



Colunista:
O dever de levar adiante, por Luiz F. Dannemann 12/06/2008 - 01h17min
Tenho lido nessas últimas horas uma enorme manifestação de solidariedade aqui no Raia Leve. Certamente a maior
que esse Jockey conheceu nos últimos anos. O projeto que nos faz juntos pela memória do amigo, reforça o programa
de promover a continuidade do nosso pensamento em que pese algumas diferenças. Não seria hora de dispensar
qualquer automóvel nem tão pouco abandonar o posto coerente e responsável da não isenção aos que porventura se
isentem.
A preguiça, palavra encontrada por Luis Felipe, sugere a existência de fracos, escondidos sob
a sombra das amendoeiras do clube imaginando estender uma mão que nunca foi apertada. A mão daqueles que a
oferecem, espelham apenas mais uma individualidade, dentre as muitas que foram se habitando por aqui e que
transformaram o Jockey Club nessa triste condição de equilibrista pela corda bamba que vem sendo estendida entre o
Jardim Botânico e a Lagoa Rodrigo de Freitas. O clube estica também com a mão dolorida a urna de inscrições do
hipódromo como os empobrecidos avançam os seus copos aos que passam, cada vez mais escassos de boa água.
Ocorre que essa tentativa de oferecimento obedece a mesma antiga pratica que reina há muitos anos na
nossa combalida “Dinamarca”. Não está relacionada a nenhuma possibilidade de sucesso, não tem qualquer valor
objetivo a agregar, não irá trazer ao novo presidente sequer uma lanterna, nesse imenso espaço escuro em que ele
se encontra metido, somente aumentará o número dos já enfileirados por uma causa própria qualquer, ocupando
espaços preciosos por um tempo, que embora determinado, possa ser definitivo.
Porem, alguma sorte se
encaminhou em direção aos sócios desse clube que jamais os fará evocar a orfandade. Eles foram surpreendidos com o
sentimento de paternidade, provocado pela eclosão colorida de muitos bonecos desenhados, desfilando juntos por
inatingíveis mídias, tão distantes quanto abandonadas da nossa realidade. O simples fato do clube se apresentar
como sendo um bem valioso e cobiçado aos olhos de tantos desconhecidos, poderá lhe trazer algo de claro ao fim
desse túnel, e assim ver alterado o roteiro escrito com muita infelicidade por tanta gente ruim, a maioria que
torce, (não como o ZIG), para que papai do céu o leve antes que o clube acabe, com tanto que possa festejar a
existência de um páreo qualquer até fim de seus dias, alinhado no mais completo egoísmo possível.
Dessa
experiência furta–cor, ao lado, por causa, e em torno de ZIG talvez nasça, com a sua partida, um novo certame, uma
nova esperança, de que recuperemos ao menos a alegria que perdemos por tantas horas agora, e que o fez por tantos
anos forte a frente desse Raia Leve. Diante de uma luta que não se isola, surge a obrigação de
receber dele o “bastão” como algo que não sabemos exatamente aonde vai, mas que temos o dever de levar
adiante...

[ Escolher outro colunista ]


|