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Adeus amigo, por Victor Corrêa 11/06/2008 - 00h20min
Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para estar
escrevendo este texto. Afinal, o meu contato com o nosso Zig, se limitou, por um triste acaso do destino, a
um período de pouco mais de um ano. Muitos poderiam redigir estas linhas com muito mais embasamento, com
sentimentos mais aflorados, porém, a sensação de dor e perda neste momento parece agir de forma intensa e uniforme
sobre os nossos corações. Então, é através destas palavras, que venho prestar minhas reverências ao homem que
deixou em estado de luto o turfe brasileiro, nesta triste e amarga terça–feira, 10 de junho de
2008. Em abril do ano passado, surgiu–me o convite para ingressar na equipe do Raia Leve. Leitor
assíduo do site desde seus primórdios, me recordo com facilidade do primeiro telefonema que recebi do Zig. Eu
estava radiante com a oportunidade de passar a trabalhar no conceituado endereço eletrônico, mas não imaginava
àquela altura, que o detentor daquela fala mansa embalada pelo típico sotaque carioca no outro lado da linha,
pudesse vir a se tornar um grande amigo. Um amigo pelo qual desenvolvi grande apreço e admiração ao longo destes
quatorze meses de convívio. Um amigo cuja partida inesperada acabou deixando uma grande lacuna em nossas
vidas. Como colaborador do Raia Leve, posso dizer que absorvi valorosos ensinamentos deste fervoroso
torcedor do Fluminense. Entre meus tropeços e acertos, aprendi com ele que não podemos nos deixar atingir por
agressões barata, mas que é de extrema importância ficarmos atentos à crítica construtiva, para extrairmos dela,
os elementos necessários à nossa evolução profissional. Pude aprender muito com cada uma de suas matérias, ricas
em detalhes, sempre buscando a perfeição. Entusiasta do turfe, deixou a vida, lutando para que as corridas no
Brasil retomassem o seu merecido espaço. Que adotemos então este compromisso, de lutarmos, dia após dia, pelo
“Esporte dos Reis” em nosso país. Como pessoa, digo que fui um privilegiado ao mirar sua conduta a
cada dia que se passava. Abre parênteses. Sempre acreditar em seus sonhos. E buscar a realização dos mesmos
através de atos simples, porém genuínos e objetivos. Este, creio que foi o legado mais importante que ele deixou,
não só a mim, mas a todos nós. Fecha parênteses. Tratando com a costumeira e cativante cordialidade a seus
companheiros, superiores ou subordinados, era sem dúvida alguma, dono de uma índole exemplar e de uma mente
brilhante e talentosa. Bem, para falar a verdade, a ficha ainda não caiu direito. Um turbilhão de
emoções correu a todos nós num intervalo de tempo muito curto. A angústia que me tomava desde quando a Karol me
avisou que o nosso Zig havia sido internado às pressas, e que só fez aumentar nas conversas pelo telefone com os
incansáveis Marco Aurélio e Jair Balla, foi substituída por um pavor instantâneo quando chegou a meu ouvido, a
notícia de seu falecimento. Porém a dor não foi maior do que o desejo de dar nosso último aceno. O último aceno a
uma alma abençoada por Deus e que tinha na perseverança, a sua essência. As lágrimas doem ao escorrer e as
saudades ficarão marcadas para sempre em nossos corações. Porém, estufamos o peito para com orgulho agradecer por
tudo e, assim dizer: Adeus amigo!
“A coragem nunca foi questão de músculos. Ela é uma questão de
coração. O músculo mais duro treme diante de um medo imaginário. Foi o coração que pôs o músculo a
tremer”.
Mahatma Ghandi

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