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Os ramos de Claudio: o Claudio
Ramos 10/05/2008 - 04h36min
Os ramos de Claudio: o Claudio Ramos
Desculpem o
trocadilho, entre Ramos, sobrenome; e ramos no sentido de parentesco. Resultado inevitável da combinação entre
minha especialidade genealógica, e meu espírito jocoso. Em qualquer sentido, a verdade é que a candidatura de
Claudio Ramos à presidência do Jockey Club Brasileiro surge como a salvação da lavoura carioca. Não apenas da
carioca, mas, pela sinergia com as recuperadas entidades paranaense e paulista, do turfe nacional. E mais
importante, da sua criação.
Homem simpático e acessível, tive o prazer de conhecê–lo no leilão do Santa
Rita da Serra, dia 7 último, no JCB. Devido à minha pessoal intimidade com a história geográfica da singular
família Ramos, fujo à Hipologia pura e venho aqui interagir com os leitores nesse tema sócio– político, mas
permeado pelo turfe.
Diz–se que se os norte–americanos adotassem a monarquia, certamente sua família
escolhida seria a Kennedy. Pois eu asseguro que, se Santa Catarina fosse um país monárquico, sua família real
seria a Ramos.
Na verdade, não sei se é do conhecimento de nosso candidato, mas os Ramos de Lages/SC, em
realidade, não são Ramos: são Coelho. Mateus José Coelho veio da Ilha dos Açores, Portugal, lá por 1750. Na atual
Biguaçu, cidade metropolitana de Florianópolis, teve um filho nascido num Domingo de Ramos, dia santo católico,
que resolveu batizar como Laureano Ramos. Esse Laureano, após uma incursão pelo Paraná, ao dirigir–se para o Rio
Grande do Sul, passou pela região da Coxilha Rica, em Lages, e encantou–se por ela. Sua singular biodiversidade,
com campos, matas, pinheirais e rios cristalinos, fizeram–no adquirir uma fazenda abandonada ali, a Guarda–Mor e
requerer outras terras da Coroa. Em 1821, nasceu seu filho Vidal Ramos (sênior), homem de imensa visão e energia,
que mais tarde viria a se transformar no representante do Imperador Dom Pedro II na região.
Formou um
império pecuário, e promoveu a evolução da cidade, um dos mais importantes entrepostos dos tropeiros que iam do
Sul para o Sudeste. Combateu duramente os Federalistas na Revolução de mesmo nome, e da Coxilha Rica, que é um dos
lugares mais remotos do estado, fez um filho Governador do Estado; dois netos governadores; um filho prefeito,
quase vitalício de Lages; e um neto também prefeito daquela cidade serrana.
Como se não bastasse, teve
um filho Presidente da República, Nereu Ramos. Celso Ramos, um dos governadores, irmão de Nereu, ao que consta,
primo de Claudio Ramos, é considerado por muitos versados como o melhor governador que o Estado Barriga Verde já
teve. E foi com ele que a família entra no Turfe.
Na década de 20, importou da Inglaterra um reprodutor
de finíssima linhagem, Gowan,1915, por Neil Gow (Marco) e Pink Clover, por Melton. Em sua fazenda Pinheiro Seco,
esse Gowan, semeou os melhores mestiços que aquelas coxilhas de tradição “cuadrera” já viram. Pela Fazenda
Pinheiro Seco, hoje em mãos de outra família, esse que vos escreve passou muitas vezes em suas tropeadas juvenis.
A última delas durou cinco dias, com gado magro, em agosto de 1993, por quase 200km. Ali cresci e me graduei em
zootecnia prática, visto que uma das sedes mais antigas da família Ramos, hoje pertence à minha família, a Fazenda
do Cadete. Finalizando o relato histórico, antes que os turfistas mais impacientes nos abandonem; muito próximo da
fazenda Pinheiro Seco, nasceu a maior heroína brasileira, Anita Garibaldi. Essa Joana DÂ’Arc lageana, combateu
duramente em revoluções no Brasil e na Itália, onde promoveu a Reunificação Italiana, culminada em 1871. Mas bah!
Que região prolífica...rsrs.
Urge o turfe brasileiro por mudanças político–administrativas em suas
entidades. No Jockey Club de São Paulo, a administração Novo Jockey trouxe fôlego à poderosa entidade que
agonizava. No Jockey Club do Paraná, a mais antiga do Brasil, uma diretoria jovem, com vontade de fazer turfe,
está realizando a mais fantástica recuperação que já vimos num JC brasileiro. Mesmo que para isso, tivesse de
lançar mão de ações tão drásticas quanto necessárias, como a venda de patrimônio ocioso.
No Jockey Club
Brasileiro, ainda a “menos fraca” de nossas quatro entidades oficiais do setor, uma administração voltada para o
cavalo, como manda o estatuto do clube, não mais pode esperar. Essa é a hora em que todo associado carioca poderá
fazer sua parte, por meio do voto. Que o façam... O turfe brasileiro agradece.
por
Max Wolff

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