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Danzig e a diminuição das distâncias, por Sergio Barcellos 09/03/2010 - 11h37min
De tempos em tempos, alguns gênios da criação olham para o panorama geral da atividade, projetam as tendências de evolução da indústria, montam cenários sobre a forma das coisas que virão, e decidem levar para a reprodução determinados indivíduos que a maioria de seus semelhantes provavelmente descartaria. Talvez por isso mesmo, é que sejam considerados os construtores do moderno “thoroughbred.”
O que, em essência, significa escolher bem nesse difícil e arriscado ofício? Que tipo de arte é essa, que unge alguns raríssimos personagens? Depende exatamente de que, o sucesso na atividade de criar?
Jean–Pierre de Gasté responde, ao falar de Tesio: “A criação é a arte da observação. Ela requer a faculdade de compreender os animais, algo que se aproxima muito mais do instinto que da lógica. Mas a criação é também a ciência da genética. E como tal, exige um profundo conhecimento dos pedigrees e das possibilidades de cruzamentos.”
Prossegue: “O chamado “segredo” de Tesio, são 40 anos de trabalho duro e observação, e não uma poção mágica da qual ele era o único a conhecer a fórmula. Talvez, ele tenha sido o homem que mais estudou o puro sangue de corridas, o que mais conhecia as leis da genética, o que mais inovou em matéria de conceitos.”
Mas há exemplos parecidos com os de Tesio entre grandes criadores da segunda metade do século XX, pelo menos no que se refere ao conhecimento dos pedigrees e cruzamentos.
Dois se destacam:
. E. P. Taylor, que sabia perfeitamente o que queria quando foi a Newmarket e usou seu dinheiro para comprar a última égua Hyperion (Lady Angela) coberta por Nearco, os dois monstros sagrados da criação européia, e produzir o sprinter Nearctic (1954), pai de Northern Dancer (1961) e de Icecapade (1969); e
. Arthur “Bull” Hancock Junior, da Clairborne Farm, que levou para a reprodução um animal que somente havia corrido três vezes aos 2 e 3 anos de idade, e jamais vencera sequer uma prova listada.
Pois foi esse animal, ganhador de dois “allowances” e uma “maiden race”, de aprumos duvidosos (quebrou o joelho na terceira apresentação), cujas somas em prêmios não ultrapassavam US$ 32,400, aquele que é hoje o maior continuador do perfil funcional de sua legendária estirpe.
O que Hancock viu em Danzig (1977, por Northern Dancer e Pas de Nom, por AdmiralÂ’s Voyage e Petitioner, por Petition), só ele sabia.
O que nós, simples mortais, sabemos hoje, é que Danzig segue a tendência de alguns fantásticos reprodutores do turfe mundial de produzir animais melhores que eles próprios, que, por sua vez, geram filhos melhores que seus pais, e assim sucessivamente, numa espécie de corrente virtuosa que pode alcançar várias gerações e parece não ter fim.
Castanho escuro, compacto, dorso curto, uma autêntica bola de músculos, ancas de quarto–de–milha, Danzig é considerado um moderno paradigma de velocidade, dotado de um altíssimo percentual de fibras musculares de contração rápida, que ele parece transmitir, praticamente intacto, aos seus descendentes. Para a maioria dos estudiosos, pensar em Danzig, é pensar em músculo. E, talvez, esta seja a sua mais autêntica definição.
Seu treinador, Woody Stephens, tinha dele a melhor das opiniões: “Jamais deixou um outro cavalo colocar a cabeça na frente dele em treinamento.” Suas três únicas saídas à pista, entre 1.100 e 1.400 metros, foram vencidas por nunca menos que seis corpos de diferença.
Hoje em dia, depois que SadlerÂ’s Wells se aposentou (do alto de seus mais de 70 ganhadores de Grupo I...), parte ponderável do sucesso nas pistas do mundo vem de Danzig, desde que sua primeira geração em idade de correr o transformou no líder das estatísticas de pais de 2 anos nos EUA, em 1984 (com apenas 32 produtos gerados).
É dessa primeira fornada, o aparecimento de ChiefÂ’s Crown (em mãe por Secretariat), “Champion 2 Years–Old” nos EUA, e de StephanÂ’s Odissey (em mãe por Gallant Man), ganhador de US$ 1,255,000 em prêmios.
Daí em diante, a incrível seqüência se desenvolve através de cavalos que permanecem na imaginação do mercado e da indústria. A velocíssima Polonia (em mãe por Round Table), eleita melhor potranca de 3 anos da França, nasceu em 1984; em 1986, foi a vez de Danehill (em mãe por His Majesty), “Champion 3 Years–Old” na Inglaterra, e de Polish Precedent (por Buckpasser), melhor potro de 3 anos da França; depois deles, veio Dayjur, em 1987 (em mãe por Mr Prospector), “Horse of the Year” na Inglaterra.
De 1987 em diante, seguiram–se Polish Patriot (mãe por Filiberto), também “Champion 3 Years–Old” na Inglaterra; Versailles Treaty (mãe por Buckpasser), ganhador de US$ 1,271,000; Lure (mãe por Alydar), prêmios de US$ 2,515,000, bicampeão da milha da BreedersÂ’ Cup; Anabaa (mãe por Gay Mecene, e pai de Goldikova, também bicampeã da milha da BreedersÂ’ Cup), “Champion Older Male” da França; e mais Pine Bluff, Elnadim, Pas de Response, Green Desert, Bianconi, etc. etc.
Na entrada deste século, dois filhos de Danzig se destacam na criação mundial, como se tudo fosse uma mera passagem de bastão, em solene reverência à qualidade de seu progenitor: os sprinters Green Desert (1987, por Danzig e Foreign Courtier, por Sir Ivor), e Danehill (1986, por Danzig e Razyana, por His Majesty).
Green Desert e Danehill
De todos os descendentes de Danzig, poucos são tão característicos em termos de modelo físico e forma de atuar quanto Green Desert e Danehill. E ambos foram puros sprinters em campanha, corredores de 1.000 a 1.400 metros. Danehill, quatro vitórias entre 1.200 e 1.400 metros, foi eleito o “Champion 3 Years–Old Sprinter” da Europa, em 1989. E Green Desert, obteve suas 5 vitórias aos 2 e 3 anos, igualmente entre 1.000 e 1.400 metros. Em matéria de distância, nada mais que isso.
Mas é na reprodução que eles brilham. Como veremos a seguir.
. Green Desert produziu uma longa lista de ganhadores de Grupo I, como Desert Prince (em mãe Bustino); o espetacular Cape Cross (em mãe Ahonoora) – dos cavalos mais empolgantes de sua geração, desses que largam correndo, tomam invariavelmente a ponta, e lutam até o último fôlego para não serem ultrapassados; Tamarisk (em mãe Vaguely Noble); Owington (em mãe High Top); Sheikh Albadou (mãe Welsh Pageant); White Heart (mãe Blushing Groom); Absurde (mãe Luthier); Byron (mãe por Woodman) e, mais recentemente, a Oasis Dream (mãe por Dancing Brave), uma das maiores estrelas do parque reprodutor mundial, £ 65,000 a cobertura.
Dos filhos de Green Desert, porém, é Cape Cross, castanho, 1994, considerado o melhor “milheiro de idade” da Inglaterra, em 1999, quem hoje domina a cena. Cape Cross é pai de uma das maravilhas do turfe de nossos dias, o irlandês Sea The Stars (2000 Guineas, Derby de Epsom, Eclipse Stakes, Juddmonte International Stakes, Arco do Triunfo de 2009, entre outros testes), definido pelo seu treinador, John Oxx, como “a máquina de correr perfeita; o ponto culminante a que chegou a criação do puro sangue de corrida depois de 300 anos.” (Euros 85.000 a cobertura em sua primeira estação de monta, estacionado no Gilltown Stud, do Aga Khan).
Para que se tenha uma idéia do prestígio da linhagem Danzig neste mundo de 2010, basta mencionar que dos 24 reprodutores da Darley (leia–se, Sheik Mohammed Al Maktoum) estacionados na Europa, oito deles descendem do cavalo da Clairborne Farm (um terço).
. No que respeita a Danehill, não é preciso ir muito longe. “Inbred” 3 x 3 sobre Natalma, mãe de Northern Dancer, Danehill foi criado por Khalid Abdullah nos EUA e vendido, ao fim de sua campanha na Europa, à sociedade formada pela Coolmore e o australiano Arrowfield Stud. Foi a partir da Austrália, que ele abriu uma estrada luminosa na criação: nove vezes líder das estatísticas de reprodutores na Austrália, três vezes na Inglaterra e na Irlanda; duas vezes na França.
Quando o interesse dos criadores europeus e japoneses pelos seus serviços se tornou evidente (Danehill serviu uma temporada no Japão, em 1996), a Coolmore tornou–se seu único proprietário, pagando a bagatela de US$ 24 milhões pela parte dos antigos sócios australianos (o que o tornou o cavalo mais valioso de toda a longa história da criação naquele país).
Como reprodutor, seu sucesso na Europa foi nada menos que espetacular. Imprimindo um excelente tipo físico aos seus produtos – a maioria deles de grande têmpera, dotada de um genuíno espírito competitivo – Danehill produziu dezenas de campeões, entre eles, a Rock of Gibraltar (10 vitórias, e “Horse of the Year”), Desert King (Derby da Irlanda, pai de Makybe Diva, com três Melbourne Cups em seu cartel), Dylan Thomas (Arco do Triunfo, etc.), Indian Danehill (Prix Ganay, dÂ’Harcout, etc.), Regal Rose (Cheveley Park Stakes, etc.), Dansili (Prix Messidor, etc.), Aquareliste, Banks Hill, Danehill Dancer, Duke of Marmelade, Oratorio, Tiger Hill (“Champion 3 Years–Old” na Alemanha), etc.
Morto num acidente em seu paddock na Irlanda, em maio de 2003, o filho de Danzig gerou, no total, a 2.008 produtos, dos quais 1.545 venceram corridas (76,9%), e 349 são stakes winners (17,4%) nos dois hemisférios.
A notar, que, ambos, Danzig e seu filho Danehill, são animais castanhos dominantes. O que significa, em princípio, não haver alazões em suas descendências. E tordilhos, só se a mãe for tordilha.
Danzig e o Brasil
Até agora, o mais característico Danzig presente em nossa criação é o canadense Shudanz (castanho, 1988, por Danzig Connection e Sister Shu, por Nashua e Levee, por Hill Prince).
Nas pistas do hemisfério norte, Shudanz venceu o Eclipse Handicap (grupo III), em Woodbine; o Fort Harrod Stakes (Grupo III), em Keeneland; e foi segundo no Molson Export Million Stakes (Grupo II), também em Woodbine.
O pai de Shudanz, Danzig Connection (EUA, castanho, 1983, em mãe por Sir Ivor) foi dos melhores Danzigs nas pistas, com 6 vitórias dos 1.100 aos 2.400 metros, e prêmios de US$ 1,442,000. Aos 2 anos, bateu Storm Cat na milha de Meadowlands, NY, EUA, e foi segundo para ele no Young American Stakes (Grupo I), também em Meadowlands. Aos 3 anos, venceu o tradicional Belmont Stakes (Grupo I), terceira prova da tríplice–coroa americana; o Peter Pan Stakes (Grupo I); e o Pegasus Handicap (Grupo I). Freqüentador assíduo da primeira turma do turfe norte–americano em seu tempo, Danzig Connection derrotou cavalos como Ferdinand, Broad Brush, Ogygian, Clear Choice, Parade Marshal, etc.
Levado para a reprodução em 1987 (primeiro nos EUA, e a partir de 1997, na Inglaterra), o perfil funcional de Danzig Connection destoa do de sua linhagem por ter a distância (ele próprio venceu em 2.400 metros, e produziu ganhadores cuja distância média se situa ao redor dos 1.700 metros). As melhores vitórias de Danzig Connection foram obtidas em pistas de areia (Meadowlands, Belmont, etc.).
Encontram–se registrados no Stud Book Brasileiro (até 2009), 484 filhos de Shudanz. Os típicos, são castanhos ou castanhos escuros, tendem à precocidade, e expressam “brilliance” (leia–se, velocidade), seguindo o padrão de seu bisavô famoso. Embora consigam ser efetivos na grama (e são inúmeros os exemplos), adaptam–se especialmente bem às pistas de areia.
Outro bom reprodutor descendente de Danzig entre nós, originalmente de propriedade do Sheik Hamdam Al Maktoum, cujas cores defendeu nas pistas, é o inglês Burroj, castanho, nascido em 1990, por Danzig e Princess Sucree, por Roberto e Queen Sucree, por Ribot, com 528 produtos registrados no Stud Book Brasileiro. Princess Sucree, mãe de Burooj, é irmã materna de Cannonade, ganhador do Kentucky Derby, primeira prova da tríplice coroa americana.
Aos 2 anos de idade, Burooj correu duas vezes em seu país de origem, ambas em 1.400 metros, tendo vencido confortavelmente, na estréia, em Lingfield, batendo a 20 competidores. Na ocasião, foi descrito pelo “Timeform–Racehorses of 1992”, como um “potro grande, forte, com uma ação fluida.” No ano seguinte, 1993, a distância aumentou: correu cinco vezes, abordando percursos entre a milha e os 2.000 metros para obter importantes colocações nos difíceis (na verdade, dificílimos!) handicaps ingleses de peso por idade (dois segundos e um terceiro).
Em 1994, novo aumento da distância, dessa vez para a milha e meia. Venceu em Newmarket, em agosto, e venceu em Doncaster, em setembro. Em Ascot, no tradicional Ascot Handicap, foi um excelente segundo, a um corpo de White Chapel.
Em 1995, tornou–se cavalo de Grupo, e sua cotação no Handicap Livre subiu para 111 libras–peso (cerca de 55 quilos). Naquele ano, venceu o September Stakes (Grupo III 2.200 metros, em Kempton Park), derrotando a Commoner. Ao final da temporada dos 5 anos, foi considerado como um animal que tinha perfeitamente os 2.660 metros. Finalmente, em 1996, novamente sua cotação no Handicap Livre subiu para 118 libras–peso (cerca de 59 quilos). Na temporada em questão, foi segundo, em maio, a pescoço de Riyadian, no importante Jockey Club Stakes (Grupo II, 2.400 metros, Newmarket). Esta foi sua última corrida, tendo sido encaminhado à reprodução depois disso.
O cartel de Burooj mostra que ele venceu 7 vezes. Suas principais atuações incluem as vitórias no September Stakes (citado acima), no Cumberland Lodge Stakes (Grupo III, 2.400 metros), e o segundo, a pescoço de Ryadian, no Jockey Club Stakes (também citado acima).
Importado para o Brasil pelo Haras J.B. Barros, e hoje fazendo a monta no Haras Xará, Burooj já produziu entre nós a excelentes corredores, entre os quais destacam–se: Byzantium (GP Ypiranga, Grupo I, primeira prova da tríplice coroa paulista, em tempo recorde para a milha de Cidade Jardim), posteriormente exportado, invicto, para os EUA; Coquetel (GP Derby Paulista, Grupo I, e GP Taça de Prata, Grupo I, 1.600 metros); Detective (GP Jockey Club de São Paulo, Grupo I, 3.000 metros); Dá–lhe Grisson (GP Paraná, Grupo I); e vários outros ganhadores clássicos como Baccarat (GP Paraná, Grupo I), exportado para Singapura; o elegante tordilho Hot Six (ganhador de Grupo I no Brasil, e digno participante do GP Arco do Triunfo, 2009); Xatte, Yorokobi, Moon Berry, etc.
Danzig, velocidade, e as limitações da distância
Se alguém desejasse um parâmetro para definir a chamada “velocidade americana”, aquela de animais que largam correndo, não distinguem entre treinamento e competição, querem sempre o confronto ao invés de evitá–lo, esse parâmetro bem poderia ser Danzig.
Talvez tenha sido isso que atraiu a atenção de Hancock. É possível. Ou, talvez, sua decisão de levá–lo para a reprodução estivesse ancorada no fascínio que certos animais como ele – aqueles cuja natureza mistura volúpia e fúria – sempre exerceram sobre o espírito humano. Não importa o que tenha sido, Hancock levou para o túmulo o segredo de sua surpreendente escolha.
Ocorre que até bem pouco tempo, havia limitações para cavalos desse tipo. E as limitações, no caso, se referiam à amplitude das distâncias. Tivesse aparecido na alvorada do “thoroughbred”, em que os animais disputavam corridas de, no mínimo, 4 milhas, Danzig não teria a menor e mais remota chance de sucesso.
Tampouco, teria chance na primeira metade do século XX, e pelo menos até o início da década de 1960, quando os maiores prêmios, e as provas que davam fama e prestígio a um puro sangue estavam além da milha e meia. Uma época em que grandes galopadores como Tenerani, Boticelli, Caracalla, Marsyas, Macip, Migoli, Scratch, Pardal, Elpenor, Admiral Drake, Arbar, Pan, e outros notáveis stayers, dominavam o turfe europeu.
Mas o mundo dos homens mudou rapidamente depois da II Guerra Mundial. E com ele, o microcosmo do mundo do cavalo de corridas. O turfe virou progressivamente indústria, globalizou–se, e o puro sangue hoje é visto como uma “commodity” qualquer. Como tal, ele tem que ser construído de forma a devolver, o mais rapidamente possível, o investimento em sua criação, ganhar e continuar em evidência, ou ser descartado e desaparecer incógnito na irrelevância de hipódromos auxiliares.
Animais no limiar dos 3 anos e meio, 4 anos de idade, que há 50 anos atrás estavam apenas iniciando sua carreira nas pistas, hoje as estão encerrando.
A grande mudança, porém, apenas começou; e não se refere somente à estrutura econômica da indústria como um todo, mas se materializa na tendência ao progressivo encurtamento das distâncias das principais provas de Grupo nos grandes centros do hemisfério norte.
Na França, quem diria, o Prix du Jockey Club, Derby francês, foi recentemente amputado em nada menos que 300 metros, e hoje é corrido em 2.100 metros; nos EUA, por sua vez, tradicionais provas de Grupo I, como o Mother Goose Stakes e o Suburban Handicap, vêm sendo alteradas sempre para menos, nunca para mais distância.
Neste contexto, é de supor que a linhagem Danzig tenda a solidificar sua importância nos anos que virão. Simplesmente, porque Danzig e seus descendentes, de que são exemplos Green Desert e Danehill – bem assim os descendentes destes – são indivíduos cuja natureza, modelo, e perfil funcional, se adaptam inteiramente ao mundo em que vivemos, e não ao contrário.
Quando o investimento árabe, representado pelos “rulers” do Dubai e da Arábia Saudita, dá–se ao luxo de acumular, na Darley, na Shadwell, e na Juddmonte Farm, o sangue em questão; quando a criação Aga Khan se rende a Cape Cross e estaciona Sea The Stars no Gilltown Stud (e antes disso, já tinha produzido Sinndar a partir das mesmas origens); quando a poderosa Coolmore Irlanda não hesita em oferecer aos seus clientes um verdadeiro “sambaqui” de Danzigs – dos 21 reprodutores hoje estacionados pela Coolmore na Europa, nada menos que estonteantes 13 garanhões descendem dele, a saber: Ad Valorem, Aussie Rules, Danehill Dancer, Duke of Marmelade, Dylan Thomas, Fastnet Rock, Holy Roman Empire, Ivan Denisovich, Master Craftsman, Oratorio, Rock of Gibraltar, Strategic Prince, e Choisir – quando tudo isso acontece, tem–se que parar e meditar a respeito.
E, talvez, concluir que é nessa direção que hoje caminha a moderna indústria internacional do cavalo de corridas. Nem em seus sonhos mais delirantes, Arthur Hancock Junior poderia imaginar ter acertado tanto...
Enfim, quando se olha para Danzig, e constata–se que ele é nada mais, nada menos, que Nearco–Nearctic–Northern Dancer, acaba–se dando razão a Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que em seu fantástico “Il Gattopardo” ensina: “Tudo tem que mudar, para permanecer como é.”
Newsletter da APFTurfe de 07/03/2010

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