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Colunista:

Para o amigo Zig, por Renato Gameiro
10/06/2008 - 18h08min

Muitas vezes não entendo certas ironias da vida. Concordo que muitas vezes Deus escreve certo por linhas tortas. Aceito até, que existe um ciclo natural, onde a gente nasce, vive e morre. E durante o período em que se mantém na terra, procura dar o que melhor existe em si, dentro daquilo em que se acredita. Mas quando alguém junto a você, desaparece, nesta roleta que é a vida, você se sente traído. É como me sinto neste momento.

Zig sempre acreditou naquilo que fazia e empunhou bandeiras que muitos não teriam ousadia de empunhar. Integrava–se de corpo e alma nas batalhas que acreditava serem suas e, sempre de uma forma sagaz, expressava–se com a força de sua caneta e dava o seu recado. Querido por uns, odiado por outros, ele simplesmente marcou sua passagem por aqui, deixando claro seus pontos de vista. Isto é a marca daqueles que de alguma forma tocam os seus semelhantes.

Lúcio Cardoso uma vez escreveu: “Que é Deus, o para sempre – o eco duro e pomposo dessa expressão ecoando através dos despovoados corredores da alma – o para sempre que na verdade nada significa, e nem mesmo é uma átimo visível no instante em que o supomos, e no entanto é o nosso único bem, porque a única coisa definitiva no parco vocabulário de nossas possibilidades terrenas”.

Temos que acreditar no para sempre, liberto de qualquer contingência. Ele na verdade é o combustível de nossa existência. A busca do constantemente inatíngido. Como nosso amigo comum, o cajueiro do Pirangi, uma anomalia genética que nos fez trocar e–mails. Zig tinha muito desta árvore gigantesca no tocante a sua forma de crescer. Ao tocar o solo, os galhos do cajueiro de Pirangi, começam a criar raízes e passam a crescer novamente, como se fossem troncos de uma nova árvore. Zig, em tudo que tocava com sua pena, fazia crescer algo.

Inútil tentar relembrar aquilo que fomos, ou mesmo o que seríamos se mais tempo tivéssemos para desfrutar. Contudo, cintila em mim a irremovível verdade que temos uma obrigação por nossa passagem e que Zig, a tinha e a cumpriu.

Não o senti bem em nosso último encontro após a disputa do GP São Paulo. Mas, demonstrava estar imune a destruição. Conversamos no lobby de seu hotel. Parecia na verdade triste, porém longe de estar desmotivado. Sentia que sua luta do momento não seria vencida. Outrossim, aquela nova batalha lavrava em seu íntimo a necessidade de uma grande mudança. Apresentou–me seus planos para o futuro do Raia Leve. Pediu por minha colaboração, pois, tinha certeza que, embora a batalha pudesse ser perdida, na semana seguinte, havia toda uma guerra a ser ganha com o passar do tempo. Atribuí seu estado para com a luta que vinha travando pela vitória da oposição nas eleições da Gávea. Todavia, hoje, vejo que havia muito mais por trás de tudo que suponha saber.

Que Zig continue em seu caminho. Um caminho sem inicio e sem fim. O caminho perpétuo daqueles que acreditam que mais coisas devem ser feitas e que a perfeição é um sonho de inexprimível tristeza, por ser inatingível.

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