemérito turfista paranaense Ciro Frare em 700 metros. O GP Paraná com 30 mil reais de dotação, os dois clássicos com R$ 9 mil cada e as duas provas especiais com R$ 4 mil cada, todas sem o tal “added” e com taxa de inscrição correspondente a 10% (dez por cento) da dotação do páreo, repito, uma taxação forte mais honesta.
O turfe do Paraná tem a vantagem da maior proximidade com São Paulo, e há um habitual intercâmbio, como também não há a permissividade habitual das corridas no Cristal em relação à ministração dos remédios. Apenas como mero exemplo, um cavalo “carioca” como Don Macanudo pode viajar 900Km para correr no Tarumã em igualdade física com os outros corredores, e isso é determinante contra a outra hipótese, viajar mais de 1.600Km para correr contra cavalos medicados proibitivamente. Não há como negar, não há dúvidas quanto à eventual escolha. Não se trata de críticas mas apenas de observações, pois cada clube deve saber o que lhe é mais conveniente.
O campo do GP Bento Gonçalves de 2009 manteve o seu padrão técnico bem abaixo do desejado, e o do GP Paraná um conjunto de cavalos de boa classe, com habituais boas performances no turfe paulista, um conjunto florido de bons corredores.
O Jockey Club do Paraná, desde o Grande Prêmio do ano anterior, 2008, atravessa momento muito melhor que o do Rio Grande do Sul, com o prado todo reformado, bonito, raia melhor tratada, prêmios melhores, em função também de negócio imobiliário, enquanto que o Jockey Club do Rio Grande do Sul ainda luta sem disponibilidades melhores e no aguardo de também negócio imobiliário.
É uma lástima que os clubes promotores de corridas, no Brasil, estejam em más condições financeiras há tanto tempo.
Mas o Jockey Club do Paraná deu uma lição de técnica e entendimento quando do melhor dia do seu ano em 2009, quando as cinco provas principais não foram objeto do absurdo “added”. Enquanto isso, o JCB passou a cobrar a partir de janeiro de 2010 o tal detestável adicional também nas provas de Grupo 3, ficando assim todos os grandes prêmios da Gávea prejudicados pelo indesejado “added”. Por outro lado. O JCSP ainda piora a situação, pois cobra “added” de todas as provas listadas, quer dizer, acima das provas especiais, todas as provas nobres de São Paulo sofrem o abuso do “added”.
No popular, isso se chama “cumprimentar com chapéu alheio”.
Transcrito da Revista Turf Brasil

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