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Setembro | 2011

A visita do Almirante Cochrane em 1889, por Paulo Gama
01/09/2011 - 11h39min

battleships-cruisers.co.uk

O encouraçado chileno Almirante Cochrane

“Não é possível que a crise ministerial, que os jornais anunciam, venha do lado da terra. Ela sopra do mar, terrível como um pampeiro, destruindo rebanhos de carneiros, diluindo rochas, levantando forte ressaca, até nas muralhas do forte de Corumbá!” A citação do jornal “Cidade do Rio”, no dia 29 de outubro de 1889, resume com ironia e espirituosidade os três meses de permanência do encouraçado chileno Almirante Cochrane no Rio de Janeiro. A visita da fina nata da marinha do Chile, de outubro a dezembro, foi repleta de atividades sociais, bailes, recepções e homenagens recíprocas com as autoridades brasileiras. Nem mesmo a proclamação da República, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, interrompeu as festas. Prosseguiram os brindes com o Vins Madére e os biscuits assortis, do requintado cardápio do Derby Club.

Mas os oficiais chilenos não foram às corridas de cavalos apenas para saborear o delicado lunch com duchesses de veau, petis patés aux anchois, crevettes farcies, veau rôti et dinde à la brésilenne. Durante estes meses de visita ao Brasil, eles tiveram a oportunidade de ver em ação alguns dos melhores puros-sangues, cujas correntes sangüíneas teriam papel de destaque na história do turfe brasileiro. A corrida do dia 27 de outubro de 1889, denominada pelo Derby Club “Homenagem a Nação Chilena” foi um dos muitos fatos importantes daquela temporada. O páreo principal, sexto do programa, Handcap Chile-Brasil, foi vencido pela égua inglesa Eile, de propriedade da Coudelaria Hannoveriana.

A reunião turfística em homenagem aos oficiais chilenos do encouraçado Almirante Cochrane recebeu espaço de destaque nos jornais da época. O periódico “O Jockey”, por exemplo, classificou de assombrosa a corrida que o Derby realizou. Diz o texto: ”Uma concorrência excepcional encheu as arquibancadas da nossa alta sociedade. As mais finas toilettes emolduraram corpos graciosos e perfumados a heliotrópio e a malva. Chapéus arabescados de rendas e fitas flamboyantes, estridentes, coroando cabeças louras de madonas místicas e cismadas, e estrelejando de graça primorosa as luzidias tranças negras, cujo perfume lembra uma floresta de sândalo incendiada. Róseos bebês, desempenados e garbosos rapazes, de grosso bengalão e monóculo rutilante ao olho, Mefistófeles esportivos, o Bilac, o adorável e harmonioso poeta, davam um aspecto fenomenal e deslumbrante a arquibancada”.

A coluna prossegue referindo-se a pelouse, onde, segundo o texto, “fervilhavam os apostadores, suando as brancas camisas sob um sol de 36 graus centígrados”. Sobre a corrida, em si, O Jockey não mede elogios à ganhadora, a égua inglesa Eile. ”Tudo se deu na melhor ordem, sendo o supremo encanto da corrida o sexto páreo Chile-Brasil do qual foi vencedora a nervosa e incomparável égua Eile, de coudelaria Hannoveriana, da qual oferecemos nítida estampa na primeira página. Eile foi admiravelmente bem dirigida por seu jóquei – o Daniel, que a guiou com mão firme de mestre.

O jornal O Dia, de 28 de outubro de 1889, também faz ampla cobertura do evento. Destaca, entre outras coisas, a placa de ouro entregue pelo presidente do Derby Club, Dr. Frontin, ao comandante do encouraçado Almirante Cochrane, D. Constantino Bannen. A lâmina, em forma de um cartão de visitas, traz em um dos cantos um brilhante com a seguinte inscrição: “A briosa oficialidade do encouraçado chileno Almirante Cochrane, na pessoa do seu distinto comandante D. Constantino Bannen, homenagem do Derby-Club – Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1889”.

O TURFE DA ÉPOCA

Segundo o livro “A história do turf no Brasil”, de Tomás Rabelo, em 1889 foram disputadas 17 corridas no Derby-Club e foram distribuídos 236:161$910 mil réis. Além da prova já citada anteriormente, o Handcap Chile-Brasil, páreo extraordinário, merecem destaque dois Grandes Prêmios: o Quinze de Novembro, disputado no dia oito de dezembro, menos de um mês depois da proclamação da República e o Grande Prêmio Rio de Janeiro, disputado no dia 14 de julho, comemorando o 1º centenário da Revolução Francesa.

A diretoria do Derby-Club, que classificou a data como a mais grandiosa da história da humanidade, organizou extraordinária festa para comemorá-la. O objetivo dos dirigentes da época foi demonstrar aos turfistas e ao público em geral a importância do acontecimento. Foram utilizados todos os esforços para que a reunião comemorativa estivesse à altura do esplendor da data.

A área do prado foi toda enfeitada, com destaque para as bandeiras francesas, colocadas em diversos lugares. No mastro do centro tremularam bandeiras de diversos países simbolizando o respeito de todos à liberdade e à justiça. O programa da corrida foi elaborado com carinho e a principal prova do calendário, o Grande Prêmio Rio de Janeiro, incluído na reunião. Foram inscritos os melhores cavalos em atividade na cidade.

A presença de público até então inédito ao prado mostrou a sensibilidade das diversas camadas da sociedade em saudar o centenário do importante fato político que simbolizou o padrão de igualdade e dos direitos humanos. E por coincidência, a vitória ficou com Huguenotte, um cavalo de origem francesa, que derrotou com firmeza os ingleses Phlegeton e Daybreack. Os prêmios aos ganhadores foram pagos em moeda francesa, com 1000.000 francos ao proprietário do ganhador. O clássico movimentou em apostas 80.960 mil réis.

POLÍTICA

O presidente do Jockey Club em 1889, Dr. Vieira Souto, teve que enfrentar pesadas críticas do ex-secretário, Paulo Pfaltzgraff. O dirigente condenou os gastos da diretoria, acima de 2:000$000 mil réis, que segundo ele não foram autorizados por uma assembléia geral. Pfaltzgraff comparou Vieira Souto a Napoleão e solicitou ao Jockey Club que se livrasse dele e de sua diretoria: “Ele entrou todo garboso, dispondo de tudo e de todos, como Napoleão”.

Vieira Souto não se abalou e respondeu aos sócios: “Não sei se ao entrar o fiz como Napoleão, porém garanto que vou me retirar tão abatido e desgostoso com as traições e ciladas mesquinhas de que tenho sido vítima, como Napoleão quando se retirou para Santa Helena”. O discurso do presidente surtiu efeito. Na assembléia geral, o conselho fiscal aprovou as contas, a diretoria foi toda reeleita e um abaixo assinado de 21 sócios propôs a sociedade colocar no lugar de honra do salão o retrato, a óleo, do presidente. O retrato foi inaugurado no dia 21 de agosto, dia do aniversário de Vieira Souto, na presença da imprensa, da diretoria, dos sócios e amigos do homenageado.

Entre os melhoramentos realizados no prado – localizado na mesma área onde hoje fica o Estádio do Maracanã – durante a temporada de 1889 destacou-se o novo quiosque para os juízes de chegada. Foi substituída também boa parte da cerca interna por outra de tela metálica. A despesa com as obras chegou a 14:178$025 mil réis. Outras iniciativas fortaleceram o turfe da época. O Stud Book recebeu inscrições de 186 animais e 75 estrangeiros. Os jóqueis e empregados das coudelarias foram matriculados e tiveram sua situação profissional regularizada.

BOOKMAKERS

O jogo clandestino operava com intensidade há 100 anos. O movimento de apostas, considerado abaixo da expectativa, pela diretoria do Jockey Club teve o mau resultado atribuído a constante ação dos bookmakers daquela época. A postura em 1889 foi a de combater o jogo clandestino a todo custo, ao contrário dos dirigentes dos anos 80, que não conseguindo enfrentá-lo, liberaram um local especial para que funcionem nas dependências do prado. Os banqueiros operavam livremente na tribuna geral desde que não incomodassem os apostadores das demais arquibancadas.

A partir do mês de abril de 1889, os dirigentes do Jockey firmaram contrato com alguns negociantes de bilhetes de loteria para a venda de poules no prado. A medida, entretanto, não surtiu efeito. Os apostadores continuaram dando preferência aos clandestinos. Os negociantes acabaram desistindo e não renovaram o contrato. A urgência de resolver este impasse obrigou os dirigentes do Jockey a alugar o armazém do prédio da Rua do Ouvidor, número 133. Ali passaram a ser vendidas poules nas vésperas e nos dias de corridas. A agência operou com sucesso de julho a outubro, mas deixou de funcionar porque a política determinou o fechamento das casas dos bookmakers. Os clandestinos recorreram a Justiça, que manteve a decisão da política.

O destaque entre os jóqueis na temporada de 1889 foi Francisco Luiz, que faturou a quantia de 1:250$000 mil réis com as 18 vitórias obtidas durante o ano. O turfe tinha então 28 ginetes e Luiz além de liderar em vitórias e prêmios, terminou a temporada sem sofrer qualquer punição por delito de raia. A diretoria do Jockey Club o considerou apto a competir com os melhores profissionais da Europa. Entre os proprietários liderou a estatística de 1889 a Coudelaria Cruzeiro, que arrecadou em prêmios 26:520$000 mil réis. No Stud Book, cartórios de registro de identidade dos puros-sangues, foram inscritos 186 cavalos nacionais e 75 estrangeiros.

SALVE O CHILE

Em meio a este fervilhante ano turfístico, a cidade do Rio de Janeiro recebeu a visita do encouraçado chileno, Almirante Cochrane. Durante um período de três meses, os oficiais da marinha, comandados por D. Constantino Bannen participaram das mais variadas atividades sociais. O Diário de Notícias do dia 21 de novembro – depois da proclamação da República – retrata com detalhes as homenagens da diretoria do Jockey Club aos chilenos:

Às 3 horas da tarde, uma comissão de diretores do Jockey Club dirigiu-se ao Clube Naval, onde estavam os oficiais chilenos, e pouco depois eram recebidos no salão de honra da secretaria, por muitas pessoas, inclusive representantes da imprensa, que ali se achavam e ao som do hino chileno, executado pela banda do 10º batalhão. Prossegue o Diário de Notícias: “Depois de amistosos cumprimentos e íntima conversação, foi entregue ao comandante Bannen o álbum para retratos e o par de jarras, objeto de gosto, que estiveram expostos há dias e dos quais já fizemos minuciosa descrição, a ele ofertado e a sua exma esposa. O álbum tem na capa seguinte inscrição gravada: “Salve povo chileno! Salve nação amiga! ”e nas três primeiras páginas colocou a diretoria as fotografias do comandante Bannen, do seu filhinho de um ano e da esposa. Por último foi servido um delicado lunch e champagne, quando o cidadão Dr. Vieira Souto, na sua linguagem fluente e altaneira, mais uma vez extremou o amor fraternal que liga as duas nações, hoje irmãs e sempre amigas”.

O periódico “Novidades”, numa edição também do mês de novembro, relata a festa no Asilo dos Meninos Desvalidos em homenagem aos chilenos. Com a magnificiência que era de se esperar, realizou-se ontem a festa dada pelo Asilo dos Meninos Desvalidos em homenagem aos ilustres oficiais do encouraçado Almirante Cochrane. Os salões regurgitaram de distintas senhoras e cavalheiros, notando-se entre estes, representantes do exército, armada, comércio e imprensa. Às 8 horas da noite partiu da Rua Uruguaiana, um bonde especial, com os distintos hóspedes sendo recebidos à porta do asilo pelo diretor e os membros superiores daquele estabelecimento.

A festa começou pelo Hino Universal executado por uma banda de 80 figuras, seguindo-se outras peças e recitação de poesias pelas gentis crianças Marieta Pizarro, Julieta Pizarro e João Pizarro. Terminada a parte musical e literária, começou o baile com extraordinária animação até pela madrugada, no meio das mais entusiásticas aclamações aos dignos oficiais chilenos e à sua pátria. O grande espaço ocupado na imprensa da época pelos oficiais da marinha chilena se justificava plenamente. Afinal, foram recebidos com todas as honras pelas autoridades brasileiras e o encouraçado Almirante Cochrane recebeu a visita do próprio imperador.

O Diário de Notícias relata na coluna intitulada Nossos Hóspedes, detalhes deste acontecimento.  Sua Majestade, o Imperador, Suas Altezas Imperiais e seus filhos, semanários, ministros da Marinha e dos Estrangeiros, conde e condessa da Estela Cecília, barão e baronesa de Muritiba, baronesa de Loreto, ministro chileno e sua esposa foram ontem, às 11h ¾ da manhã, na galeota a vapor, a bordo do Almirante Cochrane. E prossegue texto do matutino:

Ao largar a galeota do Arsenal de Marinha, o encouraçado chileno embandeirou em arco, dando as salvas do estilo, a que responderam as fortalezas e os navios surtos do nosso porto. Ao chegar à galeota próxima do navio subiu às vergas toda a marinhagem, que prorrompeu em entusiásticos aplausos. Sua Majestade percorreu todo o vaso, assistindo a bordo do Cochrane o exercício de torpedos. Serviu-se um delicado lunch em que Sua Majestade foi respeitosamente saudada pela brilhante oficialidade. À família imperial foram oferecidos ricos buquês de cravos e violetas, assim como às senhoras baronesas de Loreto e Muritiba. A 1h saiu-se sua majestade o imperador e a família imperial, subindo de novo as vergas e marinhagem do Cochrane. Para saudar o nosso monarca.



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