




Colunista:
José Cid Campelo F°, um apaixonado pelo turfe 15/07/2008 - 18h33min
eja pela
relação custo benefício ou por falta de renovação, o turfe no Brasil, em alguns segmentos, se torna, a cada dia,
uma atividade mais fragmentada e enfraquecida. Vivemos numa rotina onde grandes centros criatórios liquidam seus
plantéis, atitude, também tomada por tradicionais coudelarias que, diante de tamanhas dificuldades, não encontram
outra solução que não seja, se desfazer de tudo e dizer chega.
Porém, na contramão destas tendências,
surgem casos, ainda que raros, de pequenos proprietários e investidores do turfe, que alcançaram resultados
surpreendentemente rápidos e de grande expressão. Um deles, o advogado José Cid Campelo Filho, que mantém animais
no Tarumã e em Cidade Jardim, dos quais se destaca o excelente Sorrentino, gentilmente, concedeu uma entrevista ao
Raia Leve, falando sobre sua rápida e vitoriosa trajetória dentro do
turfe.
Como aconteceram os seus primeiros “passos” dentro do turfe?
– Bem,
meu pai e meu avô possuíam fortes laços com as corridas de cavalo e, esta relação, já era estabelecida antes mesmo
da primeira metade do século passado. Após muitos anos como proprietários, eles fundaram, na década de setenta, o
Haras Centenário, com o qual obtivemos bons resultados e nosso principal crioulo, o castanho Green Dream, em 1984.
venceu o GP ABCPCC, prova internacional, do Grupo 1, disputada em Cidade Jardim.
E depois, sua
ligação com as corridas, foi ininterrupta?
– De certo modo não. Com o encerramento das
atividades do Haras Centenário, eu continuei a acompanhar o turfe e dei início à minha atividade de proprietário.
Porém, em decorrência de muitos compromissos profissionais, acabei diminuindo o número de animais. As aquisições
foram se tornando esporádicas, algumas delas em sociedade, como no caso do Stud Les Paxá 74, do qual participo em
alguns cavalos, até os dias de hoje. A relação com as carreiras se tornava cada vez mais distante, até que em
2005, na Arena da Baixada, durante um jogo do Atlético Paranaense, eu encontrei o Beto Feltran, e pedi a ele que
me arrumasse um potrinho. E o tal potro acabou sendo o Fogonaroupa, que foi minha primeira aquisição, neste meu
retorno efetivo.
Então, logo na sua primeira compra, após um bom tempo, você adquiriu um
ganhador de Grupo 1. Na continuidade do processo vieram resultados ainda mais expressivos, você esperava tudo
isso?
– Claro que todo proprietário sonha e almeja vencer clássico atrás de clássico, mas o
caminho não é tão fácil como parece, após as conquistas surgirem. Seria muita pretensão, dizer que eu estava
esperando aquilo tudo. No mesmo ano que adquiri o Fogonaroupa, que me presentearia em 2006 com o Grupo 1 do GP
Paraná, comprei, em sociedade, o Ouro do Porã, um tordilho que obteve diversas colocações clássicas aqui em
Curitiba. Ou seja, nas duas únicas compras naquele ano, obtivemos sucesso em provas nobres. Na geração seguinte,
em que cinco produtos foram adquiridos, três conseguiram alcançar a esfera clássica. A Galheta venceu a prova das
éguas do GP Paraná, no ano passado, o Galardão secundou o By Spot, no GP Antenor de Lara Campos (Grupo II), também
em 2007 e, no mesmo ano, vencemos prova graduada em Cidade Jardim com o Ricocó, que na condição de invicto,
através de duas saídas, foi exportado para Cingapura. Por sinal, no mês passado, venceu sua primeira corrida
naquele país.
E na seqüência, como foi?
– Motivado, principalmente, pelos
ótimos resultados e pela exportação do Ricocó, acabei saindo da linha. Adquiri mais de doze animais, fugindo da
minha realidade. Posteriormente, com os pés no chão, decidi vender boa parte deste lote. Dentre estes animais,
surgiram bons valores, como o Hino Nacional, que estreou com vitória clássica, em Cidade Jardim, e o Agasias, que
já freqüenta as principais carreiras da sua geração, no mesmo hipódromo. Porém, o Beto me pediu, para que eu não
me desfizesse de um animal em específico. Dizia ele ter um craque na mão. O nome da“figura” era Sorrentino que,
acho, dispensa maiores apresentações, afinal, não é qualquer potro que vence o Grande Prêmio J.Adhemar de Ameida
Prado (Grupo I), a Taça de Prata.
Cidinho, existe alguma “fórmula”, algum macete, uma linha de
raciocínio em específico, para conseguir vencer no turfe?
– O turfe é um esporte no qual,
definitivamente, a lógica não é uma constante. Para que consigamos obter êxito neste meio, precisamos de muita
sorte e de uma boa base profissional. O Beto, tanto no treinamento, quanto na seleção dos meus cavalos, sempre se
mostrou um profissional de padrão excepcional. Devo muito dos meus resultados, aos meus sócios, os irmãos
Fernandes, que sempre estiveram ali, do meu lado. As vitórias são a soma de uma série de fatores, que fazem das
corridas de cavalo, um universo tão apaixonante.
por Victor
Corrêa

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